Em tempos tumultuosos a narrativa mais voluptuosa, porque criativa, esvai-se na espuma dos dias de cólera destes conflituosos quotidianos ultra rápidos e esquivos…
Do desconforto destes dias o escriba encolhe ombros e maquinalmente regista o que tantas vezes apenas é um assomo de vacuidades ditas verdades, impostas no soluço pungente da impossibilidade de lidar com a realidade…
(Repetindo ‘ad nauseam’ bagatelas e banalidades, goebbeliamente se alimentam discursos de ódio nos extremos frangeados de ideologias supostamente defuntas que se tentam ressuscitar e ressuscitam mesmo…)
No desconforto amargo do escrevente nasce a dúvida de continuar o escrito…
No tempo da futilidade e das normas transpostas e trangiversadas, onde o anormal se torna quotidiano espantoso e espectacular … Depara-se por vezes o nojo de tanto vómito esparsado em volta dos tristes turbilhões redneckianos do outro lado de Atlantis…
Goin’ home,
Once again…
With
Some pain,
Sorrow
Deludes,
Resistin’
Anger,
Hopin’
Some
Peace…The moment,
The place,
The stylus…
Just
One
More
Verse,
One more day…
No desconforto da exegese e do compromisso de continuar publicando renasce o pânico da página por rabiscar, desafiadora de todos os medos e canduras, intratável na sua ânsia de linhas cheias, de veias pujantes de emoção e vitória sobre o oblívio dos dias e dos espaços infinitos…
‘One more day…’
E acontece o conforto do confronto com a imensa vaga de palavras com liberdade para se fixarem noutras narrativas, menos orwellianamente premonitórias de diktats censórios…Fugitivas de cancelamentos ou tão só de desesperanças várias…
(Ou de espantos tantos … em ruas ruidosas e cheias de gente em frenético mover…)
The NY notes…
Slumpy
Dreamin’
Sleepin’
Searchin’
Something
Awkward
To
Record…
Backtrackin’…
No tempo de neblinas, névoa eterna já não surgem sebastiões de Alcácer Quibir estilhaçados na areias africanas e califas de Odemira regressando de fenícias praias a oriente de Chipre… Helas…
Neste desatino de tempos de guerras medio-orientais surgem apenas resquícios de seres antes deslumbrantes, ora esquecidos e esquálidos …ora em tumulto de infrutífera fuga aos caos impantes…
Dos que ainda relembram a paz nos tempos de ódio e conflito néscio, ordenado por néscios emplumados e trompeteando vitórias imperiais e absolutas, muitos são os vates nas modas de todos os tempos…
Demasiados os singelos trovadores esquecidos ou obliterados pelos Neros que tudo incendeiam…
E, sem querer, talvez apenas intuindo indizíveis, prescrutando o escriba dos dias estivais, completamente aturdido e cambaleante, ainda assim atreve-se, arrisca a sorte e o destino, arrisca a sanidade e loucura da expressão toldada e tão temerária do seu estado de escrevente escravo do tempo e do ínfimo espaço da sua parca e condicionada existência …
Nos pilares de Gibraltar,
Dos antigos fenícios...
A espuma,
Das ondas,
Devolveu
A Zeus
Uma
Rėstea
De
Esperança...Na
Noite
Da
Névoa,
Regredi
No
Mar,
Esperei
NovaMadrugada
Insone,
Demasiado
Longa,
Em tempos
Incertos
De
Cóleras
Várias,
Incertezas
Tantas,
Corações
Impantes
De
Calma
Nunca
Esperada,
Sempre
Ausente,
Trôpega
Ânsia
de
Coração
Navegante...E ainda… lá ao fundo…já tão longínquo …
O mercador de sonhos
Trocou Granada
Por uns trocos...
Vendeu Aladino,
Tornou-se lúgubre,
Estilhaçou as torres
Do Novo Mundo....Morreu de cólera
Quando se imolou
Contra os espelhos
Que encontrou
Para lá de
Atlântida...
Da narrativa surge apenas o registo anotado de texto, foto aleatória, apenas datada, sem mais… sem aparente rumo, apenas momento …
O judeu errante
Voltou a casa,
Com o tempo da memória
Escorrendo,
Espuma
De mar,
De vento...Voltou a casa
Na Passagem...Nunca de lá
Saiu,
Desde a
Diáspora
De dias
Infinitos...
Na bruma da memória reside réstia vaga sensação sem sentido, opaca…
E segue a linha, rabisco de outros tantos momentos difusos, semi perdidos,
obnubliados por dias de cinza dos quotidianos errantes por outros caminhos…
Caminhando se faz o caminho, diz a sabedoria antanha de tantos e díspares povos, culturas, civilizações (que termo tão esquivo em tempos de guerras várias…)
No contínuo da estória, fica o registo… menos desconfortável, menos balbuciante, talvez mais preciso e real que fictício… Nunca saberá a personagem ou quem a imaginou e fez nascer algures na página pedra branca que almejou história, contentando-se com estória…
Risco
Desenhando,
Rabisco
Esquisso
De
Linha,
Verso
Tentado,
Em
Narrativa
Fugidia…
Nestes tempos agrestes, onde verões emergem desalmados, premonitórios de chuva bem vinda lá para mais brandas e outonais paragens, balançam os dias e as noites criadoras de madrugadas e auroras mais ou menos visíveis, serenas, em colinas amenas e calmas…
Colagens sem rimas ou rumos, tornam-se rios contra correntes… apenas sinais de tempos e deste tempo descoroçoado e de estio inicial, iniciático, primevo, vital…
Na página amarga
Caiu a lágrima,Na página quebrada
Pela tinta tingida
Procurando palavra
Com o silêncio
Que quebrou
À noite insone,
Errante,
Encoberta,
Buscando
Dizer
O
Indizível...
E dos desconfortos irrisórios e irritantes do início de página, crónica registo destes dias surge o terminus destas curtas incursões contra a narrativa desconfortável da primeva linha tentada…















