Dá um like e compartilha. Segue de volta, acumula, bloqueia e silencia seguidores. Cria conteúdo digital para uma ou várias plataformas. Vive na internet, mas, na vida real, as coisas são diferentes. A dinâmica das redes sociais segue uma regra previsível: nem sempre o que é postado reflete a realidade. Essa vulnerabilidade se manifesta principalmente no que tange às relações interpessoais. Afinal, as mídias digitais facilitam ou dificultam as “trocas reais”? De que maneira essa superficialidade afeta a saúde mental?
O sociólogo Zygmunt Bauman introduziu o conceito de “amor líquido”, que previu a discussão sobre as relações antes do uso intenso das mídias digitais. O pensamento simboliza o momento em que as relações não conseguem acompanhar a aceleração do mundo. Para o autor, os laços afetivos entre as pessoas são criados de maneira efêmera e podem ser facilmente trocados. Trata-se de um amor difuso, sem forma.
O uso de redes sociais tem crescido consideravelmente entre as pessoas, principalmente entre os jovens. A maneira como nos comunicamos, interagimos e consumimos informações mudou com o progresso tecnológico e a disseminação dessas mídias. Embora ofereça inúmeras vantagens, como a capacidade de se conectar com pessoas de todo o mundo e acessar informações de forma rápida, o uso excessivo pode causar danos consideráveis à saúde mental e à produtividade.
O Brasil ocupa a terceira posição mundial no consumo de redes sociais. As informações divulgadas pelo We Are Social e Meltwater indicam que o Brasil contará com 187,9 milhões de usuários da internet em 2024. Isso representa 86,6% da população total do país. A porcentagem é superior à média da América do Sul, que é de 82,5%. Hoje em dia, os brasileiros conectados passam, em média, 9 horas e 13 minutos diários na internet. A maior parte desse período (57,6%) é dedicada ao uso de smartphones.
Transtornos de ansiedade
O uso excessivo de redes sociais está frequentemente ligado ao crescimento dos níveis de ansiedade e depressão. A exposição contínua a conquistas alheias e 'vidas perfeitas' pode levar a comparações prejudiciais, diminuição da autoestima e sensações de inadequação. Definir um limite para o uso do celular contribui para diminuir a exposição a informações excessivas e estressantes. Reservar tempo para hobbies e atividades como jardinagem, culinária ou esportes é uma maneira de evitar o uso excessivo de telas.
Transtornos do sono
A qualidade do sono pode ser afetada pelo uso de redes sociais antes de dormir. A produção de melatonina, o hormônio que regula o sono, pode ser reduzida pela luz azul emitida pelas telas dos aparelhos eletrônicos. Ademais, o conteúdo consumido, frequentemente estimulante ou perturbador, leva a uma noite de sono agitada e pouco reparadora. Antes de se preparar para dormir, acostume-se a desligar o celular e ler. A leitura ajuda a reduzir gradualmente a velocidade mental, o que permite uma noite mais tranquila e livre de preocupações. Outra opção é utilizar os modos "Foco" ou "Não Perturbe" durante os momentos de descanso para reduzir as interrupções e garantir uma noite de sono tranquila.
Afastamento social
Apesar de as redes sociais terem sido criadas para promover a conexão entre as pessoas, o uso excessivo pode, de forma paradoxal, resultar em isolamento social. A troca das interações presenciais por conexões online pode levar a sentimentos de solidão e desconexão. A ausência de conexões pessoais significativas afeta de forma negativa a saúde mental e o bem-estar emocional. Para prevenir o isolamento, busque marcar encontros com amigos e familiares, como jantares, passeios ou atividades em grupo. Além disso, envolva-se em atividades como a participação em clubes, esportes coletivos, ações de voluntariado e outras que promovam conexões significativas e amizades.
Procrastinação e desvio de atenção
As redes sociais são criadas para serem extremamente cativantes e podem acabar se tornando uma grande fonte de distração. A facilidade de acesso e a natureza viciante do conteúdo podem resultar em procrastinação e desvio de atenção no trabalho ou nos estudos. A constante troca de tarefas e o uso das redes sociais diminuem a habilidade de foco e reduzem a eficácia na execução das responsabilidades. Uma sugestão para minimizar distrações é abster-se de usar redes sociais durante o horário de trabalho ou enquanto estiver estudando.
Relações de trabalho
O uso de redes sociais, não relacionadas ao trabalho, durante o expediente pode prejudicar as relações profissionais. Colegas e supervisores podem interpretar esse comportamento como falta de comprometimento ou desrespeito, o que pode prejudicar a reputação de quem passa o tempo todo navegando nas redes. Ademais, o tempo perdido pode resultar no acúmulo de tarefas e descumprimento de prazos, o que afeta negativamente o desempenho profissional e compromete os resultados da empresa. Para evitar distrações, é recomendável desativar as notificações das redes sociais e consultá-las apenas em horários específicos, em vez de fazê-lo constantemente. Essas medidas ajudarão a preservar a produtividade e promoverão um ambiente mais harmonioso.















