Meer
domingo, 11 de janeiro de 2026
Há uma sugestão rítmica do rock e o blues, na sua fusão com o jazz, bem familiar aos nossos ouvidos, mas que depois se dilui num universo sonoro onírico, moçambicano, africano
Mas “o que levaram? Levaram nossas terras, nossos princípios. Levaram nossos hábitos, nossos nomes. Levaram-nos a graça de viver. Levaram-nos os nossos antepassados, através da escravatura, de doenças. Vatekile, levaram e continuam a levar até hoje”, diz Xixel
Um álbum surpreendente. Um disco solar, num país cinzento. Uma obra onde são percetíveis a dor de perder um pai, a dor de ser explorada e roubada, a dor da saudade, o amor à tradição, o sacrifício do trabalho para sustentar os (nossos) dependentes, abusando, num universo próprio, de elementos das mais diversas tipologias, como rock, jazz, bossa nova, psicadelismos, ambientalismo, africanismos, vários ou eletrónicas, sobretudo com uma descontração imensa e imersiva. É coisa rara por estes lados: um disco simultaneamente bem executado e capaz de respirar espontaneidade e graça por todos os poros
O disco, diríamos, é, por isso, uma seleção de aforismos extraídos da nossa essência, enquanto seres desassossegados, maltratados. E é o que nos sugere a segunda música, cujo título é igualmente Vatekile
Essa tónica dá alma ao disco e traz outra atmosfera à música moçambicana. O primeiro cenário, imaginado, é o de perdas, de lágrimas, de dor

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