A Galeria Vera Cortês inaugura Inverno, a quarta exposição individual de André Romão na galeria.
Tomando como ponto de partida uma passagem do poema The stolen child, do poeta, dramaturgo e lau reado com Prémio Novel William Butler Yeats, a exposição Inverno, de André Romão, desdobra-se como um espaço de suspensão, onde o tempo abranda e as coordenadas afetivas começam a ser traçadas.
A mostra dá continuidade à investigação matricial do artista, que ensaia a escultura como um local de hibridismo: entre corpos e paisagens, presença material e ressonância emocional, imaginação literária e matéria orgânica.
Um conjunto de esculturas e objetos constroem uma atmosfera invernal, alicerçada num território moldado pela transformação e dissecação de objetos apropriados – fragmentos assemblados – que potenciam a ambiguidade. Em vez de propor uma narrativa linear, Inverno oferece uma constelação de presenças que operam através da intuição, do silêncio e do afeto, evocando estados de devir e desaparecimento. O público é convidado a entrar numa condição em que a certeza cede lugar à lógica poética.
Nesta exposição, Romão aborda temas como metamorfose e vulnerabilidade, permitindo que os materiais transportem peso emocional e carga simbólica. A galeria torna-se um espaço liminar, nem totalmente interior nem exterior, onde as hierarquias entre o humano e o não humano, o animado e o inanimado, são subtilmente perturbadas.
Inverno propõe uma experiência que resiste à revelação total. Movendo-se entre a escuridão e a atenção, convoca o visitante que permanecer, sinta e a habitar uma pausa temporária face aos ritmos do mundo exterior
















