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sábado, 27 de dezembro de 2025
A tecnologia, em sua melhor versão, sempre foi aliada desse processo. O lápis, o papel, a calculadora, o computador, todos ampliaram nossas capacidades. Mas agora estamos diante de algo diferente. A IA não apenas amplia: ela antecipa, substitui, responde antes que a pergunta amadureça
A IA pode sim nos oferecer atalhos incríveis, mas se não passamos pelo processo de elaboração, se não organizamos nossas ideias, se não sentimos o desconforto de pensar por conta própria, ficamos com o enunciado, mas não com o aprendizado
Nos encantamos com a inteligência artificial porque, de fato, ela é fascinante. A promessa de respostas imediatas, textos prontos, decisões otimizadas e caminhos encurtados seduz até os mais críticos. Afinal, quem nunca desejou apertar um botão e ver a mágica acontecer? Mas talvez a pergunta mais urgente não seja o que a IA pode fazer por nós, e sim: o que estamos deixando de fazer quando delegamos tudo a ela?
Imagine uma criança aprendendo a amarrar os cadarços. O processo é lento, cheio de tentativas frustradas. Um adulto poderia facilmente fazer por ela e, muitas vezes, faz, em nome da praticidade. Mas o que essa criança perde quando alguém resolve por ela algo que seu cérebro estava prestes a descobrir?
E aí está o ponto delicado: quando uma ferramenta pensa por nós, o que acontece com nossa capacidade de pensar? Eu gosto de imaginar a mente como um músculo. Se você parar de usar o braço direito, com o tempo ele atrofia. Simples assim. Com a cognição é igual: se não usamos, atrofiamos
Há um paradoxo interessante aqui: quanto mais sofisticada a inteligência artificial se torna, mais urgente se torna o fortalecimento da nossa inteligência humana. A IA pode gerar conhecimento, mas não pode viver por nós o processo de transformação que esse conhecimento exige

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