A Belas Artes inaugurou no dia 20 de maio de 2022, 4 anos atrás, um campus dentro do shopping Cidade Jardim. Sendo o primeiro nesse estilo na capital. Vamos entender um pouco. O que essa renomada instituição quis fazer ao idealizar esse campus, entender um pouco sobre a história da instituição e como a BA se posiciona perante os seus concorrentes como marca e instituição.
Vamos primeiro entender o seguinte. A faculdade teve uma mudança de posicionamento após os anos 2000, quando passou a se modernizar após a entrada do curso de Publicidade e Propaganda. Houve a necessidade, por parte de entes da Família Gomes Cardim, de se conectar com as demandas dos novos tempos. São elas ligadas à equidade de gênero, equidade etária, novas tecnologias, economia criativa e outros temas muito fortes após a virada do milênio.
Fundada por Pedro Augusto Cardim em 23 de setembro de 1925 com o nome primitivo de Academia de Belas Artes de São Paulo, a instituição sempre teve um enfoque no ensino artístico. Isso ainda perdura até hoje, mesmo havendo cursos como Psicologia e Relações Internacionais.
A ideia do campus da Cidade Jardim é contemporânea à ideia da fundação do campus vivo. O campus vem em cima da ideia da economia criativa, com oficinas, palestras e outros eventos para fortalecer essa questão. Algo que passou a ser o foco na Belas Artes nos últimos 25 anos.
Observo um enfoque em oferecer um campus moderno e sofisticado para os seus alunos, algo que se alinha com a proposta da Belas Artes de ser alinhada com tradição e modernismo. Nesse campus há a oferta de Branding e Marketing de Luxo, Design de Joias, Gastronomia, Fotografia, Design de Animação e Design de Moda. O que combina muito com as lojas do shopping e a localidade do campus e do shopping.
O que me chama atenção é a ousadia da instituição em instalar um campus dentro de um dos shoppings mais caros do Brasil e de SP, visando passar a imagem de faculdade alinhada aos anseios modernos e com formação de profissionais de qualidade para uma das mais renomadas instituições do Brasil.
Percebo claramente a ideia de montar um campus para esses novos desafios. Isso é visto no público-alvo desse campus. Uma vez que, ao frequentar o campus, vê-se a presença de um recorte bastante incomum. É a presença de um campus feminino e da Geração Z. Algo que a Belas Artes fez pensando nessa construção de entender as novas demandas do mercado de trabalho e do mercado de luxo.
Uma vez que a comunicação com a Geração Z não tem sido fácil para o mercado de massa. Em certa medida, isso é bastante razoável. No caso do luxo, nem se fala. No mercado da moda há uma constante alteração no lançamento de produtos. Isso é oriundo das preferências voláteis de pessoas dessa faixa etária. Isso vem muito ao encontro da ideia de projetar esse campus.
O predomínio da tecnologia no campus é frequente e creio que seja futuramente expandido, gradativamente. Não se encontra nenhum tipo de experiência semelhante em outras faculdades e instituições respeitadas no Brasil. Podemos dizer que se trata de uma experiência exclusiva, simbólica e à qual poucos conseguem ter acesso.
De alguma maneira, é um campus totalmente divergente de tudo o que existe em SP e no Brasil. Inclusive, é divergente dos campi de outras instituições. Isso acontece por onde ele está inserido, pela escolha das graduações e pós-graduações e pela capacidade de acesso a esse shopping e a essa instituição.
A instituição não perde seu ar tradicionalista ao montar um campus com tantas peculiaridades. Afinal, continua sendo uma instituição respeitada e formadora de bons profissionais para a criação das maiores agências de publicidade no Brasil. Não deixando de ser uma faculdade tradicional e controlada pela mesma família por dez décadas, com cursos de formação muito robusta. Mas a faculdade coloca um pé no modernismo e abandona de vez a imagem tradicional ligada à marca de antes dos anos 2000. Esse campus compõe parte dessa ideia.
Percebe-se uma necessidade diferente de outras instituições em se afirmar como moderna. Seu posicionamento de marca se contrasta muito com a FAAP, com cursos muito parecidos com as especializações e graduações desse campus. Notoriamente, essa visão não partiu do reitor Paulo Cardim, uma vez que ele tem visões mais tradicionais ligadas à educação. Presumo que essa ideia partiu da diretora-geral, Patricia Cardim.
Algo que ilustra muito esse conceito de campus vivo, economia criativa, criatividade e esse campus-conceito e seu público peculiar é a frase da diretora-geral, Patricia, na entrevista ao Economia UOL: "Nós acreditamos que a criatividade pode ser ensinada. As técnicas são variadas, mas ela pode ser ensinada. Nós educamos a criatividade".
Portanto, esse campus dentro do shopping Cidade Jardim (inaugurado em 2019 e ligado à JHSF, da Família Auriemo) vem nessa esteira da formação de profissionais criativos. A oferta do curso de Pós-Graduação em Branding e Marketing de Luxo vem nessa esteira de formar profissionais criativos nessa área, e o público feminino e ligado à Geração Z viria atender às demandas do mercado de trabalho de olho na equidade e na política ESG.















