Meer
quarta-feira, 22 de julho de 2026
Em uma sala confortável e organizada, a mulher permanece concentrada diante do trabalho. A criatividade continua encontrando espaço mesmo sob a pressão do ruído contemporâneo. Toda narrativa começa também em momentos discretos de observação e permanência
Recortes de jornais cobrem quase todo o corpo e o rosto da mulher. A sobreposição de discursos e informações parece disputar até a identidade individual. Com a pele revestida por fragmentos impressos, a mulher surge como extensão do excesso narrativo contemporâneo. Notícias, versões e ruídos tornam-se quase inseparáveis do cotidiano
Pessoas observam dezenas de telas acesas em uma sala de baixa luminosidade. Mediante narrativas fragmentadas e imagens simultâneas, o presente parece disputar atenção a cada segundo. O excesso informativo tornou-se uma das paisagens mais características do nosso tempo. Com tanta propaganda, memória e criação, multiplicam-se as narrativas contemporâneas
Com papéis, canetas, outros objetos e silêncio, a mulher ocupa o próprio espaço de criação em um ambiente acolhedor e tranquilo. Em meio ao excesso de vozes e disputas, pensar tornou-se também um gesto de resistência
Manchetes e textos espalham-se pelo corpo da mulher, deixando livres apenas os olhos, a boca e o nariz. Ainda cercada por discursos, permanece a possibilidade de olhar e respirar criticamente. Em meio a informação e saturação, o mundo contemporâneo parece exigir constante filtragem do real.

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