Meer
sábado, 20 de junho de 2026
Uma das primeiras perguntas que precisamos fazer é: o que aparece quando o som desaparece? Quando não há conversa, nem vídeo, nem música, sobra espaço para pensamentos, lembranças, preocupações e sentimentos que normalmente conseguimos abafar com distrações. O silêncio funciona como um espelho interno. E nem sempre gostamos do que vemos refletido ali
Do ponto de vista fisiológico, momentos de silêncio ajudam o sistema nervoso a sair do estado de alerta constante. Reduzem a sobrecarga sensorial, diminuem o estresse e permitem que o cérebro entre em modos de funcionamento ligados à consolidação de memórias e autorregulação emocional. O problema é que, no início, essa desaceleração pode ser sentida como estranha ou até angustiante
Por que o silêncio é visto como inimigo? Por que perdemos o autocontrole com a comida? O que está por trás deste comportamento que parece distração mas revela algo mais profundo em relação às pessoas
Muitas pessoas usam o barulho como uma forma de evitar o contato consigo mesmas. Enquanto há som, a atenção fica voltada para fora. A mente se ocupa com a letra da música, com a história da série, com a fala do podcast. Mas, quando tudo silencia, a mente volta-se para dentro. Questões não resolvidas, ansiedades sobre o futuro, frustrações, solidão — tudo isso pode emergir
Mas isso nos leva a uma última questão: o que estamos tentando não ouvir? Talvez o desconforto com o silêncio seja um convite. Um convite a olhar para emoções evitadas, para cansaços ignorados, para necessidades que não cabem na rotina acelerada. O barulho constante pode estar encobrindo sinais importantes da nossa própria vida

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