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quinta-feira, 15 de outubro de 2026
Como tia de sete sobrinhos, cada um em uma etapa distinta da vida, da infância à adolescência, posso afirmar com propriedade que aprendo diariamente com eles. Cada idade, cada fase e cada costume ensinam algo novo. Ser tia é experimentar um amor profundo por alguém que, como costumo dizer de forma coloquial, é “amar alguém que nem saiu da gente”
 Ainda assim, observar e valorizar cada etapa do processo, sem a obrigação de controlar o percurso, é um privilégio. Um prazer que existe independentemente da escolha entre ser mãe ou não
Os modelos de família são diversos, plurais e estão em constante transformação. Ainda assim, há papéis afetivos pouco discutidos socialmente. Um deles é o da tia presente, aquela que oferece carinho, escuta e atenção, mas que não carrega sozinha o peso das responsabilidades que recaem sobre a maternidade
Essa vivência me fez refletir ainda mais sobre o assunto e sobre a dimensão da responsabilidade que é acompanhar a formação e o desenvolvimento de um ser humano. Educar alguém sem qualquer garantia sobre quem essa pessoa se tornará no futuro talvez seja um dos maiores desafios da existência
Para os mais ultrapassados, a expressão “ficar para titia” carrega um tom pejorativo e ainda é muito utilizada para associar mulheres que, por escolhas individuais, decidiram não ser mães. Trata-se de um conceito moldado por uma lógica machista, que insiste em julgar mulheres a partir de suas decisões reprodutivas. A realidade, porém, aponta em outra direção. A escolha de ser apenas a tia, ou de não exercer a maternidade, tem crescido de forma consistente

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