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terça-feira, 16 de junho de 2026
Fiquei pensativa e saí para ver se a encontrava ali fora para tentar explicar que eu não estava de luto.  Fui ao túmulo onde ela estava e vi que ela havia perdido recentemente o marido, suponho eu, porque a frase na lápide dizia: “Marido amado e um pai exemplar, sentiremos a sua falta para sempre.” Mais uma vez, pensei que de fato ninguém que marca as nossas vidas
Eu tenho pensado sobre isto. Um dia destes, enquanto passeava pela linda cidade de Tomar, não resisti e entrei num cemitério (um gosto estranho que tenho). Lá havia uma capela singela no fundo de um imenso corredor. Eu o percorri como quem tem pressa de chegar e, enquanto o percorria, avistei uma senhora de luto a zelar por um túmulo, que depois vi que era de seu marido. Abaixei minha cabeça em sinal de reverência àquela senhora de chapéu simples e olhar triste
Você já foi capaz de tocar a alma de alguém? Alguém já tocou a sua? Relaxe, não precisa responder a esta provocação filosófica a mim, se não quiser. Mas acho que vale a reflexão
Fui caminhando pelo corredor comprido em direção ao portão do cemitério, pensando no acumulado de sonhos que ali morreram. Agradeci por estar ali; sou feliz assim, depois da minha autorrevolução… Saí do cemitério com a fala presa e pude notar que as árvores maple que cercavam o muro resistiram à última tempestade. E, sabe-se lá quantas tantas ela já não teria resistido. E não é que depois da curva avistei a senhora do túmulo do homem amado; lá estava a senhorinha, mas desta vez com outras duas
Entrei na capela e o silêncio de dentro acolheu-me do frio invernal que estava lá fora. Sentei-me no primeiro banco e, como não sei rezar, fiquei a contemplar o sagrado daquele lugar. Fechei os olhos para sentir ainda mais aquele calor estranho daquela capela tão simples e cativante que tanto me afagou

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