Mediação cultural pode ser entendida, em sentido stricto sensu, como a atividade daqueles que trabalham em museus e promovem a interação do público com a arte exposta, a fim de contribuir para que os visitantes entendam a história de uma obra de arte e/ou, então, o seu significado; lato sensu, é a atividade de todos aqueles que, de alguma forma, promovem a divulgação cultural. Um professor é um mediador cultural por excelência; jornalistas também o são, na medida em que propiciam a disseminação de saberes e, de modo muito próprio, a família é grande agente de sensibilização das novas gerações, ao acolher a cultura e o saber não escolar, agregado e internalizado pelos alunos. Mediação cultural envolve uma gama de elementos que contribuem para que a cultura seja disseminada para as futuras gerações; envolve os saberes escolares e, também, os saberes não formais, que muito influenciam na formação educacional.
No cotidiano, a atuação dos mediadores culturais não se limita apenas ao estrito universo daqueles que trabalham em museus, como mediadores ou professores, tendo em vista que, nas mais diversas profissões, principalmente as de formadores de ideias e disseminadores de conhecimentos, trabalha-se com a mediação cultural. É um clichê dizer que a família é a célula-mãe da sociedade, mas ela assume referências; todos os modelos de família educam e formam em um processo de mediação cultural. E não são apenas os mais idosos que ensinam: muitos jovens também dispõem de conhecimentos para partilhar. É no fenômeno da interação social que ocorre a mediação cultural, e a leitura é um dos momentos enriquecedores na vida das futuras gerações e, também, dos adultos, para ampliar horizontes, ter contato com novas ideias e aprimorar cosmovisões.
Não sou museólogo, mas, como pesquisador na área da Educação e professor de Filosofia, conscientizar as futuras gerações a conhecerem o patrimônio histórico, cultural e ideológico da humanidade parece-me uma ideia inarredável. E assim surgiu o livro “Mediação: fundamentos e práticas educativas” (Editora Intersaberes). Também pensei na importância do estudo da figura do mediador como alguém que deve auxiliar as futuras gerações, como uma ponte para ressignificar conhecimentos historicamente adensados que formam nossa cultura. O mediador é fundamental nos museus para fazer com que as pessoas se interessem pelas obras de arte e pelo patrimônio cultural da humanidade. Vivemos em tempos de inteligência artificial, de vida diante das telas; valorizar a história da humanidade, com todo o seu conteúdo, faz-se importante para que os jovens aprendam a não repetir os erros do passado e a não desperdiçar recursos que poderiam ser usados para construir, e não destruir.
O livro “Mediação: fundamentos e práticas educativas” (Editora Intersaberes) leva as pessoas a refletirem sobre a relevância de valorizar a arte e a cultura. O tema central do livro centra-se na ideia de pensar na importância de que as pessoas não entrem em um museu e saiam sem saber o significado das obras, bem como na importância de toda sociedade em produzir cultura. Vivemos em tempos de massificação, e o caminho a ser trilhado precisaria ser o inverso: o “ousa pensar por si mesmo” da filosofia kantiana. No entanto, para pensar por si mesmo, também é necessário conhecer a história da humanidade, os caminhos que trilhamos enquanto humanidade.
Nós, professores, podemos ser grandes mediadores se ensinarmos nossos jovens a ler e a ter amor pela leitura; a leitura é também uma grande porta para o mundo da cultura. Enfim, existem muitos livros que se aprofundam mais sobre a mediação do ponto de vista da museologia, mas minha contribuição é fazer pensar na importância de as pessoas visitarem museus e entenderem o que viram, e não simplesmente pensar que as obras fazem parte do passado da humanidade. A cultura é parte integrante de uma sociedade, e uma sociedade crítica será a sociedade que sabe apreciar o belo.
A leitura, de toda forma, é de grande importância porque, por meio dela, abrimos novos horizontes para aprimorar conhecimentos. É fundamental que eduquemos as novas gerações para terem gosto pela leitura. A leitura abre portas e horizontes para novos conhecimentos. A leitura é um hábito que pode transformar a mentalidade do indivíduo. Mais importante do que ler enquanto decodificação de signos é ler a realidade da vida com a qual nos encontramos e nos deparamos. É preciso educar as futuras gerações para o apreço pelos bons autores. Nesse sentido, mais do que ler, é fundamental ter um senso crítico para interpretar a existência, sendo capaz de decodificar discursos e analisar ideologias, entendendo contextos e dispositivos discursivos.
Assim sendo, a mediação cultural ocorre em diversas situações, seja nos museus, seja no trabalho de diversas profissões em que as pessoas realizam mediação cultural visando ao aperfeiçoamento da bagagem cultural dos interlocutores. A mediação, no âmbito do direito, significa apaziguamento; no âmbito escolar, significa “ponte para o conhecimento”; e, na museologia, podemos falar em prática do diálogo. O diálogo é fundamental para que o processo de disseminação do conhecimento sobre as obras de arte seja partilhado e difundido.















