Irlanda, em setembro (de 2022) ... decidimos, em casal, explorar a “Ilha Esmeralda”. Com uma tenda na mochila e vontade de aventura, alugámos um carro e partimos com a ideia de acampar por toda a ilha. O voo partiu do Porto (Portugal) rumo a Dublin, e a primeira noite foi passada num parque de campismo a cerca de 15 km do centro da capital irlandesa.
Dublin: O que visitar? A dúvida surgiu, claro. Decidimos começar pelo centro histórico. Visitámos o Trinity College e a sua impressionante biblioteca, a Christ Church Cathedral e o Dublin Castle. Não podia faltar a visita à famosa Fábrica da Guinness, onde a história da cerveja se mistura com a da própria cidade — aproveitando o rooftop para desfrutar da paisagem, acompanhados do néctar de cevada.
De Dublin seguimos para Mountshannon, uma vila tranquila fundada no século XVIII, à beira de Lough Derg — um dos maiores lagos da Irlanda. Um lugar sereno e perfeito para pernoitar, rodeado de natureza. No dia seguinte, rumámos às Falésias de Moher, na costa ocidental do país. Um dos pontos altos da viagem, literalmente. As falésias oferecem uma vista vertiginosa sobre o Atlântico e revelam camadas geológicas que contam milhões de anos de história. Pelo caminho, seguimos junto à costa, cruzando paisagens verdes salpicadas de vacas e ovelhas — o retrato clássico da Irlanda rural.
Chegámos a Galway, cidade vibrante e cheia de cultura, com ruas animadas por artistas de rua, pubs acolhedores e uma atmosfera jovem que nos surpreendeu muito positivamente.
No terceiro dia, seguimos viagem até ao condado de Donegal, no extremo norte da República da Irlanda, onde o ambiente se torna mais selvagem e as paisagens ainda mais dramáticas.
No dia seguinte, explorámos o Glenveagh National Park, o segundo maior parque natural do país. Estacionámos o carro e fizemos uma bela caminhada até ao castelo, sempre junto ao rio. Ao nosso redor, vales em “U”, moldados por antigos glaciares, criavam um cenário verdadeiramente impressionante.
No último dia cruzámos a fronteira com a Irlanda do Norte, mas antes com uma paragem em Letterkenny, onde comemos o famoso frango frito… aproveitámos para visitar um primo, que gentilmente fez de guia local e nos recebeu com um típico pequeno-almoço irlandês. Visitámos a famosa Calçada dos Gigantes, uma formação rochosa de origem vulcânica que parece saída de um conto de fadas. Apesar de a fábrica da Bushmills estar fechada nesse dia, a região continuou a impressionar.
Ainda houve tempo para conhecer Derry (ou Londonderry, nome oficialmente reconhecido, mas muitas vezes motivo de debate político-cultural entre as comunidades locais). É uma das cidades mais antigas da Irlanda e a única da ilha que ainda mantém as suas muralhas completamente intactas, construídas no século XVII. Caminhar sobre estas muralhas oferece uma vista privilegiada da cidade e uma viagem pela sua história conturbada.
Durante a nossa visita, explorámos o Museu da Torre (Tower Museum), que conta a história da cidade desde os tempos medievais até ao conflito recente conhecido como The Troubles. Também passámos pelo Bogside, um bairro emblemático onde os murais políticos contam a história da luta dos direitos civis da comunidade católica nos anos 1960 e 1970. O mais impactante é o mural do "Bloody Sunday", memória viva de um dos momentos mais trágicos da história recente da Irlanda do Norte. Derry surpreendeu-nos com a sua mistura entre peso histórico e uma vibração jovem e cultural.
De Derry seguimos viagem para Belfast, capital da Irlanda do Norte. Cidade de contrastes, é conhecida por ter sido o local onde foi construído o famoso RMS Titanic, e ainda deu para passar de rompante na área industrial.
Caminhámos ainda pelo centro da cidade, onde edifícios vitorianos imponentes como a Belfast City Hall convivem com murais contemporâneos e mercados animados como o St. George's Market. Tivemos também a oportunidade de passar por bairros com forte identidade comunitária, como Falls Road e Shankill Road, onde os murais contam diferentes perspetivas do passado recente de conflito, mas também sinais de reconciliação e esperança.
Belfast é uma cidade que vive entre o passado e o futuro — marcada pela sua história, mas claramente a olhar em frente, cheia de vida, arte e vontade de renascer.
Ao final destes dias intensos e cheios de descoberta, regressámos com a sensação de ter conhecido uma Irlanda rica em contrastes — da tranquilidade de vilas junto a lagos às falésias imponentes, das paisagens verdes e rurais às cidades marcadas pela história e pela cultura, bem como pela presença ainda visível da divisão entre a Irlanda Católica e a Irlanda Protestante.
Foi uma viagem feita ao ritmo da estrada, da natureza, das conversas com os locais — e com cerveja, claro. A Irlanda é, sem dúvida, muito mais do que os seus postais: é feita de pequenas surpresas, de lugares onde o tempo parece abrandar, e de histórias que se escondem em cada ruína, castelo ou mural pintado numa parede.















