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terça-feira, 23 de junho de 2026
Meu sobrinho* Artur, de 6 anos, diagnosticado com autismo de nível 1 (caracterizado por dificuldades na interação social e na comunicação), apresenta uma resposta emocional intensa à rejeição, seja quando algum coleguinha não o observa, seja quando não empresta algum brinquedo para ele
Na DSR, a pessoa apresenta emoções desproporcionais à situação vivenciada, como interpretar uma resposta lenta no WhatsApp como desprezo, uma ausência de cumprimento em ambientes sociais como desafeto, um feedback de um chefe como algo pessoal, acreditar que as pessoas o odeiem por não ser convidado para uma festa ou evento, sentir-se obcecado por amigos ou parceiros que o abandonaram, apresentar dor física ao se sentir rejeitado ou precisar de garantias de amigos, familiares ou parceiros de que estes não irão abandoná-lo
Indivíduos com DSR costumam apresentar uma rigidez cognitiva que os impede de explorar outras interpretações possíveis para o comportamento das pessoas ao seu redor. Assim, qualquer atitude é rapidamente filtrada pela lente da rejeição, levando-os a concluir, quase de forma automática, que a intenção por trás da ação confirma aquilo que já temem ou acreditam. O medo de rejeição ou crítica, em pessoas com DSR, pode ser tão intenso que ativa respostas emocionais e comportamentais defensivas. Para se proteger de uma possível dor, elas evitam ou sabotam, ainda que de forma inconsciente, relacionamentos românticos, novos projetos de trabalho e até mesmo vínculos de amizade — afastando exatamente aquilo que desejam preservar
Segundo o próprio Artur, o amiguinho "não gosta dele". Isso ocorre porque, no Transtorno do Espectro Autista (TEA), há muita dificuldade em lidar com a frustração e com os próprios sentimentos, devido à rigidez cognitiva, que pode dificultar a compreensão de diferentes pontos de vista
É como se a disforia sensível à rejeição levasse o indivíduo a desenvolver um verdadeiro “apego à rejeição”, impulsionado pelo medo intenso de não ser amado ou aceito. A pessoa acaba presa em um ciclo viciante de recompensa intermitente — sempre à espera de que o outro corresponda ou supere suas expectativas

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