No dia em que completei os tão temidos trintas anos, pelo menos para mim, até então, escrevi um textinho no meu Instagram que falava sobre renascimento e coisas novas.
E é como eu me sinto. Renovada, como se a vida finalmente tivesse tomado um rumo novo.
Pode parecer besteira para algumas pessoas, mas para mim realmente foi um divisor de águas. Comecei a focar mais naquilo que eu quero e menos no que eu não quero. Isso me fez chegar a algumas conclusões e enxergar com outros olhos algumas coisas que talvez eu já estivesse considerando, mas não tinha coragem de assumir para mim mesma e que demorei um bom tempo para tomar coragem de deixar para trás.
No meu primeiro artigo aqui na Meer, eu falei sobre os novos começos, o instante antes do primeiro passo. Escrever esse artigo me ajudou a entender que existem medos e ideias antigas que eu ainda carrego. E que é claro, preciso trabalhar e desapegar.
Chegamos aos trinta pensando mais no tempo “perdido” do que no tempo que temos pela frente e no que podemos fazer de melhor agora que temos uma cabeça diferente e mais maturidade.
Os anos que permeiam os trinta são de muitas cobranças. As pessoas acreditam que existe uma idade certa para você casar, ter filhos, formar uma família.
Fora a tendência que vem crescendo na internet de afirmar que as mulheres depois dos trinta, e principalmente se estiverem solteiras, estão acabadas e fora do prazo de validade. Eu dou muita risada quando vejo isso, não é algo que me ofenda, não fico brava nem discuto, só dou risada mesmo.
É engraçado pensar que nunca estive melhor, mais madura, mais focada naquilo que eu quero e fazendo escolhas mais inteligentes.
Mas no fim, será que é isso que incomoda as pessoas?
Eu passei grande parte da minha vida me preocupando com o que as pessoas poderiam pensar das minhas escolhas. Dediquei dias, semanas e até mesmo anos me preocupando com o que falariam se eu tomasse determinada decisão. Essa atitude me tomou bons momentos, que infelizmente não posso ter de volta.
Mas o que a maturidade tem me ensinado é que preciso lidar com tudo isso, porque pior do que o que os outros vão pensar é o que eu penso sobre mim mesma. E preciso entender que a minha opinião é a única que importa. Se eu tomo minhas decisões baseadas no que eu estou sentindo, então está tudo bem.
Quando eu completei dezoito anos os trinta pareciam distantes. E eu tinha certeza que a minha vida estaria resolvida e não precisaria mais me preocupar com muitas coisas.
O que não é verdade. E tudo bem, não há problema nenhum em não ter todas as respostas ou resoluções.
E para mim é essa lucidez que os trinta trazem. Saber dosar, entender que o que passou não tem mais volta e que daqui pra frente o caminho precisa ter mais do que eu quero e menos do que os outros esperam de mim.
Talvez os meus primeiros textos soem até mesmo repetitivos, mas não são mentirosos. São os meus sentimentos que reprimi por muito tempo. Eu diria que num primeiro momento, que eles na verdade, se complementam.
Eu não poderia começar essa nova aventura sem me expor um pouquinho mais, coisa que tentei não fazer, mas percebi que escrever é isso, sou eu, as palavras não existiriam se não fossem as minhas vivências.
Foram anos até me sentir bem com as minhas escolhas, até entender que eu não quero seguir os mesmos passos de outras pessoas. Que o sucesso não tem fórmula. Podem existir alguns atalhos, sim. Mas isso não quer dizer que exista uma receita.
O caminho do outro não é o meu. Os sentimentos, ideias, ideais, medos, angústias e até mesmo as conquistas, nada disso é meu. Se não os meus próprios anseios e minhas próprias vontades.
E essa realização não aconteceu no primeiro minuto do dia em que fiz trinta. Ela foi sendo construída ao longo dos últimos anos, e quanto mais eu me aproximava do meu aniversário, mais fui tendo certeza das mudanças que eu desejava fazer.
O mais importante para mim é a ideia. Quando ela aparece, quando começa a se mostrar, naquele incômodo numa quarta-feira à tarde, você sente que algo está vindo à tona, que os velhos padrões não servem mais.
Então começa arrumando as gavetas, tirando algumas peças do cabide. Aceita que muitas coisas já não te servem mais.
E assim vamos tirando aquilo que não nos pertence. Tudo o que fomos acumulando, pegando e guardando, pensando que talvez um dia serviriam.
Isso serve para roupas, sentimentos, escolhas...
Não quero em nenhum momento soar arrogante ou dona da verdade. Guardei tudo isso porque eu quis, eu admito minhas falhas tanto quanto as condeno.
Eu só não carrego mais comigo aquilo que eu não quero ou que não é meu. Não levo ou pelo menos vou me esforçar para não levar, sentimentos e verdades que eu não quero.
Não me importa se eu parecer egoísta ou individualista. A minha ideia é ser assim mesmo. Se respeitar o que eu sinto e colocar limites onde antes não havia nenhum pode soar mal, tudo bem. Como isso vai parecer para os outros, bom, eu não faço ideia e também não vou perguntar. Vamos deixar que as coisas sejam como elas são.
Vamos nos libertar da ideia de agradar quem não quer nos agradar. Vamos aproveitar a coragem que um novo ano nos trouxe. Reposicionar o que for necessário e colocar o que for preciso no seu devido lugar.
Essas são as minhas resoluções, que eu não diria serem apenas de um novo ano, mas de toda uma vida. Demoraram para chegar, mas vieram no tempo certo.
E no final das contas, os trinta podem ser apenas uma desculpa que eu arrumei para jogar bastante coisa velha fora.















