Eu não sei vocês, mas eu particularmente sou uma pessoa que sofre com o mal do século: ansiedade. E uma das minhas maiores preocupações (e medo!) é um dia me ver nos meus 70 anos arrependida de não ter feito tantas coisas que eu gostaria.

O problema nisso é que eu sou uma pessoa altamente curiosa e eu quero fazer de tudo: quero viajar o mundo, comprar meu apartamento, construir uma casa, aprender a tocar piano, trocar de carro, aprender a dirigir moto, aprender a falar italiano, espanhol e russo, saltar de paraquedas e bungee jump, conhecer todos os museus, andar de bicicleta na chuva, aprender tarot, escrever, nadar no mar à noite, fazer voluntariado, crescer na carreira, fazer yoga, ler todos os clássicos, assistir aos melhores filmes já feitos, estudar história da arte, praticar exercício físico todos os dias, fazer intercâmbio, casar, ir a festas, ver a Aurora Boreal, a Muralha da China, a Torre Eiffel… a lista é interminável!

Sim, é verdade que algumas dessas coisas já posso riscar da lista, porém parece que quanto mais eu realizo, mais eu quero. E, para ser sincera, fico sempre dividida entre me sentir realizada por ter feito algo e frustrada pelas inúmeras coisas novas que quero fazer e não sei se terei a chance, e muito menos como. E eu tenho pressa.

Tenho pressa porque, infelizmente, para realizar a maioria dessas atividades preciso de dinheiro, recurso escasso para nós, trabalhadores. Quando eu finalmente consigo juntar certa quantia, vem a excruciante tarefa de ter que escolher um sonho a ser realizado – o que é incrível, mas dura pouco, e logo preciso começar a juntar de novo para escolher uma nova atividade para daqui a 6 meses ou mais.

Eu sei que não estou sozinha nessa, mas ainda assim sinto que a maioria das pessoas do meu círculo não entende muito bem, porque quase todas elas têm um sonho prioritário, pelo qual elas sacrificam todo o resto e ficam bem com essa decisão. O meu problema é que eu quero fazer tudo!

Não quero deixar nada passar, quero agarrar todas as oportunidades que se apresentam para mim, quero viver todo tipo de experiência, emoção, sensação. Ultimamente sinto que o que mais me aproxima disso é viajar – que, confesso, acho que é o sonho mais antigo que tenho (e talvez você possa pensar que, portanto, deve ser minha prioridade, mas não é tão fácil assim).

Estou completamente fascinada por planejar viagens dentro e fora do Brasil. Nos últimos dois anos, fui para o Rio de Janeiro, Lençóis Maranhenses, Paraty e em 2025 realizei um imenso sonho: viajei sozinha para o Deserto do Atacama, no Chile! E não pretendo parar neste ano de 2026; já tenho mais planos do que ano pela frente. A questão é que estar em contato com diferentes locais, climas, culturas e povos é algo que alimenta profundamente minha alma nesse incansável desejo de conhecer tudo, fazer de tudo, viver de tudo.

Só que, ao mesmo tempo, sou uma pessoa que aprecia muito o próprio canto, e ter onde ficar sozinha confortavelmente é algo que tem chamado muito por mim. Por isso, comprar meu próprio apartamento é algo inegociável na minha lista de desejos deste ano. Eu sinto que preciso ter um lugar para chamar de meu, para ter minhas regras, minhas decorações e minha aura. Um lugar para chamar de lar, sem precisar viver sob regras de outros, sem importunações, sem situações pelas quais eu não precise passar se eu morar sozinha.

Por outro lado (isso é só para vocês entenderem como minha cabeça funciona o tempo todo, fazendo pontos e contrapontos a cada ideia), ao financiar um apartamento, tenho certeza de que não vou mais conseguir viajar tanto como gostaria. E aí, como eu decido a minha prioridade?

Às vezes me pergunto se tem algo de errado comigo, se eu simplesmente não sei escolher, mas sei que não sou um caso isolado; eu só estou na fase dos 20 e poucos anos. Quero fazer de tudo, quero viver de verdade e não chegar à terceira idade perguntando como seria se eu tivesse feito.

Acho que tenho pressa, principalmente porque não sei quando tudo termina. Não quero deixar nada para depois, com medo de que o depois não chegue. E quero aproveitar tudo enquanto sou jovem, apesar de saber que não cabem tantas atividades assim antes dos 50 anos.

Nesse meio tempo, vou tentando me entender, fazendo algumas atividades que consigo, e quem sabe aos poucos eu descubra qual é minha real prioridade na vida. E espero do fundo do meu coração que, se você se identifica com essa ânsia de querer abraçar o mundo, você tome seu tempo e saiba que nem sempre precisamos nos apressar assim.

Cada um tem seu tempo, e sinto que, na vontade de querer fazer tanta coisa, não vemos o quanto já conquistamos. Eu mesma realizei grandes sonhos/metas no último ano: pulei de paraquedas, li um livro todo em inglês, viajei sozinha, conheci o Deserto do Atacama, pratiquei muito yoga e mantive uma boa rotina de exercícios.

Então, meu conselho é esse: quando se sentir assolado pela vida e frustrado pelas coisas que ainda não alcançou, respire três vezes e lembre-se das pequenas conquistas (e, claro, das grandes realizações) do último ano ou dos últimos meses. Tenho certeza de que, assim como eu, você vai passar a enxergar seus próximos passos com outros olhos e – quem sabe – até com maior clareza.