Se você nasceu entre 1995 e 2000 assim como eu, você provavelmente cresceu escutando as músicas românticas da Taylor Swift, canções profundamente inspiradoras cujas letras falam, em sua grande maioria, de amor. A protagonista do “The Eras Tour” revela em suas músicas vários sentimentos que ela teve ao longo de sua vida amorosa e, mais ainda, de forma enigmática, ela demonstra alguns de seus desejos mais íntimos escondidos em melodias, códigos e palavras que seu fandom não deixou escapar durante toda a turnê da cantora pelos Estados Unidos.

Mesmo sendo rica, famosa e bem-sucedida, Taylor também foi enganada, iludida e muito magoada, assim como ela canta em suas musicalidades. O sonho de Taylor é o sonho de todas nós, gatas garotas, nascidas no final da década de 1990. Todas nós crescemos vendo filmes de colegial onde a protagonista se apaixona pelo capitão do time de futebol americano e juntos eles vivem um amor de verão. Nós sonhamos com o amor verdadeiro, com aquele estereótipo de homem modelo, romântico e, claro, com o atlético de um quarterback americano.

Nós crescemos e namoramos homens horríveis, recebemos o mínimo (ou às vezes nem isso) e deixamos de acreditar que realmente existiam homens bons na Terra. Deixamos de sonhar, desistimos do amor. Às vezes, desistimos não do que o amor significava, mas sim daquilo que os homens nos entregavam achando que era suficiente, mas uma hora, nossa ficha caiu, como a da Taylor, que após seis anos de namoro, optou por terminar o relacionamento a ter que se submeter a aceitar menos do que ela merecia. Nós também entendemos que algumas relações, por mais longas que sejam, uma hora deixam de existir, deixam de ter um significado de algo que represente de fato o amor que merecemos.

Em um de seus grandes sucessos do início da carreira, Love Story (História de Amor, em português), Taylor escreve:

I got tired of waiting, wondering if you were ever coming around. My faith in you was fading, when I met you on the outskirts of town. And I said: Romeo, save me, I've been feeling so alone, I keep waiting for you, but you never come. Is this in my head? I don't know what to think. He knelt to the ground and pulled out a ring and said: Marry me, Juliet, you'll never have to be alone. I love you and that's all I really know. I talked to your dad, go pick out a white dress. It's a love story, baby, just say yes.

Em português esse trecho pode ser traduzido como:

Eu cansei de esperar, me perguntando se você iria aparecer. Minha fé em você estava acabando, quando te encontrei na periferia da cidade e eu disse: Romeu, me salve, tenho me sentido tão sozinha; eu fico esperando por você, mas você nunca aparece. Será que isso é coisa da minha cabeça? Eu não sei o que pensar. Então, ele se ajoelhou, pegou um anel e disse: Case-se comigo, Julieta, você nunca terá que se sentir sozinha, eu te amo e é isso que importa. Conversei com seu pai, vá escolher um vestido branco; é uma história de amor, querida, apenas diga sim!

Nesse trecho da música, Taylor canta algo nós desejamos: uma história de amor. Numa das linhas, podemos ver, que, a garota da música já estava perdendo a esperança e passou a se questionar se o que ela desejava era realmente verdadeiro ou só uma mera ilusão da sua cabeça. Até que, inesperadamente, Romeu apareceu e a pediu em casamento. Mais ainda, disse que a amava e que aquilo era uma história de amor.

Taylor compôs essa música em 2008 e, quase 17 anos depois, ela anunciou em seu Instagram que está noiva do astro da NFL Travis Kelce. Aos 35 anos, e cercada por um cenário florido e profundamente romântico, a princesinha americana foi pedida em casamento por seu amado, que se ajoelhou e tirou um anel do bolso avaliado em cerca de 550 mil dólares que ele mesmo desenhou para fazer o pedido. Taylor encontrou o Romeu que ela escreveu em sua música quase duas décadas depois de ter manifestado por ele. Assim como nós, Taylor também estava com dúvidas se ele realmente existia e se iria procurá-la, mas, ele a encontrou, assim como o seu amor a encontrará.

Mais do que uma história de amor, compartilhar a vida com alguém é uma decisão. O amor é o que se constrói ao longo dos anos e da convivência juntos. Amar é muito bom, mas não é suficiente; é preciso construir o amor todos os dias, nas palavras, nas atitudes, nos elogios, nas renúncias e tantas outras coisas que são essenciais em um relacionamento.

Uma vez fiz um curso da igreja onde o professor mencionava brevemente sobre o casamento em termos bíblicos e, uma de suas frases ficou guardada comigo: - “Camilla, se você fosse comprar um apartamento, você perguntaria ao corretor se a base do prédio esta firme o suficiente para impedir que o edifício desabe?” E a minha resposta obviamente foi: “- Claro que não! Quem perguntaria isso?”, indaguei. E a contrarresposta veio: “Você não se preocuparia com a base do prédio porque se você tivesse alguma dúvida sobre ela, certamente, você nem iria comprar esse apartamento, correto? Agora eu te pergunto, se você não compraria um apartamento feito numa base instável, por que você deveria esperar construir uma vida e uma família com alguém que traz insegurança com relação ao futuro? Respondeu o Mestre. E essa conversa não foi sobre prédios.

Às vezes, em alguns momentos de nossas vidas, quando tudo parece estar perdido e o tempo parece passar mais rápido, nos questionamos se tudo aquilo que guardávamos no íntimo de nossos corações não passa de uma mera ilusão criada pelos filmes teens da década de 2000. Pode ser que não nos casemos com um príncipe encantado ou um astro da NFL como a Taylor, mas, uma coisa é fato, aceitar o mínimo tendo dúvidas sobre o futuro é o mesmo que construir uma casa em terreno de areia, não sustenta; uma hora desaba. Casar-se com a pessoa certa é mais importante do que casar antes dos 30 anos, por isso, gatas garotas, aquietem seus corações. Esperem pelo Romeu que traz segurança, quando ele aparecer, você não terá dúvidas, assim como um prédio que foi construído em alicerce firme; você sabe que as tempestades virão, mas ele se manterá firme como uma rocha, sem ir a lugar nenhum, quando tudo “parece” que vai desabar.