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quarta-feira, 17 de junho de 2026
Inspirados pelas contribuições de Florestan Fernandes e dialogando com a crítica de autoras como Sueli Carneiro, pesquisadores têm demonstrado o caráter persistente das desigualdades raciais e a reprodução de práticas discriminatórias nas instituições estatais
A história social do Tempo Presente brasileiro também é marcada pela incorporação da crítica feminista e dos estudos de gênero. Joana Maria Pedro observa que a entrada dos feminismos na historiografia brasileira permitiu “um deslocamento das narrativas tradicionais, devolvendo complexidade às experiências femininas e aos padrões de normatividade”
O trabalho do historiador do Tempo Presente se caracteriza, como afirma Henry Rousso, pelo “peso das memórias concorrentes” e pela “proximidade da experiência histórica em relação ao olhar do pesquisador”. No Brasil, esse desafio se intensificou com a abertura política dos anos 1980 e o subsequente acesso a novas fontes, como acervos de órgãos repressivos e documentos institucionais recentemente desclassificados. A redemocratização permitiu que a historiografia se debruçasse sobre sua própria temporalidade, examinando criticamente a ditadura civil-militar (1964–1985), os movimentos de resistência e os impactos de longa duração dessas estruturas num país marcado pela persistência das desigualdades
As análises de Lilia Schwarcz destacam como a lógica da racialização brasileira se atualiza continuamente, operando “como gramática social da desigualdade”. Além disso, Adriana Vianna e Juliana Farias têm produzido investigações que articulam violência policial, controle social e construção de categorias de suspeição, revelando como o Estado administra vidas e mortes de mulheres, jovens negros e moradores de periferias
Historiadoras como Margareth Rago enfatizam a pluralidade das experiências das mulheres e a constituição de subjetividades femininas em contextos urbanos, políticos e culturais diversos

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