A 3+1 Arte Contemporânea tem o prazer de apresentar Desisto – o que não vejo imagino, a mais recente exposição individual de Nuno Sousa Vieira (Leiria, 1971) na galeria.
A prática multidisciplinar de Nuno Sousa Vieira é influenciada pelo espaço de trabalho do artista, onde os materiais, cores e motivos que o rodeiam se tornam frequentemente parte integrante das obras. Os seus trabalhos unem a investigação de questões base da prática artística, como forma, volume, espacialidade e sobreposição, com preocupações intelectuais ligadas à história contemporânea e da arte.
Em Desisto – o que não vejo imagino, Sousa Vieira estabelece um paralelismo entre o início do século XX, quando as vanguardas artísticas ditaram o abandono da figuração em favor da abstração, com o momento que vivemos atualmente. A abundância de imagens e informação que nos rodeia diariamente agrava-se com o crescente uso da inteligência artificial, que permite a qualquer um imitar e, até mesmo, inventar a realidade. A linguagem abstrata ganha, então, uma importância redobrada, como resposta ao excesso de realidade – muitas vezes construída mas vista como verdadeira. E, tal como no século XX, esta resposta é um ato político.
Assim, o título da exposição indica uma recusa em compactuar com os mecanismos que danificam ativamente a imaginação e pensamento crítico. Desisto funciona como um grito, uma catarse, o anúncio de uma ação decisiva, mas não uma rendição. Em vez disso, é um ato de resistência que é explicado na segunda parte do título: o visível não é obrigatório, o imaginado não precisa de deixar de o ser. Mais de cem anos depois do alvoroço que o Quadrado Negro de Kazimir Malevich causou na sua total ausência de figuração e narrativa, Sousa Vieira relembra que a pintura é um lugar de acontecimento e o artista deve ter algo a dizer com as suas obras.
















