Meer
sábado, 10 de janeiro de 2026
Os canais de notícias estariam divididos entre teorias de conspiração, acusações mútuas e debates entre especialistas em ovnilogia. O Twitter (perdão, X) explodiria com hashtags como #AliensWelcome e #FakeInvasion. Alguns diriam que foi Trump ou Putin. Outros culpariam os chineses
Mas admito: há uma centelha de esperança nessa distopia. A possibilidade de um choque cósmico que nos obrigasse, finalmente, a olhar para o planeta como um lar comum
Passamos séculos a desenhar fronteiras com régua e sangue, a erguer muros físicos e simbólicos entre “nós” e “eles”, e, ainda assim, bastaria um disco voador pairar sobre a Torre Eiffel ou a Estátua da Liberdade para, de repente, os “outros” na Terra se tornarem “nossos”. Já estou a imaginar: Putin a apertar a mão de Zelensky, Netanyahu a partilhar abrigos com líderes palestinianos, ativistas climáticos e negacionistas de mãos dadas num bunker. Tudo porque, vindo do céu, nos chega um inimigo tão absolutamente “outro” que relativiza, por momentos, as nossas divisões mais antigas
Mas mesmo perante a aniquilação iminente, é de duvidar que abandonássemos os nossos ismos nefastos. O racismo não desaparece porque alguém tem tentáculos; o machismo não se dissolve só porque um ET é hermafrodita. O classismo, o capacitismo, o fundamentalismo ou o egoísmo não se evaporam com um ataque vindo do céu
Talvez precisemos mesmo de um susto à escala galáctica para deixar de fingir que as nossas guerras são nobres e os nossos muros, necessários. Seria trágico que a última hipótese de paz entre humanos passasse pela chegada de um extermínio interplanetário

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