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sábado, 24 de janeiro de 2026
O enredo do filme, na teoria, já era conhecido, pois bastava uma leitura atenta dos 4 evangelhos para saber o desfecho de toda a história
Cena do filme "Paixão de Cristo". Ao remover a familiaridade das línguas modernas (inglês, espanhol, italiano, francês...), Gibson força o espectador a uma posição de estranhamento, exigindo maior concentração. A comunicação passa a residir não no diálogo, mas no olhar, nos sentimentos, nos sons (gemido, respiração...), no sangue e na expressão física
Mel Gibson, a meu ver, não fez somente um filme. Ele gerou no espectador uma experiência sensorial e espiritual de intensidade quase insustentável. "A Paixão de Cristo" é, antes de tudo, um trabalho de cinema radical, um filme que usa todas as ferramentas da sétima arte – da fotografia à edição, do design de som à maquiagem de efeitos especiais
A meu ver, uma das escolhas mais audaciosas e definidoras do filme é a utilização das línguas consideradas mortas (Hebraico, Aramaico e Grego), com legendas. Esses idiomas eram falados no tempo de Jesus. Contudo, esta não é uma mera busca por realismo arqueológico ou preciosismo histórico, mas uma decisão estética de inteligência ímpar
Cena do filme "Paixão de Cristo". A narrativa nada mais é do que uma via-crúcis cinematográfica. O enredo é esquelético, quase inexistente no sentido tradicional, isto é, não fica somente no campo linear da história, mas perpassa por outros momentos da vida de Jesus

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