A Galeria Madragoa tem o prazer de apresentar a quarta edição de Homework, o seu projeto expositivo que resulta de uma investigação sobre a prática recente de artistas portugueses ou artistas ativos em Portugal. Nesta edição, Homework aborda representações expandidas da natureza morta, reunindo trabalhos de Lucrezia Bracci (1997, Lisboa, PT), Beatriz Capitulé (1998, Azeitão, PT), Carla Dias (1972, Maputo, MZ), Sofia Mascate (1995, Abrantes, PT) e Matilde Sambo (1993, Veneza, IT).

A prática escultórica de Lucrezia Bracci centra-se na relação entre o corpo e as forças invisíveis que moldam a realidade física. Através de drapeados e do estudo do movimento dos tecidos, Bracci investiga a conexão fenomenológica entre movimento, vontade individual e forma material. Com o contraste entre tecidos e elementos rígidos, Bracci expressa uma tensão que se expande para a perceção do próprio espaço, já não neutro, mas atravessado por campos de energia.

Nesta série de obras criadas com lã sobre tela, Beatriz Capitulé desenha paisagens a preto e branco cuja estética evoca um imaginário simbolista na sua dimensão gráfica. Os temas, inicialmente desenhados em papel, tornam-se quase totalmente abstratos na sua transposição para a tela, sobre a qual a lã é aplicada com uma pistola de tecer tapetes. Como se cada traço fosse um pixel, uma imagem toma forma na superfície, resultado de uma operação gestual, quase performativa, que também contempla o erro, a impossibilidade de corrigir o traço.

Utilizando o desenho e a pintura como meios preferidos, Carla Dias desenvolveu um universo visual pessoal que retrata objetos do quotidiano em composições que lembram a natureza morta tradicional. No entanto, as ligeiras transfigurações que a artista traz aos temas ou os contrastes que emergem entre as suas combinações invulgares revelam conflitos internos, contradições, desequilíbrios e estados emocionais que permeiam a vida, bem como a sociedade contemporânea.

As pinturas de Sofia Mascate desenvolvem um imaginário fabuloso, vaporoso nas suas cores claras e diluídas, e ao mesmo tempo dialogam com o género da natureza morta. O enquadramento formal de algumas pinturas lembra as soluções composicionais de alguns proeminentes pintores americanos de naturezas mortas do final do século XIX — como John F. Peto e John Haberle — que, embora conhecidos pelo seu estilo realista, quase trompe-l'oeil, abriram caminho para a experimentação com montagens e vitrines, graças à justaposição de objetos díspares pintados num plano vertical. Embora o lado realista seja completamente abandonado na pintura de Mascate, o aspeto surrealista sobrevive, enfatizado pelos temas e pela disposição dos objetos no vidro.

Matilde Sambo, cuja prática abrange escultura, vídeo, som e performance, apresenta gravuras e esculturas que se projetam das paredes, feitas de bronze e vidro, nas quais as suas imagens oníricas se desenrolam. O foco do seu trabalho é o corpo, considerado um local de convergência entre memória, evolução e consciência. Ao entrelaçar elementos mitológicos, rituais e uma sensação de estranheza, a prática de Sambo mergulha na memória coletiva e evoca identidades em formação, celebrando o não resolvido e o inacabado, ao mesmo tempo que reflete sobre a fragilidade humana e a interligação com outros reinos vivos.