A Galeria Vera Cortês inaugura (Ainda) à espera de Godot, a sétima exposição individual de Daniel Blaufuks na galeria, onde serão apresentadas novas fotografas, de formatos diversos. Esperar é estabelecer uma relação particular com o tempo. Na espera acumulam-se e distendem-se os minutos, entre expectativa e suspensão. A exposição (Ainda) à espera de Godot, de Daniel Blaufuks, parte dessa condição para construir um conjunto de imagens que refetem sobre a experiência contemporânea do tempo, da memória e da incerteza.

Inspirando-se no universo de Waiting for Godot, de Samuel Beckett, o artista apresenta fotografas que recusam relações imediatas e convidam o visitante a percorrer um campo de ressonâncias subtis. Figuras em atitude de espera, paisagens marítimas, árvores, ruínas ou gestos captados no quotidiano compõem um mundo fragmentado, atravessado por temas como a viagem, o exílio, a passagem do tempo e a fragilidade das coisas.

Através da montagem e da diversidade de formatos, as imagens criam uma tensão entre dispersão e ligação, sugerindo um estado latente do mundo. Entre sinais de destruição, gestos de recolha e fragmentos da natureza, a exposição convoca diferentes temporalidades — do instante fotográfco à duração geológica — propondo uma refexão sobre aquilo que permanece e aquilo que inevitavelmente desaparece.

(Ainda) à espera de Godot apresenta-se assim como uma espécie de sala de espera visual: um espaço de atenção e suspensão onde a fotografa se torna um gesto de observação do presente, entre memória, expectativa e possibilidade.