Depois da crise bancária nos Estados Unidos, no final da primeira década deste século, uma ferramenta econômica internacional se fez necessária — ou mais — para as devidas correções e ajustes micro e macroeconômicos de reequilíbrio. Ou ainda elevar ao próximo nível evolutivo e de progresso da economia mundial.

Entretanto, quando temos o multinacionalismo econômico, jurídico e administrativo internacional com as suas diversas matizes, regras e autonomias independentes, este acerto sempre será democrático. Quando não, a força, democraticamente, o fará. A mão invisível do Estado é quem comanda e regula todas as economias, através de acordos diplomáticos ajustados na ONU e OMC, organizações estas supranacionais.

Não haverá porém, correções desinteressantes que recuperem as desvalorizações internacionais equivocadas d'uma economia, em detrimento ou favorecimento de outra. Seus líderes, sejam incompetentes ou não, fortes ou não, que suportem. O coitadismo populista será frequentemente a arma usada como justificativa ilusória, para o leigo desinformado. Preferem acreditar no famoso teatro, de palhaços na plateia.

O néscio¹ sempre encontrará justificativas e desculpas complicadas ou elaboradas. A inflação, sempre se soube: é a arma de desvalorização da dívida estatal. Por outro lado, a correção monetária é a compensação permanente desta arma populista e infrutífera, que estimula incessantemente a outra, num também tal mercado néscio.

Se os líderes políticos reguladores de um mercado nacional são mais fracos que os outros, ou informalmente interligados, desfavorecem-se por negligência e incompetência. O néscio povo nem perceberá. Entretanto, em inglês ostentará. Seja nos nomes das empresas, dos termos administrativos e econômicos com que iludirá, inclusive no seu analfabetismo e fluência idiomática. Disfarces enfeitados dos ditos palhaços, na plateia teatral.

Naquela crise fraudada pelos próprios aplicadores — ditos investidores — financeiros em mercados imperfeitos, alavancou-se cambialmente para, futuramente com inflação enxugar a emissão cujo capital monetário foi o salvador.

Governos populistas integrados naquela economia digital prematura, recorreram ao swap cambial para auxiliar no equilíbrio econômico internacional. O swap cambial e o hedge, são os seguros financeiros contra a valorização ou desvalorização cambial desmedida ou emergencial, derivadas de algum desequilíbrio forte na economia do acaso.

Portugal e Brasil, já que escrevo em português, foram vítimas ou cúmplices desta ferramenta que ajudou a sustentação de tal desequilíbrio. No Brasil, era inconstitucional e foi regulamentado pelo Congresso Nacional apenas em 2021. Em Portugal, o Primeiro-Ministro de então continua respondendo aos efeitos disso tudo.

O pequeno e médio aplicador, daquela classe de palhaços que é a plateia néscia, aplaude em arroubos coletivos sem saber ao quê e confunde a malta de rebanho adepto. As minorias conscientes e incomodadas, que se mudem. E emudeçam também.

Portanto, o Estado incauto de néscios funcionários públicos e privados, rouba os contribuintes e a si próprio hoje, para depois, em precatórios jurídicos desvalorizados devolver, e se devolver, com uma devida correção monetária cambial duas, três ou seis vezes menor do que quando o valor do evento foi equiparado naquele episódio cambial equânime, vinte ou trinta anos após.

Os néscios afluentes do inglês foram dragados pelo idioma mal traduzido nos noticiários dublados. Continuam e continuarão a defender o indefensável, escondendo uma vergonha desavergonhadamente incompetente.

Eis que me surgem em frente um juiz de direito e seu assessor, a me dizerem que sim, que numa sua análise inventarial de bens imóveis de familía brasileira — terra dos superjuros e do viciante pavor coletivo inflacional — vinte anos após, a tal valorização foi nula.

Traders não precisam calcular muito. Adeptos das variáveis crises econômicas, cambiais e financeiras nacionais e internacionais avaliam isso rapidamente, num piscar de dois olhos.

Os turcos e russos, é bom saber, ladeiam esta contemporânea posição brasileira no ranking dos superjuros.

Aquilo que havia sido extinguido ainda nos anos 90 — como já foi também um famoso pavor alemão de inflações — ressuscitou-se no pavoroso Brasil, varonil.

Como se conseguirá agora 'desgovernar' essa economia, sem aqueles conhecidos viciantes fantasmas de outrora, mais que desconhecidos da geração moderna e da economia, se a desaprendem outra vez?

Regrediu da estabilidade, para uma nova financeirização de incorreção monetária, como numa roleta russa viciada em juros de processo inflacionário improdutivo.

De volta ao passado, refazem cálculos de um dólar que já fora equiparado ao real porém, tributado cambial, será o desvalorizado salarial que magicamente some com os zeros decimais e de milhar, para ressurgir nas contas dos risonhos acionistas estatais.

Aquele contador empresarial que desviava o tributo estatal em seu próprio favor, também teve proteção judiciária improdutiva no caso da desvalorização penal corretiva que, décadas posteriormente, não corrigiu nada e atrasou o empresário privado e contribuinte, que era o real multiplicador do capital e um alquimista do mercado exportador internacional.

Vão-se os anéis, ficam os dedos! É o lema deste novíssimo Casino Brazé?

Quando se estimula uma aplicação financeira baseando-se num juro excessivo de inflação passada, inibe-se o risco saudável alimentando improdutividade pública e privada, viciando contribuinte e Estado numa hipótese financeira futura artificial e irreal de ócio desestimulante, como é a expectativa da cenoura inalcançável, em que o pangaré acredita, apenas por ter fé.

O swap cambial faz o mesmo com as exportações e importações, mas de maneira imediata e direta nos preços, que recompensariam todo um planejamento internacional, em que, dependendo do nível de esforço, nunca mais volta.

Notas

¹ Do latim: "ignorante", "estúpido" ou "incompetente".