A realidade está mais exagerada que a ficção hollywoodiana.
Parei diante de tantas mentiras e escárnios dos atores da política brasileira instalados no poder.
Beira a loucura ou, na incredulidade, vegetamos.
Do contrário, frequentar o hospício urbano diuturnamente é aventura dantesca.
Nós, moradores do Rio, temos feeling para identificar pivetes, bandidos.
E, mesmo conhecedores, votamos em quatro governadores que, somadas as penas judiciais, ultrapassam 1.500 anos de prisão; estão soltos, gozando a vida, gastando o que roubaram. E a vida segue, será?
A avalanche da impunidade dá lugar ao espectro do exemplo lá de cima, do chefe da Nação, de militares antes confiáveis, de cortes superiores, acobertando achaques contra idosos roubados, agredidos, vilipendiados — cito os indefesos.
O exemplo vem do discurso do presidente no Brasil.
Vexame internacional, porque não respeita o cerimonial da seriedade: teve o microfone recentemente cortado em evento na América Central, e o mundo já conhece o mesmo discurso fantasioso, com números estratosféricos.
O superlativo ignora os bons costumes; a educação passa ao longe, mesmo que caibamos dentro de um enfrentamento dia a dia.
Você percebe que, do outro lado, o oponente é casca, drogas, reggaes, dancinhas.
Ah, o escopo educacional deve ser o pior possível: dá medo frequentar as universidades públicas no Brasil — nem o lixão é tão feio.
Vinha num ritmo bom, escrevendo quase diariamente, dividindo esta tarefa com as outras especialidades e possibilidades de trabalho, que me mantêm financeiramente.
Parei!
A folha em branco me surpreendeu.
Todas as que apareceram sempre foram preenchidas e, muitas vezes, com uma palavra aleatória: a primeira era suficiente; abria arquivos recheados.
Certa feita, "datilografei".
Despertou imediatamente em mim a busca pelo Aurélio.
O meu era daqueles enormes, que eu lia em determinado horário por quase meia hora, uma hora; esquecia do tempo, às vezes.
Lembra quando vem a curiosidade de viajar no mapa-múndi?
Fazia o mesmo no Aurélio.
As definições ou sinônimos, na viagem entre palavras, rios brancos entre as letras — o mesmo que... — remetiam até 100 páginas seguintes, ou "patrasmente" (discurso do Odorico Paraguaçu, personagem na novela O Bem-Amado, de Dias Gomes).
Pensei em expor as definições da letra A, mas não cabe tal exemplo em um artigo que tenta ignorar a política nacional, os arroubos financeiros e a escravidão moderna na dependência da ração.
É o comunismo descarado, e as pessoas pensam que ainda se esgueira nas terras tupiniquins...
É um século de início duvidoso, engatinhando há 26 anos, com distúrbios frenáticos entre evolução, involução, moderno, arcaico, direita e esquerda, como se vivêssemos na Cúria Júliano, salão do Senado do Império Romano.
A honestidade fica à margem.
Este é o ponto.
O que imaginávamos ultramoderno é vencido pela mentira.
Ouvi de um religioso:
"Deus não criou o mundo com as mãos."
"Ele criou falando: haja luz e houve luz."
"A fala é a ferramenta da criação Divina, mas eles esconderam isso de você."
Precisamos falar mais, agir mais, entender mais, positivamente, agir com honestidade.
Certa feita, uma taróloga me disse que "o Universo conspira em nosso favor, positivamente ou negativamente".
O religioso abriu de vez minha mente, corroborando a frase da taróloga.
"Quando você diz: estou morto de cansado. Isso me mata, sou pobre! Você está usando o Poder Divino contra você."
Aí arremata, acendendo em mim e potencializando perseverança, foco, iniciativa e ação.
"O Universo é um garçom mudo. Ele só anota o pedido e entrega; se você pede problema o dia todo, terá problemas..."
"Jesus ensinou isso?", questiona.
"Aprenda a falar a língua da Criação."
Sabendo que somos únicos, temos nosso lugar neste mundo, a fala carregada de esperança, fé e esclarecimentos é o mote da vida.
Não sou religioso, mas, diante de um garçom tão eficiente, do Criador, quem sou eu para me manter calado?
Citei em outros textos que nossa "cabeça" é o órgão em que, quanto mais jogamos conhecimentos dentro dela, mais cabem outros tantos.
Numa figura simplória, é como o machado cortando sua cabeça e, quanto mais corta, mais abre necessidade de machadadas.
Parece com a frase: "Se a única ferramenta que você tem é um martelo, tudo tende a se tornar um prego".
Da Lei do Instrumento ou do Martelo de Maslow, do psicólogo americano Abraham Maslow.
Não é isso!
São aberturas para o conhecimento.
A audição do religioso em vídeo leva para a página do aplicativo Instagram de Josie Vidal, que é mentora de reprogramação e taróloga.
É uma brasileira que vive na Austrália; parece, não apurei.
Apenas gostei de segui-la; absorvi o áudio sobre a palavra Abracadabra, que li em algum livro na infância e, agora, através da página dela, aprendi o significado.
Deriva da expressão em aramaico Avra kehdabra ou Avrah KaDabra: "eu crio enquanto falo" ou "o que digo se torna real".
Também comecei, vejam só, a esta altura — e nunca é tarde —, a me entender com o garçom.
Temos a grande chance de mudar o nosso dia a dia na próxima primavera no hemisfério sul.
Creio que nossa cultura passará por uma limpeza ética e moral, o que já vemos em posturas de milhares de crianças, que desabrocham como flores da estação.
Ah, a letra A de Abracadabra...















