No dia 18 de novembro, o Banco Central por meio de seu presidente, Gabriel Galipolo, decretou a liquidação extrajudicial do Banco Máster e congela todos os bens dos controladores para reaver os prejuízos a correntistas. Trata-se de uma crônica de uma morte anunciada. O Banco prometia valores de 160% e até 180% do CDI, algo que já era visto com desconfiança pela falta de lastro na realidade em cumprir esse tipo de promessa. Sendo o CDB, uma espécie de captação de crédito do Banco. Era bem claro que a possibilidade de as contas não estarem em dia com relação ao Banco Master.

Sendo necessário buscar uma fachada de liquidez para o Banco. Nisso houve movimentação do controlador da Instituição Falida, Daniel Vorcaro, para fazer esse tipo de movimentação. Com seus contatos ligados a Brasilia, ele foi tentou buscar a venda do banco junto ao BRB. O BRB serviria como fachada de liquidez para um banco com ativos totalmente podres e com contas totalmente desequilibradas frutos de uma aventura ligado ao seu proprietário Daniel Vorcaro.

Temos de ser muito gratos pela existência da autonomia. Uma vez que caso concretizada a venda do Master para Banco BRB. A população pagaria uma conta muito alta e diretamente voltada a ligação do Banco BRB com Banco do Brasil, Governo Federal e Governo Estadual do Distrito Federal.

Para se ter um entendimento claro da situação. Vamos dividir a situação em danos ao erário público e danos ao sistema financeiro brasileiro. Vamos começar pelos danos ao erário público. O Banco BRB é propriedade do Governo Federal e do Governo Estadual do DF. Incluindo fundos de Pensão do Banco do Brasil e fundos de pensão de Funcionários do Distrito DF.

Ou seja, a destruição desse banco para dar aparência de liquidez para o controlador temerário do Banco Master geraria uma destruição sem precedentes nas contas de ambos os governos. Afinal essa fraude ficou em 42 bilhões, mas poderia subir com o tempo. Até porque essas operações iriam continuar. Uma vez que ninguém impediu o Vorcaro de fazer isso e ele tinha relações estreitas com poder em Brasília. Ajudando muito nessa situação absurda. Gerando problemas gravíssimos na concessão de aposentadorias. Porque esse escândalo é muito grave no lado sistêmico e mercadológico. Simplesmente, é pelo Banco do Brasil ser um dos proprietários do Banco BRB. Banco do Brasil, por sua vez tem como donos de suas operações, O Fundo Vanguard e o Fundo BlackRock, ambos têm grandes colossos do Capitalismo de Estado Brasileiro.

Por parte do Fundo Vanguard, há apenas ações da segunda maior estatal do Brasil, Petrobrás. Além de ter em seu Portifólio, a Itausa, a empresa de participação do Itaú. Detém ações do próprio Itaú, mais conhecido como maior banco privado do Brasil e maior banco do Brasil em valor de mercado e contas abertas. Por parte da Mãe da Política ESG, a Blackrock tem ações ligadas a Vale e ao próprio Itaú. Havendo um problema sério nas contas do BRB. Os Sócios do Banco do Brasil junto com Governo Federal teriam de fazer desinvestimentos e muitos desse desinvestimentos gerariam prejuízos gravíssimos aos caixas das empresas. Podendo levar a um sério efeito cascata.

Uma vez que dentro de um dos players de mercado (Sócios do Banco do Brasil) tem as maiores empresas representantes do capitalismo de estado brasileiro na sua essência. Nessa questão está o risco excessivo citado pelo Banco Central na hora de rejeitar a compra. Façamos a seguinte analogia: o Banco Master era um cadáver infectando uma pessoa saudável com COVID-19 (BANCO BRB). Essa pessoa saudável saiu abraçando e conversando com todo mundo. Como se nada estivesse acontecendo. Causando uma Epidemia. Como a fusão não aconteceu. Esse efeito dominó foi menor. Porque é mais fácil de tratar um BRB doente e o Banco Master é pequeno perante o mercado. O risco sistêmico cai consideravelmente com a liquidação do Banco e a auditoria no BRB.

Fere de morte qualquer apuração. Quando o Dias Toffoli retira de competência da justiça brasileira nas instâncias inferiores e concentra a operação toda no Supremo Tribunal Federal. Uma vez que sabemos das relações de Vorcaro com o mundo político. Estando numa suprema corte politizada. Como é o caso da Suprema Corte Brasileira. Isso ocorre muito em virtude das escolhas ruins dos brasileiros em matéria de voto e das escolhas de presidentes da república escolhidos pelo eleitorado brasileiro. O que se percebe nessa situação? É o medo de se revelar detalhes sobre esse escândalo. Onde pode incluir grandes nomes da política brasileira.

Portanto, essa fraude expôs fragilidades sérias ligadas ao sistema financeiro do país e o quanto pessoas bem influentes podem, mesmo com o Banco Central Autônomo, causar danos ao sistema financeiro do país. A autonomia é, na minha visão, a medida mais assertiva da política brasileira. Uma vez que caso não existisse autonomia. Era mais que certo, de que a Aquisição teria sido autorizada pelo BACEN. Extraio essa hipótese da ideia pura e simples, de que se o controlador do Banco Master conseguiu prorrogar a vida de um banco notoriamente falido por bastante tempo. O Banco Central é autônomo desde 2019. Imagine com as influências políticas mais fortes dentro dessa instituição sexagenária. Sendo assim, não restariam dúvidas de que o patrimonialismo exagerado das autoridades brasileiras levaria esse caminho nefasto para todo o país.