Após uma primeira apresentação no Porto, a exposição Endscape pode agora ser vista na Galeria Carlos Carvalho Arte Contemporânea em Lisboa.

Endscape é uma exposição que compreende um vídeo e fotografias a preto e branco, de grande formato, que revelam um mundo depois do fim, paisagens desabitadas, em que a natureza viva se tornou vestígio. Restam rochas, desertos, árvores queimadas ou fossilizadas, glaciares em dissolução e vestígios da presença humana soterrados na areia. Neste silêncio ecoa um grito de alarme: existimos na Terra há apenas 300 mil anos, num planeta onde a vida floresce há 3,8 mil milhões de anos, e enfrentamos a ameaça de extinção, enquanto espécie, porque estamos a destruir a Mãe Natureza, da qual dependemos.

2024 foi o ano mais quente de que há registo, e poderá ter sido o mais fresco do resto das nossas vidas. Na Patagónia a língua dos glaciares recua mais de 100 metros por ano. Estima-se que o Ártico fique livre de gelo no verão já na década de 2030.

As alterações climáticas multiplicam as catástrofes naturais como inundações, secas, incêndios e migrações forçadas, realidade que testemunhamos impotentes através dos ecrãs das nossas casas. A subida do nível do mar poderá afetar, em 2050, regiões onde hoje vivem 300 milhões de pessoas. Em muitos casos, as consequências já são irreversíveis, sobretudo as que envolvem os oceanos, as calotes de gelo e o nível do mar.

Desde a Revolução Industrial, as atividades humanas alteraram significativamente três quartos da superfície terrestre e mais de 85% das zonas húmidas desapareceram. Nove em cada dez pessoas respiram ar com níveis de poluentes superiores aos limites recomendados pela OMS.

Extinguem-se diariamente 150 espécies e cerca de um milhão estão em risco.

A escassez de água afeta já 55 milhões de pessoas, podendo abranger três quartos da população mundial até 2050. Estas alterações ambientais são hoje responsáveis por uma em cada quatro mortes a nível global.

Depois de Fading que teve lugar na galeria de 06.07 a 17.09 2013 e centrou na extinção dos animais e a degradação dos ecossistemas, prossigo, nesta exposição, uma meditação sobre a frágil permanência da vida e a condição efémera do homem no planeta que o sustenta.