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segunda-feira, 29 de junho de 2026
 A realidade das escolas portuguesas é hoje um mosaico de desafios que vão desde o envelhecimento da classe até à pressão asfixiante de uma burocracia que parece não ter fim, transformando o quotidiano escolar numa maratona de obstáculos onde o tempo para a criatividade e para o acompanhamento individualizado dos alunos é o primeiro a ser sacrificado
São atas de reuniões de conselho de turma que exigem pormenores literários, relatórios de autoavaliação, grelhas de monitorização de competências. Este trabalho invisível, que consome as chamadas "horas não letivas" — e que transborda invariavelmente para o tempo pessoal, para as noites e para os fins de semana, retira ao professor a energia mental necessária para o que realmente importa: a preparação de aulas estimulantes e a inovação pedagógica
O modelo da Escola Inclusiva, consagrado pelo Decreto-Lei 54/2018, é um marco civilizacional inquestionável e humanamente necessário. A ideia de que nenhum aluno deve ser deixado para trás e de que a escola se deve adaptar à criança, e não o contrário, é nobre, na teoria… No entanto, a sua aplicação prática recai quase exclusivamente sobre os ombros dos docentes, muitas vezes sem os recursos humanos e logísticos prometidos. Num sistema onde as turmas continuam a ser numerosas, o professor vê-se perante o desafio hercúleo de desenhar percursos de aprendizagem distintos para uma única turma
O peso da burocracia é, talvez, o aspeto mais visível e desgastante. A digitalização, que prometia simplificar processos e reduzir o consumo de papel, acabou por ter o efeito perverso de multiplicar as tarefas. Hoje, um professor não se limita a dar a sua aula e a registar o sumário. Vivemos na era do "preencher para provar que se fez"
Para o futuro, a sustentabilidade do sistema educativo português dependerá da capacidade do Estado em aliviar esta carga. Não se trata apenas de salários, embora a valorização remuneratória seja urgente. Trata-se de devolver o tempo aos professores. Tempo para pensar, tempo para estudar, tempo para colaborar com os colegas e, acima de tudo, tempo para estar presente para os alunos sem a pressão de ter de preencher mais um formulário antes do final do dia

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