Lá se vão os tempos, mas nunca houve um debate sobre a qualidade de vida envolvendo todos os setores da vida social, desde o Estado e privados. Vive-se como se o amanhã não existisse; o presente é o que mais importa do que o futuro. A qualidade do ar não está boa. Assiste-se por todos os lados cenários que perigam a qualidade do ar e do meio ambiente, e pouco se faz para reverter este cenário.
Constantemente agride-se o meio ambiente a todos os níveis e nada é feito. A esperança de vida tornou-se uma grande miragem num contexto em que os hospitais não têm capacidade para responder às demandas emergenciais. A Covid-19 provou isso. A falta de medicação é outro fator não menos importante. A insatisfação da classe médica no concernente às condições de trabalho e salários são aspectos a ter em conta quando se fala em qualidade de vida num país.
Da forma como os governantes tratam este país nem parece que vivem aqui. Cada um entra e governa, e nada fazem, e só deixam escândalos financeiros e aumentam os níveis de corrupção e mais ilhas de ricos à custa da desgraça de uma nação.
Até no ocidente existe delapidação do erário público de forma imperceptível ou de maneira evidente, mas vislumbra-se que pelo menos estão preocupados com as questões de qualidade de vida, pois investem na saúde e na qualidade do ar porque lá vivem e têm a certeza de vida.
Mas os patronos do apocalipse libertadora contentam-se em construir riquezas individuais e esquecem da parte mais importante: a qualidade de vida, que envolve bons hospitais e equipamentos, medicação e um rácio significativo do corpo médico por habitante, a qualidade do ar e um meio ambiente saudável.
Mais do que nunca é dever do Estado garantir que o nosso meio ambiente tenha planos sustentáveis de gestão que permitam uma manutenção constante dos níveis de poluição, a fim de garantir que o nosso ar esteja sempre puro e limpo, e possa-se respirar um ar de qualidade sem riscos nem preocupação.
Todo este processo envolve uma educação ambiental que começa em casa e depois passa para a sociedade, pois de contrário a tendência será sempre ter um ar cada vez mais poluído e com doenças respiratórias graves para um país sem hospitais equipados para responder a epidemias de qualquer dimensão.
Há uma necessidade urgente de refletir-se sobre a qualidade de vida e do ar que se respira. Deve-se dar graça a Deus por ainda não se ter casos graves de doenças respiratórias resultantes da falta de qualidade do ar.
Do mesmo jeito que se trata a água potável, o ar também precisa de tratamento para se manter puro e saudável, e isso requer investimento em equipamentos apropriados que possam fazer a manutenção do ar e garantir a nossa qualidade de vida.
Neste contexto, todos os atores sociais — Estado, privados e outras organizações que lidam com questões ambientais — são convidados a fazer uma introspeção do que deve ser o meio ambiente a partir de hoje antes que seja tarde.
Os cidadãos são exortados a adoptar uma cultura de limpeza a partir de casa e na rua para garantir que os planos ambientais que o Estado for desenhar possam ter um resultado plausível. Não basta o Estado ter planos ambientais se o nosso comportamento não se adequa à realidade dos mesmos.
As grandes empresas privadas ou do Estado devem repensar os seus planos ambientais para o contexto atual, visto que a qualidade do ar está bastante comprometida com a poluição atmosférica pouco controlada. Há mais preocupação na produção de qualidade, mas nunca com a qualidade do ar.
A esperança de vida, a qualidade de vida, tornou-se difícil e um risco a correr nas condições em que se trata o meio ambiente, sobretudo o ar, e que pouco se faz para mantê-lo limpo e puro.
Em nada valem as mansões e riquezas construídas se a falta de qualidade do ar não vai garantir a existência para o usufruto dessas benesses.
À medida que o tempo passa, em Moçambique falar de qualidade de vida torna-se insignificante. Aqui pouco se faz para uma vida com maior qualidade, senão preocupação com a delapidação do erário público e negócios, mas o ambiente onde essas riquezas são produzidas ninguém está preocupado em proteger.
É triste como os nossos governantes nunca se preocupam com questões de qualidade de vida, purificação do ar, qualidade ambiental saudável, falta de projetos claros que possam conduzir a uma vida de qualidade que não passe pela esperança de vida para a certeza de vida.
Em Moçambique sobrevive-se para a incerteza de qualidade de vida num contexto em que o país assiste a uma escalada de exploração de recursos naturais que não agregam a componente qualidade de vida, apenas planos de exploração a longo prazo.















