Meer
sexta-feira, 16 de outubro de 2026
É importante dizer que nem todas as mulheres estão no mesmo lugar quando falamos de reposição hormonal. “Câncer” não é uma categoria única, assim como “adenocarcinoma” não define, por si só, se um tratamento é possível ou não. O que pesa - e muito - é o órgão de origem, o perfil hormonal do tumor, o estágio da doença e a história clínica de cada corpo
Depois da pandemia, Laura Pacheco percebeu que algo havia se rompido silenciosamente. “Não importa o que eu faça, não consigo emagrecer. A cada dia sinto menos vitalidade, como se algo estivesse se dissolvendo”, conta. Mesmo se comparando a amigas mais velhas, nota limites cada vez mais evidentes. “Eu teria tentado caminhos diferentes. O que me falta hoje não é vontade, é um médico que caminhe comigo”
Com o tempo, entendi que o peso dessa frase não estava apenas no campo médico. “Perder o timing” carrega uma lógica social profundamente conhecida pelas mulheres. Existe um relógio implícito que regula quando podemos engravidar, quando devemos parar, quando ainda somos elegíveis para certas escolhas e quando já não somos mais. O corpo feminino é atravessado por janelas que se abrem e se fecham sem aviso, quase sempre definidas por critérios externos
Há mulheres que decidem, mulheres que adiam, e mulheres que simplesmente não podem escolher. Reduzir essa complexidade a um “sim” ou “não” absoluto é apagar justamente aquilo que mais importa: a singularidade de cada trajetória corporal
Paola de Carli, diabética desde os 25 anos, sempre teve a doença rigorosamente controlada. Até que, sem aviso, a insulina deixou de responder como antes. “A dose funcionava um dia e não no outro. Meu corpo já não funcionava como sempre funcionou”, relata. A menstruação atrasava, mas não chamava atenção

Na Rua

Pesquisar no Calendário

Subscribe
Get updates on the Meer