Todos os anos, sem exceção, Portugal sofre com o flagelo dos incêndios. Também ano após ano, os nossos governantes desprezam o assunto, mas a verdade é só uma: o país arde cada vez mais, pessoas ficam feridas e sem os seus bens e, no pior dos casos, resultam mortes. Quando é que isto para? Quando é que deixam de fazer do sofrimento de uns a glória de outros? Porque sim, os incêndios tornaram-se um negócio como outro qualquer. Se a madeira queimada não vendesse na mesma, apostaria que os incêndios diminuíam a olhos vistos.
O impressionante da situação é que, de ano para ano, os incêndios tendem a aumentar e as medidas de prevenção e de punição ficam sempre por tomar. É sempre para o ano. No próximo ano, os meios vão melhorar, as medidas de prevenção vão ser colocadas em prática muito mais cedo e os responsáveis por tais crimes vão ser castigados severamente. Mas é sempre para o ano… porque este ano, já não há nada que se possa fazer, já ardeu. A floresta está destruída, os animais mortos e sem habitat natural, as pessoas ficam sem o seu ganha-pão ou chegam mesmo a perder a vida, para tentar salvar o que demorou uma vida a ser ganho.
Como é que os governantes deste país não veem isto? Porque é que não são tomadas medidas que protejam a floresta e quem dela vive? Porque é que se gastam milhões de euros em meios, que quando são precisos teimam em não funcionar? Porque é que se fala da prevenção depois do mal-estar feito? Não compreendo. Não sou ninguém para falar nem entendida. Sou apenas uma jovem, de entre tantos outros descontentes com o que se passa neste país.
Na altura de maior aperto durante os incêndios há sempre um escândalo, ou são os meios inexistentes ou SIRESP (Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal) que deu o berro, como tem sido hábito, apesar do muito dinheiro que os contribuintes lá metem.
No ano passado, em 2025, também se voltou a verificar a falta de meios, o SIRESP continuava na sua insignificância e inoperacional. Mais do mesmo. Para além disto, Portugal viu a arrogância do seu governante mor, bem como do partido que o sustenta. Estava, literalmente, o país a arder, mas o Sr. Primeiro-Ministro não se deu ao trabalho de interromper as suas benditas férias para se colocar ao corrente do que se passava no país. Achei de uma falta de noção e arrogância atroz, não só com quem votou nele, mas sobretudo com as pessoas que estavam aflitas e com medo de perder tudo. Só depois da comunicação social e, bem a meu ver, mostrar a bendita descontração do governante do país é que, finalmente, dirigiu uma palavra ao povo, mas não deixou de espicaçar o setor por mostrar o que não lhes convinha.
Os beijinhos e os abraços não devem ser dados apenas na altura das eleições. Senhores políticos, não é só receber o voto! É preciso fazer coisas concretas, é preciso ir à raiz do problema e encontrar soluções. Mas lá está, Portugal não está para isso. Em Portugal, a máxima é deixar para amanhã ou para quem viver depois. Consequentemente, os cidadãos vão assistir às sessões no plenário e deparam-se com uma troca constante de acusações e, mais recentemente, insultos entre os deputados que nem é bom. Um bom exemplo disso, é nos incêndios. A direita diz que a culpa é da oposição e vice-versa. Senhores deputados, o povo já sabe que ambas as facções políticas têm culpas no cartório. Já nem questionamos isso.
Parece que de há uns anos para cá, as sessões na Assembleia da República servem para tudo, menos para o que se deve: resolver os problemas das pessoas. O mínimo que se pede é que, em vez de concordar em discordar em tudo e andarem numa troca desenfreada de insultos, procurem encontrar soluções para os problemas das pessoas e do país.
Hoje, falo do problema dos incêndios como poderia falar de outro qualquer que afeta o nosso país e as nossas gentes. Não é por falta de escolha… Quanto aos incêndios, considero que a prevenção não é feita no devido tempo e que as penalizações são uma brincadeira para quem ateia fogos - quase, se não mesmo, como se os fizesse atear ainda mais fogos às florestas. Porque depois é a velha história: quando são apanhados, a grande maioria é considerada doente mental ou é presa e, passados alguns meses, é libertada por bom comportamento. No ano seguinte voltamos ao mesmo, mais incêndios. “Vira o disco e toca o mesmo”.
Cada vez mais tenho a certeza de que os castigos não são eficazes o suficiente. Vamos deixar o país arder de uma ponta à outra e depois fazemos o quê? Esperamos que a União Europeia mande mais dinheiro a fundo perdido para construirmos o país novamente? Sempre ouvi dizer que os favores ficam caros… E sempre ouvi dizer que, se queremos as coisas bem feitas, devemos ser nós a fazê-las e não esperar por ninguém. Com os incêndios, acontece o mesmo: se queremos menos área ardida este verão e nos anos vindouros, o país tem de agir e quem manda tem de ter mão de ferro com os infratores e com os facilitadores.















