Meer
terça-feira, 9 de junho de 2026
Sentiu como se estivesse jogando fora aquele monte de doenças e sofrimentos que o aguardavam. A sensação era de cura. Teve vontade de lavar as mãos, purificar-se. Sabia que a abstinência seria sofrida e que teria que resistir ainda por muitas vezes à vontade de fumar. Mas o primeiro e mais importante passo havia acabado de dar
Apagou o isqueiro que já lhe queimava os dedos. Tinha que decidir: era agora ou nunca. Um pênalti decisivo. Se acendesse aquele cigarro não haveria outra oportunidade de largar o fumo. Era fazer o gol ou amargar a derrota
Olavo procurou argumentos, mas estava difícil. De fato, Rui vinha há muitos anos, em todas as consultas, exigindo que ele parasse de fumar. Agora estava pagando um preço alto por ter ignorado esta orientação do amigo ao longo de tanto tempo
Foi para casa disposto a levar a decisão até o fim. Os fumantes passivos de lá gostaram da novidade. Olavo fez questão de anunciar solenemente o acontecimento à mulher e aos dois filhos, pois assim seria também uma questão de honra. Um tripé sustentaria sua perseverança: a saúde, a amizade do Rui e a sua honra perante a própria família
Olhou em volta tentando ganhar tempo. Ninguém notava sua aflição. As pessoas passavam apressadas, indiferentes ao drama que ele estava vivendo

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