Conforme apresentado e sugerido em meus livros1 desta matéria, nomeadamente a respeito da Diplomacia Económica e Comercial modernas, faz-se necessário de uma vez por todas incrementar a realização do intercâmbio de produtos e serviços internacionais que, juntamente ao vídeo YouTube2 também relativo à estes temas, justificam poder-se rapidamente abrir ou incrementar atividades de exportação das empresas realmente comprometidas com a sua responsabilidade económica e social, contemporânea...

Na última reunião da câmara comercial e industrial portuguesa, em Lisboa, havia o debate do maior representante industrial, do ramo cafeeiro e, do seu homônimo da agência de promoção de exportações. Curiosamente Portugal não produz café mas sim, duas de suas antigas colônias imperiais. Na América do Sul o Brasil e, no Sudeste Asiático o Timor, de onde importam, processam, torram e industrializam o grão, agregando valor e comercializando nos mercados interno e externo. Como o faz a economia holandesa, modelo clássico do trading que, é sua às vezes concorrente e parceira, desde os idos anos dos descobrimentos na Idade Média.

Na própria reunião, curiosamente recheada de fatos abordados já há mais de quarenta anos no Brasil, percebe-se uma direta relação simbiótica e inconsciente, da mentalidade empresarial e política mediana entre as tais economias de mercado. Com grande interferência estatal por práticas de subordinação jurídica, burocrática e salarial de todos os intervenientes, principalmente no âmbito do consumidor final. Sendo países de dimensões geográficas semelhantes, se comparadas ao continental Brasil, diferem em muito nas suas representações económicas internacionais e também regionais.

Os Países Baixos estão nas cabeças inclusive salariais e, o Portugal e Brasil, ainda entre os retardatários. O Turismo tem feito frente à este vagarosa evolução e, interfere muito bem na percepção do urgente e urgentíssimo. A grande atuação na importação e re-exportação cafeeira tedesca, helvética, italiana e agora, do exemplo luso, transforma-se na oportunidade econômica atual que se, associada a uma possível finalmente concretização da associação ao Mercosul, reenfatiza sua vanguarda.

As médias e pequenas empresas bem como, algumas grandes e assim sendo porque têm um grande mercado doméstico, geralmente acenam interesses no mercado externo e de exportação, apenas por modismo ou motivação para 'passear'...

Raramente o são por dedicação e comprometimento com a vontade e o conhecimento de suas responsabilidades sociais anteriormente citadas e, que serviriam de contra-ponto ao Estado ineficiente a que criticam porém, em cumplicidade não contribuem.

Segundo as legislações aduaneiras internacionais, das quais o profissional completo de comércio exterior prevê estratégias de desenvolvimento empresarial particular e comunitário, inúmeros mecanismos de incentivo à internacionalização direta e indireta da Diplomacia Económica estão disponíveis, desde nos setores tributários, como o drawback3 e a isenção, até financeiros e bancários. Todos estes, são acordos políticos econômicos internacionais que apenas os dedicados traders e afins, têm acesso ou podem preocupar-se profissionalmente, em tê-lo.

Obviamente que a tal dedicação engloba comprometimentos e escolhas que, desprestigiam outras, mais pessoais. E para isso, há o mercado profissional complementar, diferentemente onde profissionais descapacitados querem mas não podem, exercer desenvolvimento, seja político ou empresarial internacionais, por mais que o queiram. Auto-crítica, preparo, dedicação e principalmente tempo, são ingredientes do sucesso. Ou na falta do mínimo deles, do insucesso empresarial e político que se tem visto recorrente, no seio das economias de mercado semi-internacionalizadas que frequentemente ladram às outras, tentando achar insucessos pontuais, do grandioso sucesso que apanharam nas suas carruagens empreendedoras.

Empresas menores, apoiadas por maiores, associadas em consórcios de exportação, farão então o que a China e os Países Baixos fizeram, introjectados pelos Americanos do Norte que guiaram aos demais inertes, n'umas guerras comerciais ou cambias da dependência, interessantes para ainda manter algum status quo político.

Finalmente, a financeirização global transformada pelo neoliberalismo, permite uma livre circulação dos capitais das exportações e importações que, se bem utilizadas, desagrava este custo politico-financeiro em que Estados menos competitivos acomodam-se, em detrimento do desenvolvimento e progresso económico dos seus mercados nacionais. Uma engenharia financeira cambial permitirá, a alavancagem mais económica dos capitais estrangeiros, que já conhecidos além dos incentivos universais para tributos de exportação, se inibem na compensação de momentos e realidades inflacionárias, causadas pelo protecionismo e a falta de competitividade empresarial.

O hedge cambial servirá como ferramenta financeira de segurança, para possíveis riscos políticos e de oscilação brusca da moeda. A representação fiscal no desembaraço aduaneiro, permitirá a equiparação dos preços finais na pronta oferta do mercado importador estrangeiro, mediante entrepostos alfandegários de interior ou de zona secundária. As receitas internadas, servirão de suporte e continuidade comercial, mercadológica e administrativa para o desenvolvimento e progresso do negócio distributivo em foco. As pequenas exportadoras, ou médias, participam com quotas equivalentes às suas capacidades económicas, disponibilizando mercadoria 'delivered duty paid'4 para entrega direta imediata, em iguais capacidades competitivas aos concorrentes e substitutos, no mercado doméstico final, estrangeiro.

Terão assim, potencial geométrico de crescimento operacional, reduzindo preços e custos também para o mercado original, com suas produções e equilíbrio de custos marginais. Ao eximir-se da oportunidade cambial de progressão, o empresário nacional restringe-a numa progressão menor, aritmética apenas. Por conseguinte, já estará ao nível de embate tecnológico, profissional, comercial e financeiro-económico que entendia, como o mínimo para poder requerer suas contrapartidas públicas, sindicais, políticas e empresariais que julga ter direito. Faz e proporciona crescimento e desenvolvimento sócio-económico no meio-ambiente que explora e por obrigação, não menos que por consciência, protege, defende e compartilha. Talvez assim, uma maturidade empresarial e política, alcance o novo estágio em que se faça necessária a tal paz permanente, que persegue. Do contrário, só será mais blá blá blá...de mudos, pra surdos!

Notas

1 Lisbon Press International.
2 Missão Dubai.
3 Exportação de importados.
4 Termos de comércio internacional.