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sábado, 4 de abril de 2026
"Eu sei que te magoei muitas vezes, meu amor. Sei que fiz você sofrer e que não mereço você. Mas não tenho notícias suas há tanto tempo; você não atendeu minhas ligações, e me pergunto se bloqueou meu número. Se o fez, eu a deixarei em paz. Mas se achar que ainda podemos ter mais uma chance no amor antes de estarmos velhos demais até para beijar, podemos nos encontrar, nem que seja por uma noite"
E ela estava certa. Ao examinar o buquê, percebeu que vinha com um envelope endereçado a Claudia Oliveira. Matilda pensou um pouco sobre aquilo, observou as flores: eram vermelhas como o batom que sua mãe costumava usar, aquele que Matilda desejava desesperadamente roubar quando era pequena; lembrava-se de observar os lábios da mãe quando ela bebia uma taça de vinho, da forma como o batom manchava os cantos
Deu um passo para trás, surpresa. No capacho, alguém havia deixado um lindo buquê de rosas. Ela o pegou, curiosa, sabendo que não era para ela. Não é que ela achasse que ninguém lhe mandaria flores — era solteira, mas poderia ser de sua mãe, uma amiga… Mas era porque, assim como sentira estar atrasada mais cedo, ela podia sentir que o que fazia era errado, como espiar pela fechadura a vida de outra pessoa
"Sinto falta dos seus olhos de topázio verde e de como iluminavam o ambiente quando você ria. Sinto falta da sua pele macia e da maneira como seu toque podia tornar qualquer dificuldade mais suportável. De como você nunca desviava o olhar enquanto falava, de como seu olhar era suficiente para enlouquecer qualquer um, se assim desejasse"
Naquela noite, Matilda levou a mãe para jantar no melhor restaurante da cidade. Elas riram sobre taças de vinho de um jeito que nunca tinham rido; falaram sobre o passado, brincaram sobre os irmãos de Matilda e seu pai

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