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sexta-feira, 10 de abril de 2026
A trama, assinada por Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères, tornou-se referência quando colocou em choque duas imagens morais: a honestidade sofrida de Raquel e a ambição sem escrúpulos de outros personagens, e ainda plantou o maior mistério da teledramaturgia brasileira: “Quem matou Odete Roitman?”. A amplitude do debate ético que a novela provocou fez com que personagens fossem lidos como símbolos do Brasil da época
Mas vamos a introdução da personagem, Maria de Fátima Acioly, interpretada por Glória Pires em 1988, nasce na periferia do sucesso alheio: filha de Raquel, criada com o avô Salvador em Foz do Iguaçu, nutre horror à pobreza e ambiciona ascensão social a qualquer custo
Maria de Fátima, a personagem que ficou imortalizada por Glória Pires, tornou-se sinônimo de “filha ingrata” e “vilã” na memória popular. Esse rótulo é parcialmente justificado pelas ações contundentes da personagem, mas empobrece a compreensão dramatúrgica e social que a novela propõe. Longe de ser uma “vilã”, Maria de Fátima acaba por ser uma das personagens mais complexas da novela
É importante ter isso em mente: Vale Tudo não é um melodrama isolado, mas um texto que se constrói como metáfora sociopolítica. Sendo assim, todos os arcos dramáticos,  inclusive o de Maria de Fátima, participam de uma mise en scène maior sobre valores e impunidade. Essa dimensão metatextual é fundamental para quem quer avaliar se Fátima é “vilã” no sentido moral absoluto ou figura programaticamente construída para apontar contradições
Ainda jovem, vende a casa que pertencia à família (ato que define sua traição material à mãe) e parte para o Rio em busca de luxo e prestígio. Ao longo da trama, envolve-se com personagens como César (bon vivant/ex-modelo), Afonso e Marco Aurélio e, com exceção de Afonso, articula golpes, traições e manipulações

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