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sábado, 7 de novembro de 2026
A explosão do tema “adultização” após o vídeo do youtuber Felca não surgiu do nada: ela catalisou um desconforto antigo que, por décadas, foi tratado como “normal” em programas de TV, publicidade e rotinas familiares. O impacto do vídeo - que levou ao convite para o influenciador falar na Câmara e à apresentação de uma enxurrada de projetos de lei - recolocou no centro da pauta cultural e política a pergunta essencial: quando foi que naturalizamos a antecipação de papéis adultos para crianças e adolescentes?
Na seara cívica, o país levou décadas para fechar brechas legais à adultização por vias formais. Só em 2019 a Lei nº 13.811 proibiu de modo absoluto o casamento de menores de 16 anos, extinguindo exceções antes previstas no Código Civil (Brasil, 2019). O movimento legislativo foi tardio: dados da ONU e do UNICEF colocavam o Brasil, em números absolutos, entre os países com mais uniões precoces - o 4º do mundo - e o 1º da América Latina
A explosão do tema “adultização” após o vídeo do youtuber Felca não surgiu do nada: ela catalisou um desconforto antigo que, por décadas, foi tratado como “normal” em programas de TV, publicidade e rotinas familiares. O impacto do vídeo - que levou ao convite para o influenciador falar na Câmara e à apresentação de uma enxurrada de projetos de lei - recolocou no centro da pauta cultural e política a pergunta essencial: quando foi que naturalizamos a antecipação de papéis adultos para crianças e adolescentes?
Por “adultização” entende-se a exposição precoce de crianças e adolescentes a códigos, linguagens, responsabilidades e erotizações que pertencem ao mundo adulto. A Constituição de 1988 já advertia que é dever da família, da sociedade e do Estado colocá-los a salvo de “toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão”
Os indicadores sociais ajudam a dimensionar o problema. Em 2023, 1,607 milhão de crianças e adolescentes (5 a 17 anos) estavam em situação de trabalho infantil - o menor nível da série, mas ainda expressivo. Entre adolescentes de 16 a 17 anos, a incidência era de 14,6%. Esses números revelam que a adultização por meio do trabalho persiste sobretudo entre os mais velhos, afetando escolarização e desenvolvimento

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