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quarta-feira, 11 de março de 2026
O resultado não demora a aparecer. O corpo dá sinais. A insônia se instala. A irritação se torna constante. O distanciamento afetivo vira mecanismo de defesa. A sensação de inutilidade cresce, mesmo diante de esforços gigantescos. A mente começa a questionar: “por que continuo aqui?”. E, em muitos casos, a resposta é o silêncio. Ou o adoecimento
Além disso, é hora de revisar o discurso da “resiliência infinita”. Embora a resiliência seja importante, ela não pode servir de desculpa para manter estruturas abusivas. Não se trata de ensinar os profissionais a suportarem tudo. Trata-se de construir ambientes onde não seja necessário suportar tanto
Burnout. O nome técnico é esse. Uma síndrome de esgotamento profissional reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) desde 2019. É caracterizada por três dimensões: exaustão emocional, despersonalização e sensação de ineficácia. Mas isso, traduzido para o cotidiano, significa o seguinte: não é apenas estar cansado. É não conseguir mais. É levantar da cama com um peso no peito. É trabalhar no automático, sem brilho no olhar, sem vínculo, sem sentido
É essencial entender que o burnout não é uma falha individual. Não é fraqueza. Não é falta de preparo. É o sintoma de um sistema estruturalmente adoecido. Um sistema que exige produtividade em ritmo industrial, mesmo quando o que está em jogo é o cuidado com vidas humanas. Um sistema que exige entrega total e devolve pouco ou nada em termos de suporte emocional, financeiro ou institucional
No Brasil, ainda estamos engatinhando. Mas algumas instituições já estão se movendo. Hospitais universitários têm criado núcleos de escuta ativa. Secretarias municipais de saúde começam a mapear dados sobre adoecimento profissional. Ainda é pouco, mas é um começo

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