Sempre foi e será difícil vencer as eleições em Moçambique enquanto a máquina eleitoral estiver sob o controlo dos libertadores. É triste assistir a este espetáculo barato: tantos investimentos em eleições que, de antemão, já se sabe quem será o vencedor. Em Moçambique não existe qualquer eleição que obedeça à transparência e justeza ao sabor da democracia, tudo está conotado à fraude propositada para favorecer os libertadores que fustigam as expectativas do povo e atrasam não só o desenvolvimento do país, mas também o florescimento de qualquer tentativa de democracia nesta pátria. A justiça eleitoral está à margem da democracia.
Os fantasmas da guerra tornaram este povo à mercê da ideologia libertadora, que castiga a sua mente com o eco das armas e com promessas falsas de desenvolvimento. A oposição foi aliciada com promessas de paridade na gestão da máquina eleitoral e, com os desejos mais profundos de riqueza e benesses, foi atraída para uma armadilha da qual já não consegue sair nem fazer nada. Mesmo dentro da máquina eleitoral, com o tempo, as mordomias, luxúrias e acordos secretos foram fazendo parte de suas vidas, e esqueceram-se da sua missão de oposição e guardiões do povo.
Fizeram contrato com o diabo e hoje simulam ecos de arrependimento para esconder a alegria do bem-estar que a máquina lhes propicia. Cadê o futuro melhor para o pobre povo? Os patrocinadores desta vergonha vestem a capa de bons samaritanos diante do massacre da democracia. Para quê patrocinar causas que não trazem agrado ao povo e em nada contribuem para o desenvolvimento da democracia que este povo tanto precisa?
Os ocidentais, ao patrocinarem as nossas eleições, será que acreditam que isso é democracia, ou é o que de facto queremos ou merecemos? E se fossem eles no nosso lugar, sentiriam gosto por isso? Será que ainda não perceberam até hoje que, desde a segunda república, nós somos escravos de um grupo de interesse bem identificado, que usa a capa de uma democracia dominadora e manipuladora e, a belo prazer, faz das suas, pois considera que este país é dele e que o povo lhe pertence?
Não vejo necessidade de continuarem a patrocinar eleições se sabem que aqui não existe democracia alguma e nem um pingo de vergonha. Será a mesma democracia que eles têm em sua nação? Será o mesmo modelo eleitoral democrático? É assim como realizam as eleições em suas nações? Os nossos resultados eleitorais, será que servem de algum balanço positivo para eles, ou justificam os balúrdios de dinheiro que patrocinam a nossa desgraça eleitoral e afundam a nossa esperança de liberdade e democracia?
Nós não somos parvos. Se querem nos ajudar, venham construir escolas, habitação, hospitais, estradas, entre outros, e deixem de patrocinar a máquina assassina da democracia. Nós também queremos a vossa democracia. Enquanto os ocidentais continuarem a alimentar a máquina eleitoral assassina da democracia, aqui nunca teremos paz e muito menos transparência: os nossos processos eleitorais serão sempre conflituosos e sem nenhum progresso.
Mais do que patrocinar a máquina eleitoral, os ocidentais deveriam preocupar-se em saber como funciona a máquina eleitoral que patrocinam, quem são os gestores da mesma e que resultados a nação precisa de cada eleição que se realiza. Ou, ainda, se vale a pena continuar a acreditar neste processo no modelo em que se apresenta. Para o bem da verdade, há uma necessidade urgente de rever a lei eleitoral e abrir um campo para que os diferentes atores da sociedade tenham espaço e voz na gestão da máquina, permitindo maior transparência e democracia nos processos eleitorais.
Pois, em nada vale realizar eleições que, a priori, estão em descrédito, e cujo resultado final também não terá validade. Os seus eleitos não terão legitimidade de poder, como temos assistido nos últimos tempos: líderes à força da vontade popular. Hoje, como nunca, Moçambique vive um caos patrocinado pela máquina eleitoral dos libertadores, com a ajuda, como sempre, do Ocidente, que legitima governos oriundos de eleições fraudulentas.
Exemplo disso são as eleições de 2024, que já fizeram até então mais de 924 mortes, como consequência da atitude deliberada que usa balas verdadeiras para dispersar manifestantes que contestam a fraude gigante. Temos um governo que se forjou à custa da força e do uso dos meios ao seu poder para calar e silenciar vozes que soam contra a ilegalidade aqui imposta, legitimando um governo insolente e não aclamado pelas massas populares, que viram seu voto desrespeitado em favor da continuidade de um regime opressor.
Este regime recorre à polícia e a outras forças militares para se manter no poder à margem do voto popular, causando indignação sobre o papel das eleições no contexto da democracia e, sobretudo, sobre a importância do voto para o fortalecimento democrático. Assim, vai o governo forçado, tentando governar com manifestações diárias e desobediência civil que causam mortes diariamente.















