A Beleza Salvará o Mundo, já dizia Dostoiewski, renomado autor russo, nascido no séc. XIX e famoso por seus diversos romances, entre eles O Idiota, Crime e Castigo, O Sonho de um Homem Ridículo, Gente Pobre e Os Irmãos Karamazov. Uma frase forte e sincera que representava muito do que lhe ia na alma. Mas, afinal, seria a beleza realmente capaz de tal proeza? Bem, diria eu, que esta é sim uma verdade que nos persegue.

Somos ou não somos a todo tempo atraídos pela beleza? E como beleza aqui, Dostoiewski não se referia apenas a beleza concreta, aquela que percebemos com os olhos, mas também, e sobretudo, a beleza vinda de dentro. Em seus romances se aprofundava nas zonas mais obscuras e perversas do ser humano para que diante disto a beleza pudesse ser alcançada. A beleza que se revela através do amor e da bondade após ser despertada pela dor e sofrimento.

Beleza, muito mais do que padrão estético se revela das mais diversas formas e tem muitas vezes um contexto ético e religioso. Representa o ser como ele verdadeiramente é, no seu eu mais profundo. Sem máscaras e sem filtros. Não uma beleza construída e artificial que do ser nada irradia, mas uma beleza pura e verdadeira porque nasce naturalmente, sem encenação ou artimanhas.

O mundo hoje assolado por guerras e conflitos nos apresenta sua face mais dura e cruel que de belo nada tem. Lutamos por poder e cobiça. De tudo somos capazes em prol daquilo que desejamos, mesmo que a dor e o sofrimento sejam o preço a pagar. Matamos e morremos e nisto nos distanciamos cada vez mais da empatia, da tolerância, da bondade e do amor. Uma história que se repete através dos séculos e continua a devastar tudo e todos, sem nenhuma piedade. O líder que ordena a matança, o homem que rouba e amedronta, ambos mostrando sua face mais escura e egoísta.

Ao contrário da beleza que tem seu valor em si mesma. É gratuita e sem interesse. “O lugar onde Deus brilha”, sua tradução em sânscrito, que representa de forma majestosa o poder que possui.

E se faz brilhar também nos atrai... A beleza presente no dia-a-dia, aquela que se esconde nos detalhes. Voltemos nossa atenção aos detalhes. Não são necessários grandes atos, mas um conjunto de pequenos gestos para que ganhe força e se perpetue. Pare para observar a natureza ao seu redor, a beleza de uma flor que desabrocha, as folhas em suas variadas tonalidades, as nuances do céu no crepúsculo. E ao parar para verdadeiramente observar sinta e perceba os sentimentos que lhe traz. Basta se permitir.

São estes os sentimentos, os despertados pela beleza, dos quais mais estamos carentes. Talvez porque na aceleração e na pressa diária não mais tenhamos tempo para percebê-los, mas na verdade o tempo quem dita somos nós. Tempo... Esta cronologia inventada pelo próprio homem, que também o aprisiona e o limita. Retome o rumo de sua própria vida. Enquanto você se deixar levar pela correnteza será apenas mais um no meio do oceano lutando contra as ondas para continuar a respirar.

Res-pi-rar... Um ar menos denso e mais sutil, onde o belo possa voltar a florescer. Sem comparações, sem mostrar nada a ninguém, sem preocupar-se com julgamentos, porque o belo por si só já é suficiente e feliz aqueles que são capazes de compreender. Quem você é quando ninguém está olhando? Nesta resposta mora sua verdadeira essência. Questione-se e pense a respeito. E se a resposta lhe incomodar talvez seja hora de agir e mudar aquilo que é necessário. Estamos aqui com um motivo: evoluir. Aprenda com seus erros, porque errar é inevitável, mas insistir no erro é opcional.

Ao resgatar suas memórias mais doces, perceberá que muitas delas são fruto da infância, de uma época onde o tempo tinha outro significado, não era uma preocupação, era um amigo. As horas se estendiam vagarosas, os momentos tinham significado, vivíamos experiências com mais presença e a beleza emergia com maior facilidade.

Talvez esta seja a solução, desacelerar para de fato viver, ao invés de apenas existir.

Busque a beleza dentro de você, aquela mais pura e sincera, que reverbera e ilumina, e também a beleza que existe ao seu redor, no cotidiano, nos momentos mais simples. Quando nos cercamos do belo e daquilo que nos faz bem atraímos mais daquilo para nossas vidas e vibramos nesta mesma frequência, criando um espiral de boas energias e amorosidade. Algo essencial para o mundo atualmente. E assim, como disse Buda: “Ao cuidar de si mesmo, você cuida dos outros. Ao cuidar dos outros, você cuida de si mesmo.” Que essa simples e importante lição possa ressoar dentro de cada um de nós para que possamos voltar a fazer do mundo um lugar mais belo e melhor para todos.