Esses dias, navegando pelas redes sociais, fui impactada por uma postagem com a seguinte mensagem:
Precisamos falar da saúde mental da mulher solteira e sem filhos. Que não é uma desocupada, não tem obrigação de cuidar dos idosos da família, não tem obrigação de gerenciar a casa dos outros, não tem obrigação de nada e a sociedade empurra tudo para essa mulher.
O tema chamou minha atenção porque socialmente quase não debatemos sobre isso: a importância de discutir a saúde mental de mulheres que são solteiras e não têm filhos. Na realidade, ser mulher já é um desafio por si só. No Brasil, esse desafio se intensifica quando consideramos todos os reflexos do machismo que persiste até hoje nas relações, na carreira e em tantos outros aspectos da vida.
É difícil ser mulher em um país que registra um dos maiores índices de feminicídio do mundo. E quando falamos em saúde mental, o debate precisa abranger todas as mulheres, independentemente de quem sejam ou de qual realidade vivam.
Quando recortamos para um fator específico, é comum que a mulher sem filhos seja rotulada socialmente como alguém que tem a vida mais fácil, como se não enfrentasse dificuldades ou não soubesse o que é sofrer. Os bordões são inúmeros: "Você não tem nem um passarinho para dar água, então não sabe o que é sofrência" ou "Você não é casada e não tem filhos, então leva uma vida muito mais tranquila." Quem dera se, na prática, as coisas fossem assim tão simples.
Os estereótipos são muitos, e conforme o tempo passa, a situação se intensifica. A cobrança aumenta e a pressão social vem acompanhada de questionamentos como: "Como assim, você não pretende ter filhos?" O mais curioso é que esses comentários, na maioria das vezes, não vêm de forma generalizada e frequentemente partem de outras mulheres, que, muitas vezes involuntariamente, questionam escolhas que dizem respeito apenas a quem as faz. Por que isso acontece? Há diversos fatores, e esse discurso é perpetuado, em grande parte, pela forma como somos educados desde a infância: meninas brincam de boneca e de casinha; meninos jogam bola e dirigem carrinhos. São atitudes enraizadas na sociedade que, muitas vezes, nem percebemos que carregamos.
Quem dera se a vida fosse realmente mais fácil para quem não tem filhos. Em teoria, poderia ser, afinal, a escolha consciente de não trazer uma pessoa ao mundo, para não submetê-la às adversidades da vida, também é um ato de amor. Mas na sociedade em que vivemos, somos ensinados que a reprodução é um caminho natural e esperado, e decidir o contrário ainda é um tabu imenso.
É nesse contexto que a liberdade começa a incomodar. Problemas alheios tornam-se seus problemas, simplesmente porque as pessoas acham que você tem mais tempo disponível por não ter uma criança para cuidar. Responsabilidades familiares e outras questões acabam sobrecarregando quem fez suas próprias escolhas — e ainda é julgada por isso.
Apesar de tudo, a ciência oferece um contraponto interessante a essa narrativa social. Uma pesquisa da London School of Economics, conduzida pelo professor de ciências comportamentais Paul Dolan, trouxe dados que desafiam o senso comum: mulheres solteiras e sem filhos apresentam índices mais elevados de bem-estar do que se costuma imaginar.
Segundo Dolan, o casamento tende a beneficiar principalmente os homens. A vida a dois os torna mais estáveis, avessos a riscos e financeiramente mais prósperos, fatores que contribuem para uma vida mais longa e saudável. Para as mulheres, no entanto, essa equação não funciona da mesma forma. Os dados sugerem que são justamente aquelas que escolhem caminhos fora do modelo tradicional, sem marido, sem filhos, as que relatam maior satisfação com a própria vida.
Uma conclusão que, por si só, já diz muito sobre o quanto a pressão social que recai sobre essas mulheres é mais um reflexo de convenções culturais do que de qualquer verdade sobre felicidade.
E por falar em privilégio, outro mito que merece ser desmontado. A ausência de filhos não isenta ninguém das contas do mês, do aluguel, das parcelas, das incertezas financeiras e de tudo o mais que a vida adulta cobra de todo mundo. Não ter uma criança para criar não significa ter dinheiro sobrando, tempo infinito ou uma existência sem peso. Significa, simplesmente, ter feito uma escolha tão válida quanto qualquer outra. E talvez o maior exercício que a sociedade precise fazer não seja questionar quem decide não ser mãe, mas aprender a respeitar que existem muitas formas de construir uma vida com sentido. Todas elas merecem o mesmo espaço, o mesmo respeito e, principalmente, o mesmo silêncio quando não foi pedida nenhuma opinião.
