A vida vai passando e eu ainda não sei as respostas sobre ela, talvez seja uma daquelas coisas que eu não queira saber nunca, as perguntas mudam a todo momento e nem tenho tempo de formular um pensamento, elas mudam outra vez, chego à terrível conclusão de que eu não preciso responder pergunta alguma, somente preciso viver e ficará tudo bem.

Escrevo esse texto no final do ano passado, um ano que foi muito produtivo para mim, que mesmo sem saber as respostas, resolvi bem as questões que pude e as outras, que não pude, deixo para depois. Acredito que não levei pau, talvez fique de recuperação e tenha que estudar mais um pouco, tudo para, ainda assim, não ter resposta alguma que eu não me acho na responsabilidade de responder.

Quanto mais eu vivo, menos respostas eu tenho, quanto mais conheço as pessoas, menos eu queria as conhecer, quanto mais eu faço, menos eu queria fazer, quanto mais eu brigo, menos eu queria brigar, quanto mais eu choro, menos eu queria chorar, quanto mais enxergo as coisas, menos eu queria ver. E assim é a vida, a gente vai aprendendo a viver vivendo e, pelo menos no meu caso, as respostas não vêm.

Estou em uma fase da vida em que pouco me importo com o que os outros vão pensar de mim, pois já me chamaram de um monte de coisas que não sou, e isso nada mudou na minha vida. Quero fazer o que sempre quis e não dar satisfação a ninguém, já me preocupei muito com os outros e sabe o que aconteceu? Quem se deu mal fui eu!

Na busca por respostas, encontrei mais perguntas e cada vez elas eram mais complicadas, me colocava à prova todo dia e sempre tirava zero, as respostas não apareciam, cheguei à conclusão de que não existem respostas, existe o fazer consciente do que você está fazendo e pode ser que isso responda tudo, ou sem responder nada você encontre o seu caminho, ou não, mas a vida segue, com certeza.

Por que motivos tenho que ter resposta para tudo? Eu não sei matemática e isso nunca me atrapalhou em nada, uma vez que inventaram a calculadora e meus problemas nessa área foram todos resolvidos, só não sei usar aquela tal de calculadora científica, uso apenas para as operações básicas, o resto deixo para os cientistas ou entendidos, dane-se se eu não sei o que é hipotenusa, cateto, equação de segundo grau, nessa altura do campeonato quero apenas ir ao cardiologista e ouvir ele dizer que meu coração está ótimo.

A vida segue mesmo que as respostas não sejam respondidas, acho melhor seguir aquela vozinha lá de dentro da gente, aquela que sempre aparece quando estamos prestes a fazer uma besteira, ela sabe de tudo, e recomendo que você a ouça também, evitará muitos problemas, pode ser ela a resposta? Talvez. Mas prefiro dizer que ela é aquela parte de mim que sabe mais de mim do que eu, e ela sabe mesmo, pode crer.

Eu decidi que de agora em diante não quero decidir mais nada, só aproveitar a vida realizando meus sonhos, sei que nem todos serão realizados, mas não fico procurando os porquês, eles já não me interessam, me interessa o que é possível fazer e assim vou fazendo, criando meus textos, pintando minhas telas e sendo feliz. Se há uma resposta padrão nessa vida, ela é: “seja feliz e dane-se o resto!”, mas cuidado com o que você chama de felicidade, viu, ela não é tão plena assim, tem suas tristezas também!

Outra coisa que não faço mais há muito tempo é esse negócio de planejar o ano, criar metas e objetivos que depois, no final dele, tornam-se motivo de frustração, porque na empolgação da virada do ano, quando fazemos aquelas mandingas todas, muitas vezes sob efeito de álcool, queremos ganhar o mundo, mas a dura realidade é que sempre é o mundo que ganha de uma forma ou de outra ele sempre vai vencer.

As respostas da vida são complexas, coisa para filósofos e entendidos no assunto, eu não sou filósofo nem entendido em nada, portanto, minha filosofia é não filosofar, é não tentar encontrar respostas que não existem para dramas que eu inventei para a minha vida, ou as enrascadas que me enfiei foram todas sem querer? Só um total inocente, para não dizer um imbecil, diz que não sabia das consequências de seus atos, e aquela vozinha perturbadora?

Somos adultos, eu pelo menos acho que sou, às vezes não muito, mas respondo pelos meus atos, e até pelo ato de não ter tomado atitude alguma quando devia ter tomado uma. Se fui um idiota, que minha idiotice seja punida e sobre mim recaiam todas as consequências, pode ser essa uma resposta à minha falta de respostas, a vida é sábia, ou não, ela é o que nós a fazemos ser, se você tem as respostas, sua vida terá, se não, vocês descobrirão juntos, ou nunca saberão.

Final de ano é tempo de balanço nas empresas, tem gente que faz o balanço pessoal do ano, a quantas festas foi, quantas metas bateu, quantos quilos perdeu, quantas medalhas ganhou em corridas de rua, quantidade, mas esquecem de colocar na conta a qualidade do que foi feito, mais importante do que o resultado final é como o processo foi executado, pense nisso ao olhar apenas para os ganhos ou as perdas.

Eu não faço mais balanço, uma vez que não faço planejamento, não tenho como mensurar os resultados, apenas sigo os passos que iniciei em algum momento, construí alguns caminhos, fechei outros, foquei em um ponto, mantive o foco e fui em direção a ele, se cheguei ou não, tudo dependeu de como realizei a caminhada. E a conclusão é: estou sempre por chegar, porque sempre há um algo mais para a vida valer a pena.

Espero não ter respondido questão nenhuma por você, esse não é o meu objetivo, mas se no ENEM da vida eu tirar zero, pelo menos isso não me impediu e nem está impedindo que eu viva, continuo, mesmo sem saber o que responder e nem procurar uma resposta adequada para questões inadequadas, porque, a resposta certa é “todas as alternativas corretas”, ou “nenhuma alternativa anterior”, e assim não há por que buscar uma resposta só enquanto há uma vida toda para viver.