São os 28 dias de abril de 2025, horas depois do apagão geral, em que não se sabe de nada no centro de Lisboa! Não há energia, não há internet, mas os multibancos curiosamente funcionam. Na rua, dizem que foi um ataque cibernético, uma guerra tecnológica provocada pela Rússia. Momentos anteriores às eleições locais depois de novo impedimento governamental aos socialistas. A direita finalmente retornou à liderança, apesar de direita e esquerda, serem apenas alcunhas difusas de situação e oposição. O Papa Jesuíta1, o primeiro destes, faleceu há poucos dias.
Protestantes e católicos continuam também difundindo teorias capitalistas e comunistas, para esconder o estágio mercantilista em qual permanecem. Muitas teorias conspiratórias surgem, ou melhor, surgiram desde há um mês nos noticiários diversos. 'Influencers YouTubers' - let's keep impressive - davam manchetes de um desligamento mundial aos fins de Abril e, geralmente essas coisas planeadas, ocorrem sim sempre após um fim-de-semana! Planos económicos contumazes vieram após feriados bancários.
O autor2 de, Pai Rico, Pai Pobre, alertava que jornais recomendavam kits de sobrevivência nestes momentos 'surpresa'. 'Gurus' financeiros diversos sugeriam como ficar rico, nesta hora. Teorias das mais diversas mas, que premonitoriamente, espiritualmente ou privilegiadamente informados, ocorrem num sinal que desponta no horizonte informativo em cadeia. Com um livro de Financeirização Neoliberal3 às mãos e outro, Os Conspiradores4 na estante, não é de muito bom sentimento acessá-los agora, neste momento, a lê-los. Poderá confundir a abstração.
Notícias verbais e boatos de toda a parte, confundem: dizem não haver luz em todo o mundo; na farmácia, no supermercado, ao contrário, dizem que não, que isso foi apenas na Europa pois, o Brazil e a América não foram afetados... sim, a menina de um minimercado brasileiro, impecável, dizia isso mesmo ao angolano do supermercado varejista logo em frente, português! Na famosa padaria da artéria transversal principal da cidade de Lisboa, entrou um famoso comentador televisivo para avisar ao estimado proprietário - e que parecem grandes amigos! - que após às 17h30m tudo voltaria ao normal, no mesmo dia... já serão agora 19h, mas ainda nada! Olho aos piscas do WiFi que, não transmite nenhum sinal...
Os telemóveis continuam off, desligados para pouparem alguma bateria remanescente, se é que resistirão. Mesmo assim, estão já em hibernação pois, mesmo ligados não funcionam. Apenas mostra as horas e, sinal para chamadas de emergência! Estarão estas emergências 'on', como os multibancos ATM??
Alguém disse que os indianos é que iam lucrar agora, nesta época! Parece verdade, seus comércios de tudo estão abertos e vendendo estoques: enlatados, frutas e verduras, vinhos, biscoitos, água e leite, além de baterias e 'power banks' telefônicos, estes sim inflacionados, diz um segundo angolano daquele super-varejo português. Finalmente, uma sulista brasileira do mercado em frente, outra vez impecável, mostra a mensagem de SMS partilhada pelos pais da escola... avisando que prevê-se 3 dias de 'black out', porque foi um problema em Espanha! Ou um avião que caiu em França!?! Segundo o dono da padaria, também atingiu parte do Marrocos, logo ao sul.
Entretanto, não há como hoje ainda, saber! Então esperar, com um bom vinho verde para abstrair hipóteses, é o que há! Enebriar temporariamente e, exercer o intelecto do fictício escrever, pode acelerar um fim de angústia da espera incerta. E como o mesmo foi já, na experiente pandemia de COVID-19. Alguém mesmo alertou, para uma nova pandémica crise! Agora, a pandemia cibernética em que a tal energia, também a mesma dos carros modernos, se propagou: não há nada, sem fontes... só os sons de carros à combustão, a circular. E gentes nos cafés, a esperar. Aguardar nas esplanadas, a conjecturar...
Já não havia nada, somente sopa morna, quase fria. Vinho, coke & water! Arroz doce com canela, inclusive especiarias e alimentos seguros à putrefação... Façamos hora, observemos os semblantes e interpretemos as reações bem como, os comentários dos empregados de mesa. Sugestões e alertas não faltaram, para pegar nos documentos principais e partir, se as sirenes tocarem, em breve. Quais sirenes? Bombardeio, tsunami ou terramoto?! Não há energia e portanto, só surpresas.
E os negócios? Os amigos?? Os amores??? Onde estarão ou, o que pensarão?! Sumimos vivos, literalmente apagados e, é esta uma sensação Papal, atual... Vivos até quando, do outro lado do oceano, sem conexão terrestre nem aérea, como uma impressão ficcional estimulada pelo cinema! Curiosamente, haverá logo no dia 6 de Maio, inscrito num magnífico castelo hoteleiro da Ajuda e de origem secular, uma reunião empresarial bancária internacional que, relativamente ao livro antes mencionado e, aos conspiradores também, resta uma esperança de recontacto com os vivos, entre os vivos. Assobiam ainda os pássaros do jardim, como sempre...
Recordo a fuga da Covid para o verão do Hemisfério Sul, quando nem havia uma pandemia nem reclusão provocada, ainda. Efetivou-se assim outra vez, o jugo de um dia de cada vez, como ontem curiosamente um primo recomendou, através da oração por mensagem cibernética, que já era um sinal! Como num vôo de Roma, desde Fiumicino, em que fazia esperar a conexão trasladada, dentro d'um famoso McDonald's da Termini, por 24h, ao lado da paragem dos 'shuttles' madrugadores. Sensação inexplicável do tempo, mas interpretável como premonição do suspense, como transeuntes noturnos sem destino, angustiados com uma suportável espera pelo próximo capitulo do dia, a seguir. Três dias ou menos, ou mais. Os amigos rir-se-ão, os negócios atrasarão e os amores regozijarão. Sinais modernos de novos tempos que, medievais em seus argumentos, refletirão no novo mundo, dos velhos seres, as modernas experiências de viver.
Notas
1 Bergólio, Francisco (in memoriam).
2 Kiyosaki, Robert.
3 Editora Livre.
4 Bruschini, Vito.















