Meer
terça-feira, 17 de fevereiro de 2026
A dramaturgia em preto e branco, ao estetizar a nação, produzia o que Jesús Martín-Barbero (2009) chama de deslocamento das mediações: a cultura popular era representada, mas não falava por si — era mediada, enquadrada e domesticada
A transição para a cor, nas décadas seguintes, foi mais do que uma inovação técnica: foi uma ruptura epistemológica
O presente ensaio analisa a periculosidade simbólica e ideológica da representação em preto e branco nas produções cinematográficas e televisivas brasileiras das décadas de 1940 a 1960. Busca-se compreender como essas imagens projetaram uma narrativa de identidade nacional marcada pela homogeneização cultural e pelo apagamento das diferenças raciais e sociais. Ao observar os contextos macro (a formação do imaginário nacional) e micro (a percepção individual do espectador), argumenta-se que o preto e branco construiu uma estética de “neutralidade perigosa”, legitimando hierarquias simbólicas e consolidando um olhar elitizado sobre o Brasil
No contexto da urbanização e do desenvolvimentismo (anos JK), o público via no preto e branco um símbolo de modernidade. A televisão e o cinema em preto e branco não eram sinais de atraso, mas de civilização: “ver como os americanos viam” equivalia a sentir-se parte do mundo moderno
O Cinema Novo, com Glauber Rocha e Nelson Pereira dos Santos, devolveu à imagem suas texturas políticas e sociais. Em Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), a aridez da terra e o vermelho do sangue se tornaram metáforas de um país que não cabia mais na neutralidade do preto e branco

Na Rua

Pesquisar no Calendário

Subscribe
Get updates on the Meer