A 09 de outubro próximo, Moçambique é chamado às eleições presidenciais e legislativas para eleger o novo Presidente da República e os deputados que irão representar o povo no parlamento por mais cinco anos. É de ressaltar que o sistema político moçambicano era, até então, dominado por três formações políticas: a Frelimo, a Renamo e o MDM.
Como resultado da ausência da democracia no contexto geral do país, e com particular destaque no seio dos partidos políticos, recentemente assistiu-se a uma clivagem profunda entre Venâncio Mondlane, ou simplesmente VM7, como carinhosamente é tratado pelo povo, e o presidente do partido Renamo, Ossufo Momade.
Contudo, VM7 pretendia candidatar-se à presidência do partido Renamo para suceder Ossufo Momade no cargo de líder do partido, algo que não foi de bom agrado para as elites do partido, da mesma ala do próprio presidente em exercício. VM7 vinha de uma peregrinação eleitoral nas autarquias do ano passado e, tendo vencido de forma expressiva em quase todas as autarquias do país, o fraco apoio do seu partido facilitou o maquiavelismo do partido no poder, que manipulou de forma clara e evidente os resultados eleitorais a seu favor, deixando o VM7 para trás.
VM7, mesmo diante de tanta injustiça eleitoral e até das instituições de justiça do país, continuou a lutar pela reposição da verdade, pelos verdadeiros resultados eleitorais que o colocavam na presidência do município de Maputo e em outros municípios por si conquistados na vitória esmagadora. VM7 mostrou, nas autarquias passadas, que afinal é possível experimentar o novo, e o povo acreditou que sim, provou o sabor da vitória.
Após tantas batalhas do VM7 para conseguir a sua continuidade no partido Renamo e fazer vincar os seus ideais de democracia, acabou sendo afastado do mesmo, com pretextos pouco claros para um indivíduo que já tinha provado o seu valor para o povo e seu partido. O VM7 decide fundar o seu próprio partido, de nome CAD, para continuar a seguir os seus ideais de democracia e governação do país. Várias foram as tentativas de impedimento e sabotagem para que o VM7 desistisse de fundar o seu partido CAD.
Mas VM7 estava decidido, e o povo pedia que isso fosse concretizado, e tal aconteceu: CAD saiu do papel para a realidade e, em pouco tempo, preparou-se para poder concorrer pela primeira vez às eleições presidenciais e legislativas de 09 de outubro de 2024, e VM7 é a figura de cartaz para concorrer às eleições presidenciais de outubro próximo.
Estas eleições presidenciais e legislativas, à semelhança das eleições autárquicas passadas, acontecem numa altura em que o povo já atingiu o limite de saturação e despertou da mesmice com que o partido no poder vinha guiando os destinos do país. Por outro lado, a crise de legitimidade da oposição em fazer o seu papel, neste contexto, faz com que o VM7 seja visto como a salvação da nação, e o eleitorado deposita nele a confiança de governar o país e trazer a esperança para um Moçambique melhor, na conjuntura das desigualdades sociais e desequilíbrios económicos que aumentaram o fosso entre pobres e ricos.
De salientar que ainda continuam os esforços do partido no poder, conjuntamente com outros atores políticos de interesse, em aniquilar o CAD para continuarem a afundar o país em dívidas e corrupção ativa. O CAD e o VM7 têm muito a dizer nestas eleições que, pela sua natureza, serão as mais competitivas e renhidas, e o povo tem sede de mudança para uma nova dinâmica e realidade. Estas eleições trazem um novo diferencial de democracia: um partido que não vem das armas nem da guerra, algo genuinamente novo. CAD está com o povo, e o país agradece.
De salientar que estas eleições são realizadas num momento conturbado no país, gerado pelas eleições autárquicas de 2023, que deram vitória ao partido no poder em quase todas as autarquias existentes no país. O partido Podemos é tido como vencedor das eleições autárquicas, mas o maquiavelismo do partido no poder nega quebrar o histórico de fraudes que este partido carrega desde as primeiras eleições neste país no pós-independência.
Por isso, os precedentes de 2023 ainda assombram estas eleições de 09 de outubro de 2024, ainda com saldos mal resolvidos pela CNE e outras instituições de direito que continuam a reboque de um sistema decadente que, dia após dia, se distancia das massas populares pelas suas práticas fraudulentas, que defraudam a vontade popular expressa nas urnas.
Esta moda fará o país entrar num conflito sem precedentes. O descontentamento popular cresce a cada dia, com vozes que apelam para a mudança de governação dos destinos do país, visto que já se passam 50 anos e nada muda: são as mesmas pessoas que governam o país, e nem sequer o rosto do desenvolvimento muda, enquanto o custo de vida aumenta.















