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domingo, 30 de novembro de 2025
Lucas a viu cruzar o pátio, rindo de algo que uma amiga dizia. E ficou parado, perto da escada, com o skate encostado ao lado da perna, desejando que o tempo parasse ali. Que ela olhasse. Que, por algum motivo do destino, ela viesse até ele e dissesse algo que desbloqueasse tudo o que ficou guardado
Ela entrava na sala como quem flutua. Cabelos loiros escorrendo perfeitamente até o meio das costas, olhos azuis que brilhavam mesmo sem luz direta. Não precisava falar alto pra ser notada. Havia algo nela que prendia a atenção — uma tristeza bonita, um silêncio carregado de histórias que ninguém sabia. Marina andava com o grupo de sempre, mas era fácil perceber que estava sempre um pouco distante, como se vivesse metade do tempo em outro lugar
Lucas chegava todos os dias com o skate debaixo do braço. Cabelo castanho, sempre levemente bagunçado, camiseta preta com estampa rachada de alguma banda de rock alternativo, e o olhar meio perdido, meio atento. Sempre andava com seus dois amigos Cleiton e Pedro. Ouvia suas músicas no volume máximo, rabiscava letras nos cantos do caderno e sentava na mesma quarta cadeira da fileira dois da direita. Ali, com a mochila entre os pés e o olhar fixo em qualquer lugar que não fosse a frente, ele observava o mundo
Pegou o skate, desceu a rampa e foi embora, engolindo o choro que insistia em voltar. Marina o viu de longe. Quase chamou. Mas não chamou. Porque não sabia o que diria se ele virasse. Porque, talvez, ela também tivesse medo do que poderia acontecer se tudo aquilo saísse do lugar de segurança onde sempre esteve: o silêncio
Lucas e Marina só se conheceram no Ensino Médio, exatamente naquele ano. Nunca haviam trocado mais do que duas ou três frases — e mesmo essas frases foram sobre coisas banais, como "a professora pediu pra passar a folha" ou "você tem corretivo emprestado?". E ainda assim, havia algo entre eles que não precisava de palavras

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