Meer
quinta-feira, 30 de abril de 2026
Algumas eu devolvo para a família depois, com histórias de melhora, com lágrimas de alívio, com sorrisos tortos por trás das máscaras. Outras eu solto devagar, com cuidado, como se soltar fosse um pedido de desculpas por não ter conseguido
Alguns chegam andando. Outros chegam carregados. Alguns falam. Outros só olham. Há os que respiram rápido demais, como se estivessem se afogando em ar. Há os que respiram devagar demais, como se estivessem cansados de tentar
Os corredores ficaram diferentes. Antes tinham passos, conversas, gente passando com pressa para outros lugares. Depois ficaram vazios e barulhentos ao mesmo tempo. Vazios de gente andando. Barulhentos de máquinas, de alarmes, de tosses, de respirações raspando no peito. O silêncio nunca mais foi o mesmo depois disso. Ele deixou de ser descanso e virou anúncio
Ainda tem dias em que o corredor parece infinito. Ainda tem dias em que a máscara aperta mais do que o rosto. Ainda tem noites em que eu acordo achando que ouvi um alarme. Mas também há manhãs em que a luz entra pela janela e eu lembro que, apesar de tudo, ainda estamos aqui
O corpo deles luta de um jeito que não aparece nos livros. Luta em silêncio, por dentro. O peito sobe e desce como se estivesse carregando um peso que ninguém vê. Os lábios ficam secos. A pele perde a cor. Os olhos pedem ajuda mesmo quando a boca não consegue

Na Rua

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