Surpresa e acolhimento foi o que encontrei no País de Gales, um lugar do qual eu não tinha grandes expectativas, mas onde me deparei com um ritmo de vida mais tranquilo (na contramão do seu vizinho mais nobre), pessoas simpáticas, lindas paisagens, castelos e muita história. Cardiff, sua capital e cidade mais importante, abriga castelos centenários, vida urbana, orla marítima e muitos parques e jardins. A capital mais nova da Europa é também uma das mais verdes do Reino Unido.
Lá, o esporte é levado à sério, o futebol (para nós uma mistura de rugby com futebol) atrai milhares de pessoas todos os anos para Cardiff, para assistirem o torneio internacional das Seis Nações. O enorme estádio lá presente é facilmente avistado pelos passantes em visita à cidade.
Outro local que não passa despercebido, localizado num ponto extremamente central é o Castelo de Cardiff, um castelo medieval e palácio neogótico. Antigamente uma única torre normanda feita em madeira e construída por volta do ano 1091 existia no local, mais de 1 século depois foi substituída por uma torre de pedra, que existe até hoje. Durante a idade média passou por enorme ampliação e foi passando de gerações. Mas foi a partir de 1766 sob o comando da família Bute que a antiga fortaleza medieval passou a ser considerada uma obra-prima do gótico vitoriano. Durante os terríveis anos da Segunda Guerra Mundial, sua função de fortaleza voltou a ser necessária quando serviu de abrigo antibombas para mais de 1.800 pessoas que lá se abrigaram durante os ataques aéreos.
Para os amantes de castelos, Gales ou Wales (como é nomeado em inglês) é um prato cheio. São mais de 640 espalhados por uma área de pouco mais de 20 mil km2. Ou seja, história é algo efervescente no país. O idioma é outro ponto interessante, o inglês é a língua principal, mas o galês, o segundo idioma oficial, mantem grande importância, falado pela maioria da população das regiões norte e nordeste, e 25% da população total, está presente na vida cotidiana e cultural de todos. Com muitas apresentações teatrais, óperas e outras atrações no idioma local. Ensinado também em boa parte das escolas, como forma de preservar a rica cultura local e extremamente celebrado em festivais.
Terra dos famosos e queridos Anthony Hopkins, Roald Dahl, Ken Follet, Dylan Thomas, Catherine Zeta-Jones e Charlotte Church. É também um local de tradição secular no folclore, música, poesia e intelectualismo. Possuindo uma cultura bastante distinta em relação às outras partes da Grã-Bretanha. Um país realmente único e com muito a oferecer.
Sabe aquele tipo de lugar onde você se sente em paz? Pois é... Este é o País de Gales. À poucos kms do centro você adentra em áreas extremamente rurais, onde o verde se apresenta de forma surpreendente, animais pastam num ritmo lento e casas típicas e encantadoras se descortinam. Pequenos cafés e restaurantes que te fazem imaginar o cheiro da comida, as rodas de amigos e as cervejas nas mesas. Algo tão tradicional em todo Reino Unido. Mas, lá, em Gales, num tom muito mais bucólico e encantador. E assim, a vontade de se estender por aqueles caminhos e lugares vai crescendo.
O estilo de vida mais descontraído e mais acolhedor se faz presente nos estabelecimentos locais, onde você é super bem recepcionado, o que torna a experiência no país realmente muito agradável.
Contudo, é preciso dizer, esta descontração está presente também, a olhos vistos, nas ruas da cidade. Existe uma certa desorganização e bagunça local que parece ser algo bem natural por lá. Os ônibus que avistei não eram dos mais novos existentes, por assim dizer, a coleta de lixo também não era a mais vistosa e era comum ouvir as pessoas falando um pouco mais alto vez ou outra. Ser mais expansivo, mesmo em locais públicos, não é algo mal visto ou considerado rude. Algo bem diferente do estilo londrino! Ou seja, nem só de organização e seriedade vive o Reino Unido.
Por se um país pequeno, acaba não sendo um destino tão procurado, ao menos não como destino principal. Mas, é extremamente válido tirar alguns dias para inseri-lo numa rota pela Grã-Bretanha ou por outras partes da Europa.
Banhado pelo oceano Atlântico, faz fronteira terrestre apenas com a Inglaterra, o suficiente para permitir que você se aventure pelas estradas. Uma viagem agradável e bastante interessante, desde que dirigir na mão inglesa não seja um problema para você.
Ao chegar você não terá dúvidas de que está no local certo, ao se deparar com placas no idioma galês com suas inúmeras letras e consoantes, todas juntas. Um idioma indecifrável para grande maioria de nós. Além das bandeiras nacionais espalhadas por diversos cantos da cidade com seu charmoso Dragão Vermelho caminhando sobre um campo verdejante.















