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domingo, 10 de maio de 2026
Na verdade, o que existiu foi um percurso feito de camadas: a artista que continuou a lançar singles; a mulher que estudou, trabalhou, viajou, colaborou com outros músicos; a advogada que enfrentou casos reais de violência e injustiça; a docente que ensinou e pesquisou; a mãe, a esposa, a cidadã atenta. Um corpo em movimento constante. “O intervalo de 16 anos não foi propositado. Foi um período em que aconteceu. Deveria lançar outro álbum, entretanto, aparece o entretanto”, confessa
O título do álbum, “Entre(Tanto)”, sugere interstícios, passagens, zonas de transformação. E é precisamente nesse espaço que Iveth se instala enquanto narradora do seu tempo. A jovem rapper de “4 Estações” dá lugar a uma mulher que escreve a partir da experiência vivida, não da observação distante. “Hoje falo com propriedade”, afirma. “Não de alguém que está do outro lado e é observadora, mas de alguém que viveu, passou, percebeu estas questões todas”
O intervalo entre um álbum e outro poderia ser lido como ausência, mas a própria artista recusa essa narrativa. “Estes 16 anos não foram de silêncio, mas sim de lapidação”, diz, desmontando a ideia de hiato com a precisão de quem viveu cada etapa como construção. A palavra não é escolhida ao acaso. Lapidar implica tempo, fricção, paciência e intenção. Implica retirar excessos, aceitar imperfeições, ganhar forma. O álbum “Entre(Tanto)” nasce precisamente desse processo contínuo de polimento humano e artístico
Esse “entretanto” – palavra que carrega contingência, desvio e amadurecimento – é a chave conceptual de “Entre(Tanto)”. “Foi um período de vários entretantos transformadores. Continuei a fazer música. Fui lançando alguns singles em 2014, em 2016, em 2019, em 2023. Fui vivendo muita coisa. Continuei a estudar, continuei a trabalhar. Tive várias experiências a nível jurídico. Colaborei com vários artistas a nível da música. Viajei e também dei vários passos pessoais, desde casar, ser mãe, construir. Tornei-me advogada, criei empresa”, conta
A maturidade anunciada não se esgota no discurso. Ela manifesta-se na densidade lírica, no rigor temático, na escolha das palavras e na forma como a artista se posiciona enquanto mensageira social. “Para além de cantar e interpretar, eu escrevo, eu componho. E as ideias para estas composições vêm destas minhas longas vivências”, explica

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