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sexta-feira, 3 de julho de 2026
Em Estética da Criação Verbal, Bakhtin afirma que a palavra nunca é neutra ou solitária. Todo enunciado — seja ele uma frase, um texto ou uma fala — surge em resposta a outros enunciados e carrega em si a expectativa de uma réplica. A linguagem, nesse sentido, é fundamentalmente dialógica
Essa noção rompe com a visão tradicional da linguagem como mera transmissão de informações. Em vez disso, Bakhtin nos convida a pensar o discurso como lugar de encontro — e também de conflito — entre diferentes vozes sociais
Bakhtin propõe uma visão dialógica e interacionista da linguagem. Para ele, a linguagem não é algo estático, tampouco neutro ou transparente. Ela é uma prática social viva, marcada pelas relações entre sujeitos concretos, históricos, inseridos em contextos culturais, ideológicos e políticos específicos
Estamos sempre nos dirigindo a alguém, mesmo que esse "outro" seja imaginado. Como ele escreve, “a compreensão de um enunciado depende do diálogo: não existe fala isolada, mas sim um contínuo de respostas” (Bakhtin, 2011, p. 271). Ou seja, os sentidos são construídos na interação e não pertencem exclusivamente ao falante ou ao ouvinte
Cada palavra está impregnada de ecos de outras palavras, de outras experiências e valores. Assim, o discurso se torna o espaço privilegiado para observar como as relações sociais se manifestam, se estruturam e se transformam

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