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terça-feira, 19 de maio de 2026
Essa contradição aparece de forma sutil no início. A pessoa quer, se interessa, se envolve, mas não sustenta. Há uma expectativa grande sobre o que o outro deve representar, mas pouca tolerância ao que ele de fato é. E, nesse desencontro entre expectativa e realidade, muitos vínculos se perdem antes mesmo de ganhar consistência
Relacionamentos não se sustentam apenas por afinidade ou intensidade inicial. Eles exigem tempo, disponibilidade, presença e, principalmente, a capacidade de atravessar momentos desconfortáveis sem romper imediatamente
Às vezes, não é nem um rompimento claro. É um afastamento progressivo. A conversa diminui, o interesse se dispersa, as respostas demoram mais. O que antes parecia promissor vai perdendo força, sem que haja um motivo explícito. E isso gera um tipo de frustração silenciosa, difícil de elaborar. É nesse momento que surgem as falas de que o mundo está caótico, que as pessoas não desejam mais ter profundidade nos relacionamentos e a sensação de que a possibilidade de encontrar a outra metade é praticamente impossível
Na clínica, isso aparece de forma muito concreta. Relações que começam intensas, rápidas, cheias de expectativa, mas que se desgastam em pouco tempo. Pequenas frustrações ganham proporções maiores do que poderiam. Diferenças que fazem parte de qualquer convivência passam a ser interpretadas como sinais de incompatibilidade. E, antes que o vínculo amadureça, ele já se rompeu
Isso implica suportar dúvidas, sustentar conversas difíceis, lidar com silêncios, reconhecer limites, próprios e do outro. Implica, também, abrir mão da ideia de controle absoluto sobre a relação

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