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segunda-feira, 3 de agosto de 2026
Do contrário, a mulher que, por algum motivo não se torna mãe, gera um mal-estar em seu meio social, pois ela não estaria cumprindo um papel que lhe foi pressuposto: seguir seu “instinto materno”, conforme cita Mansur (2003). A mulher em tal situação pode passar a ser vista como incompleta, sem conquistar seu lugar na sociedade — que é o da mãe — tornando-se, nesse sentido, uma pessoa ‘sem-lugar’
Nesse sentido, não é incomum vermos que, na infância, os brinquedos e as brincadeiras já apresentam conotação de gênero e de funções sociais. Para as meninas, muitos deles evocam, sobretudo, o cuidado: como nas brincadeiras de casinha ou de cuidar de bebês
O sonho enquanto um ideal ou ideia que faz parte de nosso interesse veemente significa dizer que ele faz parte de algo que desejamos incorporar à nossa existência enquanto um projeto. Dentro dessa idealização, fazemos para si um projeto existencial, decorrente tanto do desejo quanto das possibilidades que temos de nos reinventar
Afinal, qual seria o lugar da mulher no que é considerado feminino, se não seguir esse curso “natural”? Segundo tal autora, a mulher que não alcança esses ideais — casar-se, ter filhos e cuidar deles — carrega consigo um estigma, resultado das expectativas sociais e culturais que lhe são impostas
Segundo Beauvoir (1980), a sociedade ensina que é pela maternidade que a mulher realiza plenamente seu “destino fisiológico”, sendo essa a sua “vocação natural”, já que todo o seu organismo estaria voltado à perpetuação da espécie. Ser mãe aparece, então, como uma “vocação natural”— ou como uma exigência disfarçada de natureza

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