Meer
sexta-feira, 4 de setembro de 2026
Pescadores na praia. Observaria, com nostalgia, as artes pesqueiras, nas manhãs em que as houvesse e incorporava as várias procissões aos santos do mar
Depois de me arranjar e de comer qualquer coisa, saio à rua. Os canídeos andam à vontade sem nunca se afastarem da minha pessoa. Caminho até ao café mais próximo, frequentemente encontro a Dona Regina, ocupada nas suas lides: ora pendura a roupa, ora rega as plantas, ora faz a suas compras, mas nunca nega uma boa conversa às pessoas que encontra. Comigo não é exceção e o que era um simples bom dia torna-se uma conversa de largos minutos
Comprava uma casa sem grandes luxos, fora de Lisboa, no sítio mais remoto que tivesse acesso aos serviços básicos essenciais: saúde, educação, transporte, segurança, fornecimento de energia elétrica, água, tratamento de esgoto e lixo. Ficaria longe de toda a toxicidade metropolitana, dos trânsitos, das energias negativas que pairam em todos os átomos da atmosfera, do stress, das outras pessoas, da estupidificação massiva das novas gentes e das suas tecnologias subaproveitadas para a futilidade
Pescadores na praia. Aventurava-me, ao cair da noite ou aos primeiros raios de sol, a levar a cana para o pontão e a tentar a minha sorte com algum peixe digno de refeição
Peço um galão e uma torrada ao Sr. Barreto, mas é a sua mulher que o traz à mesa. Enquanto beberrico a bebida e trinco uma parcela da torrada, ouço as conversas dos idosos madrugadores; saudosamente recordam os tempos em que "Era assim e que já não é. Tudo era diferente!", e que ocasionalmente libertam um nostálgico “Esses eram os tempos!”

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