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quinta-feira, 23 de abril de 2026
A piora foi significativa: minhas emoções, pensamentos e comportamentos ficaram desregulados, e percebi que continuar nesse ciclo seria perigoso para minha saúde mental. A decisão mais sensata foi romper o tratamento com essa psicoterapeuta e, ao mesmo tempo, fechar minha conta no Instagram, encerrando o acesso a um ambiente que só alimentava minhas vulnerabilidades
No Instagram, o ciclo de valorização e desvalorização se reforça toda vez que alguém curte, comenta ou compartilha uma postagem. É uma resposta química e emocional: o cérebro libera dopamina, o neurotransmissor do prazer e da recompensa, e por alguns segundos, sentimos que existimos, que pertencemos, que somos vistos
O feed do Instagram cria a ilusão de que a vida de todas as outras pessoas é perfeita — menos a minha. Cada imagem polida, cada conquista compartilhada reforça sentimentos de inadequação, exclusão e rejeição, especialmente em quem vive com baixa autoestima ou enfrenta desregulação emocional. Na tentativa de entender meu lugar nesse mundo digital, comecei a comparar a falta de seguidores na minha conta com as páginas de pessoas já “consagradas”
É preciso estar atento a psicólogos que “receitam” rede social como aliada terapêutica no tratamento psicoterápico. Abrir uma conta no Instagram, ou em qualquer outra rede social, não irá ajudar a pessoa a lidar com sofrimentos, dores, angústias ou transtornos mentais. Muito pelo contrário, pode agravar ainda mais o estado psíquico de uma pessoa em estado de dor e conflito
Lembro da minha primeira postagem sobre saúde mental — feita com o coração na mão e a esperança no olhar. Pouco tempo depois, duas comunidades da área me responderam, interessadas em “parcerias”. Meu coração acelerou, minhas mãos suaram, e a respiração ficou curta diante daquela validação inesperada

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