A Galeria Nave tem o prazer de apresentar Scrollpainting153 caput mortuum metamorphosis, a segunda exposição individual em Lisboa da artista alemã Elisabeth Sonneck. Desta vez, no MUHNAC – Museu Nacional de História Natural e da Ciência de Lisboa, e com curadoria de Sofia Marçal, no histórico laboratório de química, Sonneck apresentará uma obra site-specific que utiliza uma substância mineral como ponto de partida, cujo nome é também o nome de uma cor.
A exposição remonta a disciplina científica da química às suas origens, a alquimia, que tem sido o estudo das propriedades e reações das substâncias desde os séculos I/II. Caput mortuum é um subproduto sem valor da produção de ácido sulfúrico e, ao mesmo tempo, uma cor fundamental na história da pintura até aos dias de hoje.
A investigação cromática de Elisabeth Sonneck para a instalação site-specific Scrollpainting153 caput mortuum metamorphosis abrange desde pequenas obras em papel até grandes Scrollpaintings, não com o objetivo de examinar o Caput mortuum com base no seu pigmento monocromático e opaco, o óxido de ferro(III), mas antes de criar um espectro multicolorido em torno do Caput mortuum que também inclui cores complementares.
A artista não está interessada numa reprodução mimética do Caput mortuum. A sua investigação centra-se nas inúmeras possibilidades que surgem ao aproximar-se desta cor, mais do que em alcançá-la. A própria busca expressa-se através da cor.
Na exposição Scrollpainting153 caput mortuum metamorphosis, esta ligação direta entre o subproduto de um processo químico e uma tonalidade característica da pintura – Caput mortuum – materializa-se em formações escultóricas flexíveis. Estas resultam da tensão material inerente ao próprio papel e apenas ganham forma durante o processo de instalação, que ativa o laboratório histórico de química no seu estado atual. O papel mantém o potencial de metamorfose contínua; não se fixa numa forma final, permanecendo, durante o período da exposição, num estado frágil de equilíbrio que transforma o espaço – o próprio laboratório – num lugar de cor.
A curadora Sofia Marçal, sobre a prática da artista: “Elisabeth Sonneck aborda, de modo geral, uma relação com a ciência, especialmente com a química: explora a relação entre substâncias, as suas composições e, sobretudo, as reações entre elas. Assim, sendo a investigação científica parte integrante da sua reflexão e do seu método de trabalho, a artista procura revelar os fatores condicionantes da sua obra; as pinturas mostram diretamente o seu processo criativo físico-temporal. As instalações equilibram-se com precisão física e sem defesas ocultas no espaço. ”















