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sexta-feira, 10 de julho de 2026
O cloche também carregava um código social: quanto mais baixa a aba, mais misteriosa e “moderna” a mulher parecia. Muitas o adornavam com fitas e broches que indicavam estado civil, uma fita à direita, solteira; à esquerda, comprometida; ao centro, casada
O fim da Primeira Guerra Mundial (1918) marcou um divisor de águas na história social e estética do Ocidente. A devastação humana e material do conflito provocou uma reconfiguração de valores, a moral vitoriana, com seu rigor e decoro, soava anacrônica diante do trauma e da necessidade de reconstrução. As sociedades europeias e norte-americanas entraram nos anos 20 em busca de prazer, leveza e modernidade. Essa busca atravessou todos os campos culturais: a literatura (com F. Scott Fitzgerald, Gertrude Stein, Ernest Hemingway, como alguns exemplos), as artes visuais (Picasso e Tamara de Lempicka), a arquitetura (com o estilo Art Noveau) e, de forma especialmente visível, a moda
Antes dos anos 1920, o corpo feminino vivia confinado dentro de estruturas rígidas. O espartilho, símbolo máximo do controle social sobre o corpo da mulher, moldava cinturas, comprimindo costelas e limitando a respiração. A moda eduardiana, com seus volumes e saias longas, reforçava ideais de fragilidade e domesticidade. Essa estética sucumbiu sob o peso da modernidade e das transformações do mundo
As joias seguiram a estética Art Déco: linhas geométricas, simetrias rigorosas, materiais como ônix, coral, jade e platina. As longas pérolas em camadas, eternizadas por Chanel, tornaram-se sinônimo de elegância descontraída. Os ateliês de joalheria da Cartier e da Van Cleef & Arpels criaram peças inspiradas em temas egípcios e orientais, refletindo o fascínio pela arqueologia e pelas descobertas da época, especialmente a tumba de Tutancâmon, aberta em 1922, que causou furor e gerou uma verdadeira egiptomania
Os avanços tecnológicos desempenharam papel essencial: a eletrificação das cidades, o automóvel e o avião tornaram o movimento parte da vida cotidiana. E quando a vida se acelerou e se tornou mais dinâmica, a vestimenta das pessoas precisava acompanhar essa mudança, roupas longas e pesadas já não serviam para o ritmo urbano ativo. O cinema, especialmente em Hollywood, também ajudou a disseminar novos ideais de elegância: atrizes como Clara Bow, Louise Brooks e Colleen Moore encarnavam o espírito flapper com cabelos curtos e vestidos cintilantes, ao som do jazz e do charleston

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