O tema me chamou bastante atenção, pois socialmente quase não discutimos sobre isso, sobre a importância de falar e debater sobre a importância da saúde mental para mulheres que são solteiras e sem filhos. Na realidade, ser mulher já é um desafio, no Brasil esse desafio redobra quando pensamos em todos os reflexos do machismo que perpetua até hoje, os desafios de carreira entre outros.
É desafiador ser mulher numa sociedade que é um país onde existem os maiores índices de feminicídio do mundo, e quando pensamos em saúde mental, sem sombra de dúvidas, todo o debate deve se enquadrar a todas as mulheres, não importa quem seja e qual realidade se tenha.
Quando trazemos o recorte para um fator específico, a mulher sem filhos, geralmente é comum essa mulher ser rotulada socialmente como uma pessoa que tem a vida mais facilitada, como se não enfrentasse dificuldades ou se desconhecesse o que é desafio das vidas, os bordões são inúmeros como: “Você não tem um passarinho para dar água, então não sabe o que é sofrência’ ‘A mais você não é casada e também não tem filhos então leva a vida mais facilitada”. Quem dera se na prática as coisas fossem fáceis dessa maneira.
Os estereótipos são diversos, e conforme o tempo vai passando, a situação se intensifica, a cobrança se torna maior e a pressão social começa a vir com questionamentos do tipo: ‘Como assim, você não pretende ter filhos?’.
O mais curioso é que, na maioria das vezes, esses comentários não são feitos de forma generalizada, mas são feitos por outras mulheres, que, muitas das vezes, involuntariamente questionam a individualidade de outra mulher, que só cabe a ela mesma. Por que isso acontece? Há diversos fatores, e esse discurso é perpetuado muitas das vezes pela forma como cada um é educado e pelos reflexos que começam lá na infância, onde somos educados a pensar que brincar de boneca é brincadeira de menino e jogar bola é de menino, que brincar de ‘casinha’ é de menina e que dirigir um carrinho é de menino. São atitudes que são enraizadas na sociedade e que muitas vezes a gente não percebe.
Quem dera se a vida fosse mais facilitada para muitas pessoas somente por elas não terem filhos. Na prática, poderia ser, pois a escolha genuína de não colocar pessoas nesse mundo para não passarem adversidades também é um ato de amor. Entretanto, na sociedade em que vivemos, somos ensinados a nos reproduzir, e acaba sendo um tabu imenso quando decidimos o contrário daquilo que nos é pregado socialmente.
É nesse contexto, que a liberdade começa a ‘incomodar’ para algumas pessoas, e que problemas alheios acabam se tornando o seus problemas, justamente pelas pessoas acharem que você tem o tempo ‘mais disponível’ ‘livre’ por não ter uma criança para cuidar ali, integralmente. A responsabilidade de problemas familiares, entre outras questões, acaba sobrecarregando essa pessoa que fez as suas próprias escolhas e é julgada no contexto social por isso.
Apesar de tudo, a ciência oferece um contraponto interessante a essa narrativa social. Uma pesquisa da London School of Economics, conduzida pelo professor de ciências comportamentais Paul Dolan, trouxe dados que desafiam o senso comum: mulheres solteiras e sem filhos apresentam índices mais elevados de bem-estar do que se costuma imaginar.
Segundo Dolan, o casamento tende a beneficiar principalmente os homens. A vida a dois os torna mais estáveis, avessos a riscos e financeiramente mais prósperos, fatores que contribuem para uma vida mais longa e saudável. Para as mulheres, no entanto, essa equação não funciona da mesma forma. Os dados sugerem que são justamente aquelas que escolhem caminhos fora do modelo tradicional, sem marido, sem filhos, as que relatam maior satisfação com a própria vida.
Uma conclusão que, por si só, já diz muito sobre o quanto a pressão social que recai sobre essas mulheres é mais um reflexo de convenções culturais do que de qualquer verdade sobre felicidade.
E por falar em privilégio, outro mito que merece ser desmontado. A ausência de filhos não isenta ninguém das contas do mês, do aluguel, das parcelas, das incertezas financeiras e de tudo o mais que a vida adulta cobra de todo mundo. Não ter uma criança para criar não significa ter dinheiro sobrando, tempo infinito ou uma existência sem peso. Significa, simplesmente, ter feito uma escolha tão válida quanto qualquer outra. E talvez o maior exercício que a sociedade precise fazer não seja questionar quem decide não ser mãe, mas aprender a respeitar que existem muitas formas de construir uma vida com sentido. Todas elas merecem o mesmo espaço, o mesmo respeito e, principalmente, o mesmo silêncio quando não foi pedida nenhuma opinião.















