Esse artigo agora revisitado, foi originalmente escrito e publicado nos finais de 1998, quando a nova e moderna globalização estava sendo recriada, dando desenvolvimento e progresso às economias internacionais que, só com o comércio exterior, é possível fazer, como as ciências económicas sempre comprovaram.
Naquela altura, este texto buscava reenfatizar a importância desta atividade no segundo e no terceiro mundos de então, que acabavam de assistir ao fim do comunismo, com a queda do Muro de Berlim e a ascensão do Sudeste Asiático, capitaneada pela China, já hibridamente socialista de mercado.
AN Capital, Caderno Opinião
Essa pergunta é feita com muita frequência por pessoas que entram e saem do terceiro grau. Uma incógnita, e todos ficam tentando encontrar resposta, sem, contudo, prever como será sua reação e atuação nesta nova fase do desenvolvimento pessoal. Esta situação se agrava quando verificamos o fato da globalização da economia e algumas de suas consequências, como o aumento do nível de desemprego em todo o mundo, e em especial no Brasil.
O histórico paternalismo do Estado, com sua proteção económica às indústrias e à produção nacional, bem como as garantias de nossa legislação trabalhista, contribuiu para uma estagnação no processo evolutivo do empresariado e do trabalhador brasileiro. Este paternalismo permitiu a acomodação do cidadão brasileiro, desde o empresário protegido contra a concorrência internacional até o trabalhador com sua aparente estabilidade, que não incentivou o aprimoramento profissional. As consequências disso e de uma política educacional mal projetada, devido à aparente ausência de previsões a longo prazo, são sentidas hoje, quando fica evidente o prejuízo gerado pela ignorância no aprendizado de outros idiomas, culturas e também práticas produtivas e de mercado.
Exige-se agora, então, o esforço de atravessarmos barreiras e enfrentarmos a realidade que, na maioria das vezes, é diferente do que imaginávamos, deixando os sonhos em segundo plano. Imbuídos desse objetivo, encontramos várias oportunidades que surgem de uma só vez, podendo até parecer resultado do acaso. Porém, realizou-se o encontro da ocasião com a oportunidade, resultado do preparo adquirido ao longo do tempo.
Na situação profissional de Comércio Exterior, por exemplo, verificamos tratar-se de uma profissão que recentemente veio à tona, após a liberalização económica brasileira dos anos 1990 e consequente atenção voltada à Balança Comercial. Agora verificamos também uma grande preocupação por parte do governo com a preparação desses profissionais, no auxílio ao desenvolvimento da nova política comercial internacional do Brasil. Podemos passar a considerar a possibilidade de o governo instituir um novo Ministério, que venha a ter como principal atividade a administração do Comércio Exterior brasileiro e de todas as suas ferramentas. Hoje em dia é um assunto de muita importância no meio dos negócios domésticos e, com uma integração cada vez maior, torna-se um processo irreversível. Cada vez mais será necessária a participação de colaboradores poliglotas altamente treinados, especializados e também experimentados, para poderem prestar sua ajuda, no desenvolvimento económico da Nação.
Portanto, nunca estivemos tão próximos do Mundo, tanto em termos comerciais como culturais e a exigência de profissionais capacitados e de formação generalista, faz-se mais importante a cada dia. O profissional de Comércio Exterior enquadra-se neste novo panorama, pelas características de sua profissão, que mescla aptidões administrativas, jurídicas, económicas e sociológicas, para citar as principais, sendo este exatamente o perfil de mercado atento aos fatores internacionais e às relações deste com o mercado interno. Torna-se também muito importante que sua visão alcance a identificação de oportunidades em ambos os mercados, proporcionando a sobrevivência das organizações neste comércio tão competitivo.1
Quase trinta anos depois
Viu-se ascender uma esperança de melhores tempos, como a paz duradoura, o desenvolvimento dos mercados e consequentemente a qualidade de vida, internacional. Entretanto, o texto não parece ter quase trinta anos, o que comprova a perda de muitas oportunidades e até um retrocesso comparativo, no que tange à participação no mercado internacional, aos lucros e às margens de valor agregado. Bem como, da evolução educativa e o domínio fluente de idiomas, sendo esta uma das principais ferramentas da actividade profissional desta matéria, principalmente. Esperou-se ver um crescente desenvolvimento da participação das sociedades em desenvolvimento e emergentes, que ao contrário talvez, só venham a se aperceber desta importância desperdiçada, com o recente incremento histórico dos impostos de importação, pelos maiores importadores de sempre.
Quiçá um dia, recordando estes factos a história cíclica e recorrente venha finalmente a se reequilibrar nos níveis económicos ideais, seguros e ecológicos, que precisa e que muitas vezes, nos seus testes despropositados, excede aquém e além, pelos erros voluntários das gerações deseducadas. Para finalizar, a questão mais curiosa é constatar que se vê todo o tipo de opiniões e palpites, porém vindos sempre de leigos de áreas afins. Os reais profissionais e professores das matérias exclusivas do Comércio Exterior, estes talvez estejam sendo consultados particularmente apenas porque, como a esquecida responsabilidade social cívica das empresas, estarão preferindo manter a alma do negócio: o silêncio!
Nota
1 Univali, 12/11/1998. AN Capital, Fpolis/SC. Caderno Opinião.















