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segunda-feira, 16 de março de 2026
Mesmo com medo de ter certeza — ela senta-se à mesa, observa o marido e, com voz firme, porém vulnerável, diz que a colega do trabalho dele tem se insinuado. Não acusa, não esperneia, não dramatiza. Ela apenas tenta conversar. É o pedido de transparência que nasce do amor, não da posse
Desde tempos imemoriais, irritar o outro e perder a razão fazem parte da coreografia das relações humanas. Quantas vezes já lhe cutucaram, provocaram ou ironizaram com uma “brincadeira” que de inocente nada tinha, até que você perdesse a chamada “razão”? E, com a mesma honestidade, quantas vezes você empurrou alguém nesse abismo emocional, consciente ou inconscientemente, apenas para observar o momento em que o outro se desestabilizaria?
O amadurecimento — esse processo que não tem diploma, mas ensina mais do que qualquer faculdade — nos obriga a abandonar a crença romântica de que “tudo vai dar certo”. A certeza incerta desaba, e no lugar dela nasce um olhar mais sóbrio, quase impiedoso, que já não se impressiona com quem fica, com quem vai ou com quem trai. E, quando questionado, esse olhar treinado percebe a fragilidade de quem responde atacando, virando o espelho ao acusador como estratégia desesperada para não enfrentar a própria sombra
E qual é a resposta dele? A mesma que tantas mulheres ouvem: acusação invertida. Ele diz que isso é paranoia dela, que ela inventou tudo, ou pior — que ela só perguntou porque é ela quem trai
O sábio, como dizia Dostoiévski, é aquele que percebe “o ridículo de nossa própria vaidade” e, justamente por perceber, não se envolve em discussões vis e infantilizadas. Ele sabe que a fúria nada constrói e que a verdade raramente nasce das gargantas exaltadas

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