Meer
terça-feira, 17 de fevereiro de 2026
Florença, Roma, Veneza e outras potências regionais conviviam com um cenário em que alianças se desmanchavam com a mesma rapidez com que eram costuradas. Maquiavel observou, de dentro da vida pública, a precariedade do poder, sua fragilidade diante da sorte, das circunstâncias e das paixões humanas
Um dos eixos centrais da atualidade de Maquiavel é sua compreensão da natureza humana. Ele sustenta que os indivíduos são movidos por interesses, paixões e conveniências, e que essas forças tendem a prevalecer sobre a moral abstrata
Federico Faruffini: "Borgia e Machiavelli". Legação de Niccolò Machiavelli, cidadão e secretário de Florença, a Cesare Borgia, Duque de Valentino. Maquiavel, ao retirar a máscara moralizante da política, expôs sua mecânica essencial com uma franqueza até então inédita, e essa franqueza ecoa violentamente no mundo contemporâneo, marcado por crises de representatividade, disputas narrativas e tecnologias de comunicação que amplificam percepções e emoções sociais
Esse realismo atravessa as páginas de O Príncipe e ajuda a explicar por que o livro, século após século, ressurge como uma espécie de manual subterrâneo de governabilidade, mesmo ou talvez especialmente em sociedades que se pretendem democráticas e éticas
Por fim, é importante reconhecer que Maquiavel não queria ensinar governantes a serem tiranos, mas sim mostrar os caminhos possíveis para preservar o Estado e manter a ordem. Sua obra é um convite à responsabilidade política, não ao abuso. A política, para ele, só faz sentido se orientada para o bem comum, ainda que, em alguns momentos, isso exija decisões que desafiem a moral privada

Na Rua

Pesquisar no Calendário

Subscribe
Get updates on the Meer