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quarta-feira, 29 de abril de 2026
Vista por nós do campo da moda como estética de resistência, A estética latina, quando vivida de dentro para fora, não é apenas alegre ou colorida, ela é resistente. Vem de realidades onde o fazer manual é mais do que técnica: é sobrevivência, cultura viva e herança familiar
É impossível falar de moda latino-americana sem citar a força do artesanato. No Brasil, por exemplo, as rendeiras do Nordeste, os bordados do Vale do Jequitinhonha, o crochê das comunidades caiçaras e os tecidos de algodão agroecológico das cooperativas do sertão não são apenas produtos: são declarações vivas
Nós somos mais que influência, somos afirmação de presença. Por décadas, a América Latina foi observada com uma lente estereotipada, como uma terra de cores fortes, gestos exagerados e elementos “exóticos” que serviam de inspiração para coleções temáticas e de verão. Lembro bem de ver coleções europeias que “homenageavam” o Brasil, a Colômbia ou o México com símbolos caricatos, sem nenhuma conexão real com os significados por trás daqueles elementos.  E por vezes o Brasil também fez isso para vender para gringo, geralmente peças de alto valor
A presença de designers latinos nas semanas de moda internacionais, o intercâmbio entre ateliês e comunidades artesãs e a ascensão de consumidores mais atentos aos discursos por trás das roupas são sinais dessa virada
Essas práticas têm sido cada vez mais valorizadas fora do continente. Marcas europeias vêm buscando (ainda que timidamente) integrar saberes tradicionais em suas coleções. Algumas colaboram com grupos locais, outras se inspiram e reinterpretam, raramente dão os créditos. Mas o mais importante é que o discurso sobre o artesanal deixou de ser uma nota de rodapé e passou a ser argumento de valor

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