Sempre fui uma pessoa questionadora. Eu vivia em uma pequena cidade localizada em Itanhaém, litoral de São Paulo, considerada a segunda cidade mais antiga do Brasil. Lembro que, ainda na infância, costumava perguntar aos meus pais sobre a existência de Deus e sobre o mundo ao meu redor, entre essas perguntas estavam questões sobre desigualdade, sobre o nosso papel no mundo e outros temas desafiadores até mesmo para um adulto responder.
No período do Ensino Médio, lembro que, apesar de ser muito ‘popular’ na escola e bagunceira, nas aulas de Português e Redação eu sempre me destacava. As colegas de sala costumavam me pedir orientação na parte textual, e eu sempre ajudava.Foi nesse momento que descobri minha verdadeira aptidão pela escrita. Sou filha de uma professora e de um pintor, ambos com uma vivência muito simples, mas com uma bagagem e um conhecimento que levarei para a vida inteira. Minha mãe me ensinou sobre a importância do conhecimento e, em vários momentos da vida, sua frase vem à minha mente: “Minha filha, estude. O conhecimento é algo que ninguém pode tirar de você.” Já meu pai, apesar de ter tido pouca instrução educacional, sempre foi uma pessoa com uma sabedoria admirável e me ensinou o valor da simplicidade.
Atualmente, vivo na cidade de São Paulo, que despertou em mim ainda mais essa necessidade de questionamento. São Paulo é uma escola a céu aberto: quem consegue sobreviver neste lugar, sem sombra de dúvidas, está apto a viver em qualquer parte do mundo. É um aprendizado constante, onde o rico e o pobre se encontram - mas vivem distantes um do outro. E viver numa cidade que nunca dorme tem muito a nos ensinar: sobre a arte, sobre a música, sobre a vida.
Sou formada em Jornalismo pela FMU FIAM-FAAM e atuo no ponto de intersecção entre dois horizontes: o jornalismo, por meio da criação de textos, e o amplo universo das Relações Públicas no segmento de Cultura, onde sou responsável por criar histórias que valem a pena ser compartilhadas.
Com o passar do tempo, percebi que já realizei pequenas conquistas que, na infância, eram apenas sonhos. Uma delas foi ingressar na faculdade. Somos quatro irmãos, um deles já não está mais entre nós, vítima da Covid-19. De todos, fui a única que decidiu dar continuidade aos estudos. Fui a primeira a morar sozinha e a pensar, cada vez mais, na minha independência, seja ela financeira, acadêmica ou de vida.
Sei que ainda há muito por vir. A minha proposta é explorar o mundo, conhecer lugares e culturas distintas. Minhas ambições são simples. Abrir mão de uma pequena cidade para viver ‘no fluxo’ são escolhas que faço para valorizar ainda mais os lugares que desejo alcançar. A letra da música do conceituado grupo de rap nacional, conhecido como “Realidade Cruel” - cuja música ‘Deus é do Gueto’ retrata exatamente a forma do meu olhar para o mundo. “Pra mim as coisas mais valiosas ainda são de graça paz e amor, liberdade uma mente educada.”
E é transitando do Capão Redondo, periferia da Zona sul da capital paulista, até o Jardins, lado nobre da cidade, que consigo compreender que se você tem sabedoria e posicionamento, é possível entrar e sair de qualquer lugar, seja ele qual for. Apesar de ser extremamente desafiador falar sobre si mesmo, considero um momento de prestígio saber que a minha trajetória será compartilhada com diversos leitores ao redor do mundo.
Neste espaço colaborativo, chego com a proposta de dar continuidade a um trabalho lindo que é feito na Meer - compartilhar visões de mundo e consequentemente, aprender com isso também. Tudo isso dentro de uma perspectiva cultural, urbana e comportamental - trazendo as nuances da arte, da pluralidade e da linguagem simplificada. Espero muito que gostem!
