Meer
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026
Outro problema é a cooptação mercadológica. A Sony relançando o PlayStation Classic ou a Nintendo reciclando seus consoles antigos transformam a nostalgia crítica em mercadoria. "A nostalgia virou indústria", alerta Simon Reynolds (2011, p. 188). O capitalismo demonstra notável habilidade em absorver até mesmo as críticas direcionadas a ele
No entanto, mesmo a poética retrô não está isenta de contradições. A primeira delas é a fetichização problemática de épocas marcadas por opressões sistemicas. Os anos 1950, tão celebrados pelo retro-futurismo americano, foram também o auge da segregação racial e da repressão sexual. Como observa Bell Hooks, "a nostalgia raramente beneficia quem foi marginalizado nas épocas romantizadas"
A história do retro-futurismo começa com um sonho. No pós-guerra dos anos 1950-60, o mundo ocidental vivia uma euforia tecnológica sem precedentes. As feiras mundiais exibiam cidades do futuro com automação total, a corrida espacial prometia colonizar outros planetas, e séries como *Os Jetsons* (1962) imaginavam um 2062 repleto de robôs domésticos e carros voadores – ignorando por completo questões como desigualdade e colapso ambiental
Também a arquitetura retro-futurista expressa esta crítica. Os pavilhões abandonados de feiras mundiais, como a Expo 58 em Bruxelas, tornaram-se "ruínas da modernidade" – monumentos a promessas não cumpridas. Como observa Fredric Jameson, "as ruínas do futuro evocam um modo específico de nostalgia: o desejo não pelo passado em si, mas pelo desejo que uma geração anterior tinha pelo futuro"
Exemplos desta distinção aparecem na cultura pop. Stranger Things glorifica os anos 1980 sem questioná-los, enquanto o universo de Fallout usa a estética retro-futurista dos anos 1950 para criticar o otimismo atômico e o militarismo daquela era. Um celebra o passado; o outro o utiliza como alerta

Na Rua

Pesquisar no Calendário

Subscribe
Get updates on the Meer