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quarta-feira, 8 de abril de 2026
Depois do Natal, se não tinha carona dos tios, partia-se da rodoviária para se chegar a Itaguara, e ancorar — de acordo com uma das versões para o nome da cidade, da variação ancestral tupi-guarani ita-yguara — como uma habitante da pedra
Os olhos de criança via tudo com curiosidade e admiração; as danças, os chapéus enfeitados, as roupas coloridas, muitas fitas e os acessórios teatrais representando os três Reis Magos e os personagens foliões
Em janeiro, a avó precisava da ajuda de muitas mãos para preparar uma merenda caprichada. A casa recebia os foliões de reis. Era um grupo da Fraternidade de São Benedito, muita gente para celebrar os Reis Magos que seguiram a estrela e foram presentear o menino Jesus. Uma dupla reverência, aos Reis do Oriente e ao nascimento do filho de Deus. A cantoria reiseira ouvia-se de longe. Os meninos, rapazes e homens faziam um cortejo pelas ruas de terra com as indumentárias próprias, seus ritos e instrumentos. Já sabiam o trajeto e quais casas seriam visitadas. O mestre levava uma bandeira e organizava a comitiva; os cantos, o coro, as brincadeiras e danças eram todas orquestradas de acordo com a tradição
 Para uma criança que passava as férias na casa dos avós, proximidades e afastamentos entre perto e longe dançavam pelo caminho que ligava as duas cidades
Os músicos acompanhados de pandeiro, viola, reco-reco, sanfona e caixa faziam pulsar o ritmo daquela cena que misturava céu e terra na mesma festa. Havia pouca compreensão do que significava aquilo tudo, mas a alegria no meio da humildade encantava a estranheza da menina que não vivenciava o 6 de janeiro na capital

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