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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026
Até então, só conhecia o Edmundo da Lata. Um pedinte da minha rua, com ar de que não tomava banho há dias, que, com sua lata de embalagem de leite em pó, pedia seu jantar à minha mãe. Nota-se que as embalagens dos produtos industrializados ditavam a década da industrialização
Então, fui picada pelo sentimento da área de humanas. É cabível de registro pensar,  que o sociólogo Gilberto Freyre diz que temos que conhecer o Brasil da casa grande e da senzala, e que o antropólogo Darcy Ribeiro que para conhecer o Brasil devemos conhecer o povo brasileiro e o processo civilizatório, o escritor Euclides da Cunha diz que para conhecer o Brasil é preciso conhecer o chão, a poeira da terra, os Sertões, ambos retratam as relações de poder existentes no Brasil
Quando avistei um homem encostado no muro, com chapéu de palha para se proteger do sol, usava uma calça marrom arregaçada até ao joelho, possuía uma atadura nos pés, e uma muleta encostada ao muro. Ele estava com a camisa azul semiaberta, segurando uma cuia de embalagem de queijo do reino, onde balançava com algumas moedas pedindo dinheiro de maneira enfática. Na sua boca faltavam dentes e no seu olhar havia sede de cura. Fiquei chocada! Descobri um mundo da falta!
Cabe ressaltar que o Morro da Conceição trouxe em mim uma nova consciência entre a natureza humana e a natureza divina. Nesse mesmo dia, conheci a história de uma mulher que estava chorando muito no Morro e passou um homem de carro e perguntou à mulher o que tinha acontecido, e os dois se conheceram e depois casaram. São as chamadas histórias milagrosas!
Mas, é nos lugares sagrados, nas hierópolis que o Brasil se manifesta entre os tempos e os desejos. Onde o sagrado e o profano se materializam em busca de respostas para tempos de incertezas. Hierópolis são lugares de hierofania, onde a manifestação do divino se sacraliza sem fronteiras com o profano

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