Meer
domingo, 19 de abril de 2026
Essa sensação nem sempre aparece de forma intensa logo no início. Muitas vezes, ela começa de maneira sutil. Um desinteresse leve, uma dificuldade maior para se animar, uma sensação de que tudo exige mais esforço do que antes. Aos poucos, aquilo que era natural vai ficando pesado. E o que antes trazia prazer passa a ser apenas mais uma tarefa a cumprir
Muitas pessoas têm dificuldade com práticas como a meditação, e isso é compreensível. Não estamos acostumados a parar. No início, pode parecer desconfortável, improdutivo ou até inútil. Mas toda prática começa assim. Com pouca habilidade, com impaciência, com dúvida. Ainda assim, é nesse início imperfeito que algo começa a se reorganizar. Não se trata de fazer bem, mas de sustentar o processo. De permitir que exista um espaço, ainda que pequeno, de contato consigo mesmo
O problema não está na falta em si. O problema está na relação que se estabelece com ela. Vivemos em um tempo que não tolera o vazio. Tudo precisa ser resolvido rápido, preenchido rápido, substituído rápido. O silêncio incomoda. O tédio incomoda. O não saber incomoda. E, diante disso, o sujeito aprende a fugir,  muitas vezes sem perceber que está fugindo de si mesmo
Outros seguem no movimento oposto. Trabalham, viajam, saem, postam. A vida parece cheia, organizada, até interessante. Mas quando o dia termina, a sensação é outra. Deitam a cabeça no travesseiro e percebem que nada disso sustenta de verdade. Existe uma espécie de vazio que não desaparece, mesmo quando tudo parece estar no lugar. É como se a vida estivesse sendo vivida por fora, enquanto, por dentro, algo não acompanha
O desejo não volta como uma decisão. Ele não responde a uma ordem. Ele reaparece quando encontra lugar. E esse lugar não se constrói com mais estímulo, mais preenchimento ou mais distração

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