O Museu Nacional de Belas Artes inaugura, no dia 8 de julho, às 18h, a exposição Adriana Bustos. Carta natal: as origens cósmicas do Museu, que apresenta nas salas do primeiro andar uma obra especialmente encomendada à artista argentina para celebrar os 130 anos da instituição.

Na mostra temporária, com curadoria de Mariana Marchesi, é exibido o desenho monumental Carta Natal do Museu Nacional de Belas Artes — realizado com o apoio da Arthaus —, no qual Bustos traça um zodíaco pessoal por meio de releituras de diferentes obras da coleção, muitas das quais também poderão ser vistas na sala.

Além disso, a exposição apresenta o vídeo Plutão na casa de bombas, que recupera a memória dos reservatórios subterrâneos do edifício, e o desenho Planisfério Celeste do Museu, doado pela artista nascida em Bahía Blanca à coleção do Museu.

“Uma obra que contém todas as obras. Essa premissa, em chave borgiana, sintetiza a criação mais recente da artista argentina Adriana Bustos”, afirma o diretor do Museu, Andrés Duprat. “A artista organiza mais de sessenta imagens da coleção segundo uma ordem que entende como cósmica. De cada peça, escolhe alguns traços, passagens e detalhes, e os redesenha. Fragmentos selecionados de pinturas, esculturas e objetos que, pela primeira vez na história da instituição, se apresentam em proximidade geográfica e conceitual, estabelecendo diálogos que atravessam tanto o tempo físico quanto o dos movimentos artísticos.”

“A obra de Bustos representa uma oportunidade de aprofundar a missão do Museu: acolher e tornar visível a arte produzida em cada período histórico e, ao mesmo tempo, ampliar as interpretações suscitadas por seu patrimônio centenário”, acrescenta o diretor.

“Quando foi convidada a conceber uma obra para celebrar os 130 anos do Museu, Bustos propôs recorrer à astrologia, um saber ancestral que lhe permitiu reorganizar e constelar as mais de 14 mil peças que compõem a coleção”, explica a curadora Mariana Marchesi. “Para realizar essa tarefa, a artista recorreu à metodologia rigorosa que caracteriza sua produção: a pesquisa como princípio orientador e o dispositivo cartográfico como forma de organizar suas narrativas.”

Para este projeto, Bustos convidou a escritora e astróloga Claudia Aboaf para elaborar a carta natal do Museu. A partir dela, conclui-se que o Sol em Câncer e a Lua em Touro formam a identidade da instituição — criada por decreto em 16 de julho de 1895 —, por sua vez regida por Vênus, deusa da arte e da beleza. Assim, na matriz zodiacal da obra, a artista coloca no centro a pintura Mulher e touro, de Alfred Philippe Roll, enquanto a figura de Vênus se materializa em Jovem oriental, de Juana Romani.

“Dessa forma, o projeto de Bustos propõe uma nova gramática visual para a instituição, lembrando-nos de que os olhares, longe de serem únicos, são sempre múltiplos. Nesse processo, revela o Museu como um espaço de liberdade e convida a abrir novas camadas de sentido e novas maneiras de imaginá-lo”, conclui Marchesi.