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quinta-feira, 18 de junho de 2026
Dessa falência do diálogo emerge o crescimento da agressividade. Incapazes de sustentar uma divergência de ideias, muitos optam pela rota mais curta e destrutiva: a agressão
Se os gregos viam no diálogo o berço da democracia, nossa época o abandona como se fosse um peso inútil. Essa perda não é neutra: uma sociedade que não dialoga perde sua capacidade de compreender a si mesma.
E nas últimas décadas parecem ter nos lançado em uma curva descendente da história humana, não em termos de tecnologia ou ciência, mas no campo mais essencial de todos: o da convivência ética e dos valores que sustentam a vida em sociedade
Desde Sócrates, o diálogo foi visto como caminho para a verdade. Sócrates não impunha conclusões: perguntava, escutava, conduzia seus interlocutores ao exercício do pensamento. O diálogo era, para ele, o espaço onde a humanidade podia florescer. Hoje, no entanto, vivemos o que poderíamos chamar de uma “anti-socrática” realidade: o questionamento não abre caminhos, mas ergue muros. Perguntar é visto como afronta; discordar, como ofensa. O que deveria ser uma busca comum pela verdade tornou-se um campo de batalha pelo poder da palavra
Primeiro, a verbal, carregada de insultos e humilhações; depois, quando esta já não satisfaz, a violência física, que atinge não apenas corpos, mas a própria dignidade do ser humano. Nos extremos desse processo, a simples diferença de opinião é elevada à condição de ameaça existencial, e o outro, em vez de ser reconhecido como parte do mesmo tecido social, passa a ser tratado como inimigo a ser eliminado
A ideia de diálogo, fundamento da democracia, da educação e da vida comunitária, foi reduzida a uma prática quase obsoleta. Conversar, ouvir, ponderar e argumentar – habilidades que moldaram sociedades ao longo dos séculos – passaram a ser vistas como inúteis ou frágeis diante da lógica da imposição

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