Há muito tempo como pioneiro da comunicação tínhamos o rádio como nossa antena com o mundo.

Os programas jornalísticos, esportivos, telenovelas e música, eram distribuídos através dos canais de rádio. Isso era o que tínhamos contato com o mundo exterior. Com o passar dos anos muitas coisas, incluindo os meios de comunicação, passaram por novas roupagens, a tecnologia avançou e tudo mudou. Ultimamente me vi viciada em novos programas que pra mim muito se assemelham aos antigos (e ainda existentes) programas de rádios.

Podcasts. Programas variados que vão de pautas aleatórias a temas centrais; tem de música, investigação, fofoca, tarologia, notícias e terapias. Sim, e é por isso que inocentemente me tornei quem eu mais temia, a mulher que anda de roupa de academia o dia inteiro de um canto pra outro com um par de fones de ouvidos ouvindo podcasts. Comecei a ouvir uma querida falando sobre memórias de infância e fui adentrando nos mais diversos temas. Descobri então os psicanalistas da comunicação!

Diante dos vários temas e semelhanças óbvias com o meu próprio cotidiano me tornei uma grande e assídua ouvinte, até levei isso para a terapia, visto que as temáticas debatidas nos podcasts eram temas de assuntos corriqueiros da minha vida, incluindo alguns traumas que vivenciei. Segundo a minha psicóloga, isso se tornou uma terapia prolongada pra mim e pode ser visto, em muitos aspectos, como algo benéfico que pode ajudar a superar medos que muitas vezes não queremos encarar.

Cá estou eu, ouvindo mais um episódio do meu programa favorito enquanto tento colocar em palavras o prazer e ajuda que tem sido ter isso como minha válvula de escape, debater sobre coisas que ficam aqui perdidas nesse ciclo vicioso de pensamentos. Essas últimas semanas sinto que estou num pico absurdo de ansiedade, dificultando tudo a minha volta. A rotina parece pesada, o trabalho me massacra, treinar e não me reconhecer, amizades na geladeira, o romance esfriando e nem a terapia tem dado conta. O tema de hoje é saudade, e tenho de fato sentido saudades de mim mesma.

Liguei até para um dos meus melhores amigos hoje, para debatermos nossa ausência na vida um do outro e engolidos pela rotina. Falamos como estávamos, os medos e aquele vazio presente, comentamos sobre o tema saudade, e de fato o que mais sentíamos saudades mesmo morando longe da família, era de nós mesmos. Não há terapia, atividades extracurriculares, suporte emocional, que nos faça sentir completos. Cheguei à conclusão de que estamos todos num surto coletivo de medos e anseios jamais alcançados.

Numa luta frenética contra nosso próprio tempo biológico nos apercebemos imersos nessa sensação de insuficiência pessoal, profissional, emocional e tantas outras coisas. Esse ano, logo na primeira semana de janeiro me matriculei numa autoescola, confesso que cheguei ao limite do limite pra aceitar minha própria insignificância. Tenho perdido tempo, dinheiro e o pouco que me resta de saúde mental. Aqui estou, dando seguimento a um novo debate de podcast, um tanto perdida e na conclusão de que me sinto exausta de dar conta de tudo, sobrando muito pouco tempo, faltando dinheiro e sentindo falta de uma versão minha mais alegre, energética e sonhadora.

Terapia em minutos e Psicanálise de Boteco. Meus programas favoritos e como dito anteriormente entro em debates mentais juntamente com os debates trazidos em cada qual dos programas, que embora sejam similares, cada qual traz uma abordagem diferente e que vem a acrescentar nesse meu processo de amadurecimento. As vezes sinto que sou uma adolescente brincando de ser adulta.

Diante de tantos dilemas da vida moderna e o conciliar de tudo, o dar conta de tudo é um tanto sufocante. Por isso com a terapia 1 x por semana, os treinos na academia de 5 a 6 dias, consultas médicas para lidar com as emoções e não perder minhas relações familiares, de amizade e com o meu mais novo querido, tenho buscado alternativas adicionais para que não os adoeça junto comigo. Escrever sempre foi uma fuga de tudo, então agora com a música e meus programas que trazem debates reais e crus sobre as diferentes relações humanos, em diversos contextos, meios e os imprevistos do dia a dia, tenho tentado me manter na linha. Percebi que acresci muito mais armas ao meu arsenal para lidar e confrontar meus medos causados pela ansiedade generalizada /depressão conntra as quais luto há anos.

Por isso aqui está meu salve, salve a minha extensão de terapia.

Todos num surto coletivo de pressa, o hoje é agora para ontem.

Sente-se numa mesa e peça um café com um grupo de amigos e todos em algum momento vai te falar das aflições que diferem, mas são similares. Estamos todos consumidos por uma vontade de crescimento, cada qual com sua forma de lidar. Terapia, remédios, exercícios físicos, a descoberta de um hobby e como eu, aderindo à podcasts que me fazem encarar temas mais profundos sob uma outra ótica. Única conclusão é que estamos todos num barco, nos recusando a deixar afundar.

Romantize sim a sua vida, sua rotina, pois cada dia vivido é uma luta silenciosa. Por trás de cada cara fechada, fones nas alturas, tem alguém lutando uma batalha pessoal.

Eu tenho agradecido todos os dias por não ter surtado de uma vez. Mesmo que errando quase sempre, nada faço por mal. Tento dar o meu melhor para mim e para todos que me cercam. Peço já desculpas se fui um fardo. Como jornalista diplomada afirmo que os meios de comunicação, quando usados para o bem, são uma das maiores ferramentas de autoconhecimento, e para mim particularmente, têm sido minha própria extensão terapêutica. Ache seu nicho, seja o que for, e foque nisso.