O homem é livre para fazer suas escolhas, mas é prisioneiro de suas consequências.
Esta é uma breve inspiração da frase escrita pelo diplomata e poeta chileno Pablo Neruda que difunde a ideia de que o ser humano tem livre-arbítrio para traçar o seu caminho, mas ao escolhê-lo, haverá sempre um resultado (positivo ou negativo) do qual ele se torna refém.
No mundo contemporâneo, repleto de possibilidades e acesso à informação, seria o homem realmente livre ou a liberdade também pode estar limitada?
Segundo o dicionário, existem pelo menos dez definições diferentes da palavra liberdade. Além disso, é preciso entender que esse conceito está muito atrelado as vivências de cada ser humano, sendo que o que é ser livre para uma pessoa pode não ser para outra. Logo, a liberdade pode ser:
“O estado ou a característica de quem é livre, ou seja, aquele ou aquela que não se submete.” Exemplo: Sou livre para escolher com quem vou me casar e não me submeto ao matrimônio com alguém ao qual não desejo.1
“Alternativa que uma pessoa possui para se expressar da maneira como bem entende, seguindo a sua consciência.” Exemplo: Sou livre para me vestir de acordo com meu estilo; posso usar saia longa, vestido ou calça jeans e camiseta.1
“Aptidão particular do indivíduo de escolher de modo completamente autônomo, expressando os distintos aspectos da sua essência ou natureza.” Exemplo: Escolhi cursar Arquitetura pois gosto de desenhar.1
Inicialmente, o que entendemos, é que somos de fato livres, pois temos o poder de decidir sobre nossas vidas. Porém, nem sempre temos o controle do que nossas escolhas refletem. Imagine um jogo de par ou ímpar. Você pode escolher entre as opções disponíveis, mas não controla o resultado da disputa.
A inteligência artificial, o avanço da ciência, da tecnologia, a influência da mídia, das músicas, da cultura e do conhecimento que adquirimos ao longo da vida são alguns dos fatores externos que podem contribuir sobre o nosso poder de decisão e nos dar uma falsa ideia de liberdade. Isso ocorre porque esses fatores são capazes de moldar um determinado comportamento com base em históricos de compras, tipo de conteúdo consumido, tendências, entre outros. Há um grande dilema entre escolhermos porque aquilo ressoa com o nosso espírito ou simplesmente porque somos bombardeados por milhares de anúncio de um produto que está hypado no TikTok.
A liberdade é, de certo modo, limitada quando há pouca ou nenhuma opção. Por exemplo, não escolhemos vir a esse mundo, tampouco em qual família nasceríamos, ou seja, não tivemos se quer opção.
A diferença entre o veneno e o remédio é a dose.
Com certeza é ótimo ter autonomia. Entretanto, é preciso dosar esse poder de seleção a fim de que ele não se torne uma anomalia.
Segundo o psiquiatra Dr. Ryan Wakim, o vício é
Um transtorno crônico ocasionado pela compulsão, apesar das consequências negativas advindas desse ato. Essa perturbação pode ser física, quando existe uma dependência a um tipo de substância como as drogas lícitas ou ilícitas (remédios para dor, corticoides, maconha, cocaína, opioides, heroína, cafeína), o álcool, a nicotina e determinados tipos de alimentos ou comportamental quando está relacionada a alguma prática como o excesso de atividade sexual, os jogos (sejam eles de azar ou digitais), as redes sociais, o vício em compras, entre outros.2
A linha entre o consumo e o vício é a perda do controle; uma pessoa pode ser considerada viciada quando ela não sabe a hora de parar. Alguns sintomas que evidenciam tal comportamento são a abstinência e o desejo incontrolável de consumir uma substância, um produto ou um conteúdo.
De acordo com a neurociência, o cérebro libera dopamina, um neurotransmissor que tem a função de regular o humor do corpo, em resposta a comportamentos que nos trazem recompensa momentânea e satisfação imediata. Por isso, a dopamina é conhecida como o “hormônio do prazer”. O problema é que, com o estímulo contínuo, o cérebro passa a depender de uma quantidade maior de dopamina para atingir o mesmo resultado, é o que os estudiosos chamam de Síndrome de Tolerância. Dessa forma, quando a quantidade de dopamina é reduzida, o cérebro entende que há uma falta e as consequências disso são a desregulação do humor, a apatia, a dificuldade de concentração, a depressão, entre outros sintomas ocasionados pela abstinência.3
Todavia, como podemos nos proteger do excesso de dopamina em plena era digital, em que somos constantemente impulsionados por estímulos de todos os tipos (consumo, fuga aos padrões éticos e morais, acesso fácil a qualquer conteúdo)?
Podem existir diversas formas de se resguardar desses sugadores, mas a principal decisão é escolher o que é certo (segundo os princípios morais e a ciência).
Na Bíblia, em Romanos 6:23, o apóstolo Paulo, autor desse livro diz que “o salário do pecado é a morte”. Nesse contexto, o autor faz referência a morte espiritual do indivíduo, ou seja, a separação do homem perante Cristo de modo que ele se desumanize, se torne um ser perverso, sem amor.
Do ponto de vista teológico, a melhor forma de não cometer pecado é alimentar a alma com as Escrituras Sagradas porque quanto mais buscamos o conhecimento sobre os textos bíblicos, mais conscientes somos de que a nossa natureza humana é pecaminosa e devemos lutar contra ela. Devemos nos arrepender de nossos atos, pedir perdão a quem ferimos ou perdoar quem nos feriu, mudar de comportamento, estar em comunhão na igreja e espalhar o Evangelho pelo mundo.
Do ponto de vista científico, devemos cuidar do templo do Espírito Santo (praticar exercícios físicos e alimentar-se de maneira saudável), meditar (orar, refletir sobre a vida, agradecer), buscar conhecimento, usar corretamente os recursos disponíveis como a internet e as redes sociais, dormir bem, evitar situações que possam ativar gatilhos, como comprar doces e outros alimentos para evitar que você fure a dieta, entre outros exemplos.
Escolha certo pois a sua liberdade pode te salvar ou te aprisionar, é você quem decide!
Referências
1 Significado de Liberdade.
2 20 Types of Addictions: Physical and Behavioral.
3 A anatomia dos vícios: por que eles surgem e como domá-los.















