O Brasil em 2025 vive um momento diferente na política. O presidente Lula, em seu terceiro mandato, está convivendo com eventos e fatos bem diferentes daqueles vistos nos anteriores.

Se em determinado momento os esquemas de corrupção como os chamados Mensalão e Petrolão colocaram o PT como o “partido mais corrupto da história da humanidade”. Ainda assim, conseguiu eleger a presidente Dilma Roussef por duas vezes.

Entretanto, a pauta do PT ladrão e corrompido pegou. A pauta das eleições fraudulentas levantada pelo então candidato Aécio Neves também. Então, o PT perdeu duas poderosas pautas: anticorrupção e nacionalista.

Os movimentos populares no começo da década de 2010 contra a Dilma. Com pautas como: corrupção, aumento dos transportes etc. Foram sequestradas então pela oposição. Então, com a presidente nas cordas... Foi algo fácil de parte de Rodrigo Maia e do Congresso Nacional.

O sequestro começou ali, mas ninguém viu.

O ponto que quero começar esse artigo, é que a priori, essas pautas citadas eram da esquerda. Quando Lula falava em seu discurso contra o imperialismo americano e de se vender ao FMI. Tínhamos pautas nacionalistas.

Quando o então candidato Lula em suas diversas corridas pelas eleições falava sobre a corrupção dos governos militares. Tínhamos ali as pautas anticorrupção e a austeridade fiscal.

Perceba que, a esquerda brasileira, perdeu suas principais pautas nacionais, restando algumas pautas de costumes que são um tanto quanto impopulares fora desse espectro político. Pautas de costume podem gerar engajamento em redes sociais ou em jantares familiares, mas elas sozinhas não levam eleições.

Enquanto a esquerda batia cabeça para tentar salvar o pescoço da Dilma do impeachment, a direita se apoderou daquele que seria o maior veículo de formação de opinião e comunicação em massa. As redes sociais e a internet.

Ano após ano a internet ganhava tração e a direita se acoplava a esse motor. Até não muito tempo atrás, apenas o site E-Farsas era o único veículo que tentava combater as mentiras virtuais. Naquele momento, as mentiras não passavam de montagens toscas e mentiras insustentáveis. Entretanto, tínhamos um público recém-nascido digitalmente.

A inclusão digital impulsionada pelo próprio governo Lula, trouxe diversas pessoas para o mundo digital. As pessoas mais velhas eram facilmente dragadas para esse novo ambiente, meio Faroeste Italiano. Onde o Bom, o Mau e o Feio disputavam a atenção e espalhavam a sua própria história.

Se levarmos em conta que a internet foi primeiramente colonizada pela classe mais favorecida da sociedade, não é estranho que a direita tenha surfado com tanta força por tantos anos. Quando a classe menos favorecida chegou, a pauta já havia sido definida. É como aquele amigo que chega atrasado e precisa beber a cerveja que sobrou.

Só que, anos depois, as pautas magicamente saem de seu cativeiro. Só que não foi a polícia que foi ao resgate. Foram seus próprios sequestradores que perderam o bonde. Não perceberam que a internet tinha novos membros. Uma nova colônia estava ali tentando se encaixar.

A direita utilizando a figura central de Jair Messias Bolsonaro, que o tinha quase como um símbolo de união, começa a bater cabeça quando o rei é decapitado politicamente. A necessidade de manter Bolsonaro como um líder ou um mártir faz parte da espinha dorsal da pauta da direita.

A queda do rei deixa seu palácio e cadeira vazios. Na política não há vácuo. Alguém vai sentar. A dúvida é saber se o seu amigo de hoje será o inimigo de amanhã. Imagina se os Bolsonaro apoiam o Tarcísio de Freitas e ele senta no colo do Gilberto Kassab?

O grande detalhe é que Eduardo Bolsonaro acaba indo além para manter esse projeto de poder. Para manter o rei em seu lugar. Pois ele, sem o rei, é apenas a burguesia. Então, ele precisa tentar algo. Ele precisa achar o Merlin que irá afastar as brumas do palácio. Ele precisa achar a ilha de Hi-Brazil.

O problema é quando as pautas viram dogmas e os dogmas ficam difíceis de serem seguidos ou colocados em prática.

Na pandemia, o então presidente Bolsonaro tomou medidas pra lá de ortodoxas em sua política de saúde e de economia. Isso porque o Brasil não poderia parar por causa de uma doença. Isso estragaria a economia do país.

Economia é sagrada, não é mesmo?

Ele chegou a tentar colar discursos em aliados e opositores como “fica em casa que a política nós vemos depois”, “protocolo Mandetta” e outros.

Só que, quando o Bolsonaro filho, solicita que os EUA levante barreiras comerciais contra o Brasil, ou seja, prejudicando a nossa economia.

Talvez a economia não seja tão sagrada assim.

Isso não é pauta: liberal, neoliberal, nem nacionalista. Sendo assim, o “Deus, pátria e família” derrete como um sorvete no verão. Sobrando assim apenas “minha família acima de tudo. O Brasil abaixo dos EUA”.

Não satisfeito, ele ainda quis dobrar a aposta e apoiou a “PEC da Bandidagem” que blindava deputados da justiça brasileira. Esse caso em específico, só foi revertido graças a movimentação das redes sociais e de manifestações Brasil a fora. Os novos inquilinos resolveram fazer um pouco de luta política.

Se você achou pouco, imagina ser um deputado offshore. Deputado daqui, mas mora lá fora. Trabalha contra os interesses nacionais.

Nacionalismo é sagrado, não é mesmo?

Com tudo isso, temos um verdadeiro cabo eleitoral. O opositor ao governo entrega as pautas e traz de volta as eleições de 2026 para o campo da incerteza.

Talvez tenha sido um pouco de mais, não é mesmo? Deputado colonialista, offshore e tantinho ciumento. O espólio da família não vai ser entregue. Afinal, talvez isso tenha sido a única coisa que sobrou.

Agora a direita está em chamas, precisando se reinventar, pois as pautas foram embora. Restou o quê? Pauta de costumes? Economia e nacionalismo estão do lado de lá do muro. Do outro lado, não tem mais nada.

Claro que até as eleições muita água vai passar por debaixo dessa ponte. A dúvida é se irá mover os moinhos da esquerda ou da direita.