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sexta-feira, 10 de julho de 2026
Já virei piada! Meus filhos começam a dizer “... o voo é às 17:00, então com as duas horas de antecedência mais as X horas de traslado da casa até o aeroporto, mais... então precisamos sair de casa às 5:00!”. Confesso que muitas vezes tomamos um chá de espera no salão de embarque, mas prefiro este ao estresse de imaginar que algo pode dar errado ou o pior pode acontecer, que é perder o voo e precisar remarcá-lo
Certa vez, ainda quando morava no Rio de Janeiro, uma amiga me convidou para a sua festa de aniversário, informando que começaria às 20:00. Com muito esforço para não chegar dez ou quinze minutos antes do horário combinado (meu padrão), cheguei pontualmente às 20:00
A pontualidade no Brasil não é uma virtude muito bem-quista. Se antecipar à pontualidade, muito pior, praticamente um desaforo, uma quebra do acordo cultural implícito sobre o atraso, um crime!
No mundo prévio a pandemia do COVID-19, quando as reuniões se davam exclusivamente de forma presencial, a principal desculpa do atraso era o trânsito. Agora que boa parte das reuniões se dão de forma remota, através de alguma plataforma on line, a desculpa é que o dia está full de reuniões e então elas passam a se encavalar
Ela me olhou e disse enfadada “Heider, não precisa acreditar e seguir à risca o horário informado por alguém para o início de uma festa. Pode acrescentar, no mínimo, entre uma e duas horas. Nem terminei de organizar as coisas da festa e ainda nem me arrumei!”

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