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terça-feira, 2 de junho de 2026
Era claro que em 1981 os embates de Fortaleza de 1978 – onde e quando os geógrafos se encontraram e quiseram tudo mudar – ainda se faziam notar. A ambiência de redemocratização, mesmo que lenta, gradual e segura, lançava seus fluidos sobre todos os campos de atuação da Geografia. Aquele baiano, nascido em Brotas, de nome Milton Santos (1926-2001) estava de volta e bem perto de ser totalmente reintegrado à universidade brasileira. De maneira que o que havia de melhor da reflexão sobre Geografia no mundo começava a arejar a mentalidade das novas gerações de geógrafos brasileiros
Cursou Geografia de 1973 a 1977 e depois Ciências Sociais de 1974 a 1979. Preferiu a Geografia sem jamais abandonar a outra. Tornou-se professor do Departamento de Geografia em 1982. Fez-se mestre em 1983, doutor em 1991, livre-docente em 2000 e titular em 2004. Firmando-se como autoridade em sua área de atuação. E, para muitos, o geógrafo mais criativo de sua geração. Inaugurando a sua estreia com um livro – Geografia. Pequena História Crítica, publicado em 1981 sob os auspícios do saudoso professor Armando Correa da Silva (1931-2000) – que nasceu oportuno e virou sucesso instantâneo
A sua inteligência fluía. As suas manifestações eram mais e mais assertivas. A sua presença tudo expandia. Os seus interesses intelectuais transitavam cada vez mais em mares distantes, diversos, mais profundos, mais revoltos e desconhecidos. Marcando época. Ampliando territórios. Renovando a sua – e a nossa – forma de pensar. Aquém e além fronteiras. Induzindo a todos – alunos, leitores, admiradores e mesmo detratores – a reconhecer nele um modelo
Tonico já era moço e quase totalmente paulista, quando viu o mundo e o Brasil mudar. Por aqui, fazia-se Brasília. Belém-Brasília. Cinema Novo. Bossa Nova. João Gilberto (1931-2019). Chega de Saudade. Augusto Boal (1931-2009), Gianfrancesco Guarnieri (1934-2006), Teatro Experimental. Visão abstrata na Bienal. Zoológico em São Paulo. Arquidiocese em Aparecida. Furnas em Minas. Operação Pan-Americana em Washington. Sudene no Nordeste. Mais Ford e mais Volks no Brasil. Estradas e mais estradas. Modernização, industrialização, internacionalização. Plano de Metas em ação. Cinquenta anos em cinco. Entusiasmo. Inspiração. Alegria. Nova bossa. Meta-síntese. Que começou a ruir naquele agosto de 1961. Quando o presidente Jânio Quadros acelerou o país no desconhecido
Pois, malgrado imenso geógrafo, a bem ver, ele era inquieto, intenso e voraz demais ancorar numa única área. É certo que ele encarnava como poucos aquele pour l’enfant amoreux de cartes et d’estampes/L’univers est égal à son vaste appétit [para uma criança amante de cartas e selos/o universo é igual ao seu vasto apetite] dos versos de Baudelaire. Mas o seu apetite ia muito além da Geografia

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