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terça-feira, 9 de junho de 2026
A gestão financeira contemporânea enfrenta um paradoxo aparente: quanto mais dados disponíveis, maior a incerteza na tomada de decisão. Em um mundo marcado por choques exógenos recorrentes, pandemias, conflitos geopolíticos, transições energéticas e crises climáticas, a avaliação do fluxo de caixa deixou de ser um exercício meramente contábil para se tornar um instrumento de resiliência estratégica
Embora o DCF domine a prática, modelos alternativos ganharam espaço teórico. O modelo de valoração residual (Ohlson, 1995) relaciona valor de mercado ao património líquido contábil e ao lucro residual (lucro menos custo do capital). Posteriormente, Ohlson (2020) admitiu que “o modelo residual é matematicamente equivalente ao DCF sob certas condições, mas oferece maior transparência na alocação do valor entre activos existentes e crescimento futuro”
A avaliação do fluxo de caixa constitui um pilar central na tomada de decisões estratégicas, na sustentabilidade organizacional e na previsão de cenários futuros, especialmente em contextos de volatilidade macroeconómica
Historicamente, a contabilidade financeira priorizou o resultado líquido como indicador de desempenho. Contudo, a partir dos anos 1980, críticas intensificaram-se contra o uso exclusivo do lucro contábil, em função de sua susceptibilidade a manipulações via escolhas contábeis
Filosoficamente, o “futuro” na avaliação financeira é um constructo normativo, não um dado objectivo. Como observa Rebonato (2021, p. 89), “modelos financeiros não preveem o futuro; eles constroem narrativas coerentes sobre futuros plausíveis, sob pressupostos explícitos”. Isso implica que a avaliação do fluxo de caixa é, inevitavelmente, uma actividade hermenêutica: interpretação de sinais, escolha de cenários, julgamento sobre riscos

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