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sábado, 28 de fevereiro de 2026
Governos reagiram, processaram responsáveis, criaram campanhas de conscientização. E, ainda assim, milhares de pessoas se guiaram pela mentira. O direito foi importante, mas insuficiente
O direito tenta reagir, mas, como sempre, chega atrasado. O direito é como aquela amiga que aparece depois da festa para ajudar a limpar a bagunça, mas nunca esteve lá para evitar que o vaso quebrasse. Foi assim com a Revolução Industrial, quando crianças já trabalhavam em fábricas antes que surgissem leis de proteção. Foi assim com a internet, quando reputações já eram destruídas antes do Marco Civil ser aprovado. Agora, vemos o mesmo acontecer com as fake news
O tema da mentira, ou melhor, da desinformação, é urgente. Já não se trata de boato inocente de esquina, mas de uma máquina capaz de manipular eleições, colocar em risco a saúde pública, alimentar ódio e dividir famílias. Estamos vivendo o tempo em que a mentira ganhou estrutura, financiamento, tecnologia e até mesmo uma espécie de glamour. Não é mais um cochicho, mas uma avalanche que se espalha em segundos
Nas eleições, vimos o TSE atuar de forma inédita, firmando parcerias com plataformas digitais e monitorando conteúdos em tempo real. Houve avanços, sim. Mas a mentira é como capim: você corta de um lado, ela nasce do outro
E surge o dilema: até que ponto punir resolve? Se alguém compartilha, sem intenção de prejudicar, uma informação errada sobre saúde, merece cadeia? Multa? Banimento das redes? O direito precisa equilibrar duas forças gigantescas: a liberdade de expressão e a proteção da verdade

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