Em 28 de Janeiro, comemora-se o dia do Comércio Exterior no Brasil. Curiosamente ninguém comentou, nem sequer lembrou. Mas os leigos todos estão a comentar sobre a tarifação americana, assunto exclusivamente de Comércio Exterior. A propósito, a diferença entre Comércio Exterior e Comércio Internacional também não é conceito largamente conhecido. Para não ser injusto, vi dois amigos e colegas apenas anunciarem a data. Todavia, uma tristeza maior e enorme, é ver que políticos, administradores empresariais, economistas, advogados comerciais entre outros, nenhum lembra - ou sequer tiveram - esta disciplina, da matéria de vanguarda e mais moderna ferramenta económica para a riqueza macroeconómica, já conhecida. A globalização, quiçá ignoram. Ou confundem com Globalismo.
Comentam de todo o mundo, opinam sobre países e culturas exóticas, prevêem futuros mas nunca acertam, aqueles 'mancos' especialistas, viajados com bolsas de estudo públicas mas, a turismo - que deveras, é sim também conta do Balanço de Pagamentos - sem fluência nas idiomáticas diplomáticas nem empresariais. Jornalistas semiletrados no tema portanto, sequer conseguem questioná-los a este respeito, com alguma segurança ou propriedade, os assuntos técnicos abordados. Nem lembram daquela variável protagonista!
Como diziam já os administradores professores dos anos 1980 e 1990, os profissionais acima citados não conseguem avaliar diagnósticos que contenham mais de duas e agora, até três variáveis administrativo-económicas. Suponhamos que já consigam depois destes trinta anos, com três. Mas agora, estas variáveis diversas são muitas mais. E n'outros idiomas ou literaturas, nem estão disponíveis em português.
Não havia China no mercado internacional de então, não havia Banco Central independente, nem câmbio flutuante tampouco. Sequer importação havia, nos tais mercados protegidos por barreiras, alfandegárias e as não alfandegárias, mas técnicas. Por isso mesmo votaram no Collor, que fez o que Lullalá ainda faz. Sim, 'Double L is timeless' em alusão ao duplo L, 'Collorido' pelos mesmos verde e amarelo. E até um atualíssimo novo partido, hoje adversário destes, era também com L, inclusive. Atos falhos, dirá um 'supersticioso' botafoguense...
De liberalismo não tiveram nada, nenhum deles. Não confundir com Neoliberalismo, atenção!! Ou terá sido muito limitado - também com L - que é o entendimento conceitual socialista desse termo econômico. Até os ex-comunistas o foram mais... Usaram o próprio capitalismo de mercado para com hibridização emergir. Mas, ausentam-se das responsabilidades econômicas na OMC. Fase de transição, diriam os mais calmos e flexíveis.
A Balança Comercial1 tanto em voga exclamativa, hoje em dia, é apenas e não mais, sobre duas contas exclusivas da contabilidade internacional maior, que compreende todas as outras transações económicas e financeiras com o estrangeiro. Será incompreensível este conceito ou, é magicamente desviado das atenções? As duas coisas, provavelmente.
Por que empurram para baixo do tapete as importações de fretes, combustíveis, serviços, tecnologia, juros, royalties, lucros, turismo...entre outros?? Perderam, esqueceram e abandonaram; ignoraram como um todo, a excelência da exportação de commodities tecnológicas, educacionais, financeiras, energéticas e as trocaram todas pelas mais fáceis e primárias - ainda que com algum incremento transgênico, adaptativo às sementes também importadas - que já mantinha-se desde os anos 1950...do século XV.
Café, Soja, Milho, Petróleo, Açúcar, commodities modernizadas mas ainda assim, matéria-primas com preço regulado internacionalmente e, pela oferta e demanda global. Ou seja, economia primária; mas não secundária nem terciária, mais modernas! Uma certa variante de improdutividade, portanto.
Naturalmente, por motivos produtivos e editoriais, este artigo deve sair ao público apenas no próximo aniversário do Comércio Exterior, acredito. Poderemos então interpretar os avanços e retrocessos - ou inércia - no tal quase futuro de 2026.
Neste setor administrativo e político, macroeconómico, as ações tarifárias aduaneiras são de implantação imediata, pelas presidências das repúblicas ou seus similares estrangeiros, justamente por tratar-se de área político-estratégica. Não sofrem submissão ao princípio da anterioridade, como são quaisquer outros tributos domésticos e nacionais porque, justamente classificam-se como emergenciais, quando de um ataque econômico competitivo externo ou de escassez.
As guerras comerciais trazem à tona a necessidade premente de profissionais e líderes especializados, como foi citado na literatura técnica e nos artigos lançados recentemente, à exemplo dos Diplomatas Traders2. Sem estas capacidades intelectuais e técnicas, serão facilmente vencidos nos seus mercados domésticos, pelos profissionais especializados empiricamente nas Faculdades de Negócios & Comércio estrangeiros.
Disciplina esta, de matéria relevada a um segundo plano, nas economias emergentes. É esta inclusive a formação do re-empossado intrépido presidente norte-americano que, na Universidade da Pensilvânia, desvenda sua biografia3.
Neste caso as recentes interpretações contábeis internacionais dos Balanços de Pagamentos, como se fossem apenas uma Balança Comercial, regridem à incompetência das soluções de negociação, desfavoráveis, mas óbvia aos dependentes dos investimentos diretos estrangeiros e às suas frequentes flutuações cambiais.
Com exportações insuficientes, pouco valor agregado, baixa produtividade, mercado interno subdesenvolvido e empresariado semi-alfabetizado nas ciências comerciais modernas, não conseguem oferecer autonomia das funções sociais básicas das empresas - já há muito ignoradas - para que o tecido mercadológico nacional se fortaleça.
Assim enfrentam então oscilações naturais, estando mal equipados com as ferramentas ideais e necessárias para qualquer sucesso. Inflação, desvalorização cambial excessiva ou o inverso, desemprego intelectual e migração, consequentemente, esvaziam as forças expectáveis em qualquer reação ágil e vigorosa que o meio competitivo exige.
Moles, magros, subnutridos e enfraquecidos do raciocínio não vão além. Equivalente à famosa guerra do ópio que manteve a China desesperada, numa inanição económica e social por tanto tempo! Já se viu este filme e, no Ocidente, não é factível aceitar recorrente amadorismo infantil, quiçá juvenil, de líderes incapazes, cegos ou deficientes que querem ensinar o que nem aprenderam ainda.
Portanto, exportar é o que importa e paga, todo o resto. Seja o que vende e reexporta inclusive para outrem, precisará de dedicação de longo prazo educacional, nas capacidades negociais de todos os níveis empresariais, públicos e privados sem exceção.
Ao regredir para o debate de botequim, bêbados, sejam de álcool ou de leite, babarão sobre o que não sabem e falarão o que ninguém compreende. Por isso, a incompreensível teoria cambial torna-se apenas favorável aos patrocínios das bolsas turístico-improdutivas que só resta aos juros inflacionados 'repassados', compensarem os erros matemáticos simples, que as competições internacionais já comprovam.
Notas
1 Importação & exportação.
2 Diplomat Traders.
3 Donald Trump.















