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terça-feira, 14 de julho de 2026
Todos erraram. Mas quem paga é o adolescente. Ele é punido porque a mãe errou. Ele é punido porque o pai errou. Ele é punido porque a escola errou. Ele é punido porque o Estado errou. E no fim, o que recebe em troca? Punição. Não acolhimento. Não reparação. Não cuidado
O Estatuto da Criança e do Adolescente afirma que nenhuma criança ou adolescente será objeto de negligência, violência ou exploração
Crianças durante o velório e enterro de seu amigo, Thiago Menezes Flausino, de 13 anos, morto pela polícia. O registro foi feito pela fotógrafa Selma Souza em 2023, no Rio de Janeiro, Brasil. A pessoa deixa de ser João, Mariah, Benhur e passa a ser o maconheiro, o ladrão. Esse caso escancara a aceitação da violência policial contra adolescentes pobres e a necropolítica que decide que a vida de Benhur não importa
O que mais me revolta é perceber que a sociedade parece ter perdido a alma. Uma criança em situação de rua deveria nos indignar, deveria nos revoltar, deveria nos arrancar o sono. Mas não. Passamos por elas como se fossem invisíveis. Naturalizamos a barbárie. Aceitamos a morte como rotina. E, no fim, morremos na contramão, atrapalhando o tráfego
O Código Penal prevê punição para quem abusa, para quem explora, para quem viola. Os Direitos Humanos proclamam a dignidade como valor universal. Mas na prática, esses instrumentos jurídicos são invisibilizados pela normose

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