Meer
domingo, 6 de setembro de 2026
Defendi e defendo até hoje o que acredito ser uma das formas de expressão mais cruas e fidedignas da cultura brasileira: o funk traz à tona a criatividade que habita nas periferias de nossas cidades, a resiliência e a força do povo brasileiro frente às dificuldades impostas pela desigualdade e, de quebra, ainda faz isso com uma batida que torna impossível ficar parado
Como boa aspirante ao curso de Letras, li muitos clássicos da nossa literatura, que permanecem com lugar de prestígio não só na nossa cultura, como no meu coração. "Capitães da Areia", "Vidas Secas", "Memórias Póstumas de Brás Cubas", "A hora da Estrela", dentre muitos outros, me conquistaram de uma forma que eu gostaria de poder esquecer as histórias só para poder lê-las pela primeira vez de novo
Foi só na adolescência, se me lembro bem, que essa fissura pela cultura americanoide começou a ser questionada – talvez nem seja essa a palavra, pois não houve questionamento, mas para primeiros efeitos vamos deixar assim. E, pasme, a mudança veio de nada mais, nada menos que da minha descoberta pelo gênero musical que segue sendo, hoje ainda, um dos meus queridinhos: o funk
Foi por essa época também, entre sair do ensino médio e o primeiro ano da Universidade,  que comecei a expandir meus conhecimentos sobre a cultura brasileira – tardiamente, sim, mas ainda em tempo de reverter a ideia de que não temos filmes, literatura, música e arte
Crescendo em uma família de classe média, cujos pais davam muito valor à educação e à ascensão social, entendo que eles não gostavam desse tipo de música (mesmo minha mãe sendo do estado onde nasceu o funk), uma vez que ia de encontro com essa aspiração de vencer a estratificação social. Na escola particular, não era diferente: meus amigos nunca tinham ouvido um "Boladona", ou "Glamurosa"; muito menos uma Valeska Popozuda, um MC Sapão, e que dirá um MC Catra. As referências deles se resumiam em, no máximo, "Bonde do Tigrão"

Na Rua

Pesquisar no Calendário

Subscribe
Get updates on the Meer