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quarta-feira, 3 de junho de 2026
O plano da expressão contém os elementos, apreendidos pela percepção, que tornam possível o aparecimento do conteúdo, vale dizer, os significados só existem graças a uma expressão que os manifesta, ou, para usar um antigo ditado, nada existe na mente que não tenha passado pelos sentidos
Reflitamos: nem sempre o primeiro sentido da palavra que nos vem à mente corresponde ao que o autor empregou. Inútil é aquilo que não é útil. E o que significa útil? Nada mais nada menos, segundo o dicionário Houaiss, do que aquilo “que pode ter ou tem algum uso; que serve ou é necessário para algo”
A palavra arte provém do latim ars e corresponde à palavra grega techné, que em português aparece em palavras como técnica, tecnologia; conhecer a origem da palavra, nesse caso, não resolve o problema. Se há certo consenso em classificar as pinturas de Velázquez, Goya e Picasso e as músicas compostas por Beethoven, Bach e Mozart como arte, a situação se complica quando se trata de uma pintura rupestre, de cantos indígenas ou folclóricos. Mas não precisamos nos reportar a manifestações artísticas primitivas para ver que o conceito de arte é problemático
Oscar Wilde, o célebre autor de "O retrato de Dorian Gray", em um de seus aforismos, afirma: "Toda arte é completamente inútil". O leitor deve estar estranhando; se a arte é inútil e a literatura é uma arte, para que ler este livro? Por que razão estudar literatura? Por que ler romances e poemas?
Ora, o que Wilde afirmou é que a arte não tem caráter utilitário, como um casaco, uma panela, um lápis. Não nos apropriamos de uma obra de arte para fazer com ela alguma coisa, mas simplesmente para fruí-la; por isso, a arte é inútil. Um casaco foi feito para nos proteger; uma panela, para cozinhar; um lápis, para escrever; mas obras como "Fausto", de Goethe, "Guernica", de Picasso, e a "9ª Sinfonia", de Beethoven foram feitas não para serem usadas, mas para serem fruídas

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