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domingo, 15 de fevereiro de 2026
O homem que a abordou acreditava que ela fosse trans e, por isso, não queria que ela entrasse no banheiro masculino — temendo que ela desejasse seu corpo. Ao mesmo tempo, recusava sua presença no banheiro feminino, alegando que sua esposa estava lá. A solução proposta? Que ela usasse o banheiro de pessoas com deficiência. A mulher, no entanto, era cisgênero. Mas o que importa aqui não é a identidade dela — é o absurdo da situação
A primeira estrofe fala das travestis e travestidas, que tentam trabalho, mas tropeçam em trancas. A violência é física — “toma tapa, tem testa partida” — mas também simbólica, institucional. Ainda assim, há tesão, há tudo, há vida. Uma vida que, infelizmente, é muitas vezes vencida antes dos 35 anos. Essa é a expectativa de vida média de uma pessoa trans no Brasil. Um número que não deveria existir. Um número que denuncia o fracasso coletivo em garantir dignidade e permanência
Expo T é mais do que um poema — é uma denúncia ritmada, uma travessia linguística que transforma dor em verbo. Inspirado na estrutura da música “Brasil com P” de GOG, o poema constrói sua crítica social com palavras iniciadas pela letra T, revelando camadas de exclusão, resistência e potência vividas por pessoas trans no Brasil. Cada estrofe é uma lente: ora sobre o corpo, ora sobre o tempo, ora sobre a tortura, ora sobre a tarefa coletiva de transformação
A interseccionalidade nos ensina que vulnerabilidades se sobrepõem. Ser mulher já é estar em risco. Ser mulher preta, mais ainda. Ser mulher preta, lésbica, mãe solo, é carregar múltiplas camadas de exclusão. E mesmo assim, há realidades que permanecem invisíveis. A minha expectativa de vida, por exemplo, ainda é maior do que a de uma mulher trans. Ainda consigo discutir aposentadoria, carreira, maternidade. Mas e quem não chega aos 35 anos? Quem não tem tempo para planejar o futuro?
A segunda estrofe amplia o olhar para pessoas trans em geral. Elas tentam território, trato, trajetória. Mas o tempo é curto, e a vitória é rara. A cada tentativa, um tombo. A cada passo, um torpor. E mesmo assim, seguem. Seguem com tudo truncado, com tanta dor

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