Videogames de bolso têm sido uma fonte de lucros enorme para a indústria do entretenimento, milhares de crianças e mesmo adultos adoram se divertir nos pequenos aparelhos. Eles são de extrema praticidade, pois ainda que seus games não tenham gráficos tão elaborados quanto os consoles de mesa para uso doméstico, o fato de se poder jogar enquanto se espera uma consulta no médico ou na fila para ser atendido em um serviço, torna-os bem acessíveis para pessoas muito ocupadas. Sem surpresa, durante várias gerações foi comum ver crianças carregando videogames para a escola para jogarem durante o recreio ou na volta para casa.

Dentre as desenvolvedoras de videogames portáteis, uma se destacou como a mais importante e bem-sucedida, a Nintendo. Seus videogames portáteis foram um grande sucesso durante a maior parte da história, não raro os games de bolso da empresa japonesa faziam muito mais sucesso do que os consoles de mesa dela, o que a sustentou com grandes lucros mesmo em momentos de dificuldade. Grande parte deste sucesso colossal da Nintendo se deveu a uma de suas franquias mais populares: Pokemon. Durante muito tempo a necessidade de ter um console de bolso da empresa para ser um treinador Pokémon foi o que impulsionou vendas gigantescas dos seus aparelhos. Durante os anos 1990 e 2000, todas as crianças queriam jogar capturando monstro em suas pokébolas. Mesmo hoje, a franquia faz sucesso, tendo até mesmo adaptações para animações, brinquedos e até filmes.

A Nintendo começou no mercado de portais durante os anos 1980, quando lançou uma série de vários aparelhos despretensiosos chamados “Game & Watch”, ao todo foram 1960 jogos disponíveis cada um vinha na memória de um aparelho diferente, entre eles estava o grande sucesso “Donkey Kong” que trazia a estreia de dois dos personagens mais populares da empresa, Mario Bros e Donkey Kong, ambos teriam suas próprias franquias de sucesso no futuro. Sendo o primeiro grande sucesso da empresa, os Game & Watch venderam 43,6 milhões de unidades pelo mundo. Ainda assim, as grandes conquistas da Nintendo ainda estavam para ser lançadas nas décadas seguintes.

O sucesso verdadeiro viria com o primeiro console de bolso convencional da empresa: O Game Boy. Um aparelho simples com um direcional e dois botões, trazia espaço para cartuchos, podendo assim ter infinitos jogos disponíveis. Era um aparelho despretensioso, com gráficos modestos, sem iluminação própria e que não produzia cores para os jogos. Mesmo com suas características modestas era um grande feito, sua tecnologia pouco impressionante permitia que os fãs jogassem por horas a fio sem exaurir as baterias, perfeito para um aparelho que se carrega no bolso para qualquer lugar.

As demais empresas obviamente não eram ignorantes para o mercado que estava se descortinando e trataram rapidamente de lançar seus próprios aparelhos portáteis. Essas rivais vieram no começo dos anos 1990, quando a competição se intensificou, as concorrentes atacaram justamente no ponto fraco do Game Boy, seus gráficos modestos e sem cores, trazendo aparelhos com tecnologia avançada e cores vibrantes.

O primeiro destes rivais foi o “TurboExpress” criado pela NEC, uma empresa japonesa, o TurboExpress nada mais era do que a versão de bolso do console de mesa “TurboGrafx-16”, não tendo jogos próprios, os mesmos cartuchos (em forma de pequenos cards) serviam para os dois videogames. Pouco depois foi a vez da Atari lançar seu console de bolso, o “Atari Lynx”. Seguindo um caminho diferente das rivais, a empresa americana decidiu criar um aparelho avançado com muita tecnologia e gráficos muito mais elaborados do que o Game Boy. Por fim a Sega também entrou para a competição trazendo seu console “Game Gear” mais uma vez com um aparelho com gráficos superiores aos do console da Nintendo.

Apesar dos projetos ambiciosos, todos os três consoles sofriam de um erro fatal. Por terem uso de cores, monitores com luz embutida e melhores gráficos, consumiam pilhas a um nível muito rápido, o que os tornava impraticos para uso contínuo. Era preciso muito investimento em pilhas para poder se divertir. Mesmo com seus gráficos inferiores, o Game Boy levou a melhor pela praticidade e pela ampla galeria de jogos. No final o Turbo Express vendeu míseros 1,5 milhões de unidades, o Atari Lynx fez 3 milhões de vendas, e o Game Gear que teve melhor desempenho conseguindo 10 milhões de unidades. Números muito inferiores aos 64 milhões de unidades do Game Boy.

Apesar da hegemonia que a Nintendo conquistou no mercado, sua estratégia não foi isenta de erros. Em alguns momentos a empresa tentou inovar demais. Esse foi o caso de um dos consoles mais mal sucedidos da história: o Virtual Boy. O projeto do aparelho era ser o primeiro portátil com tecnologia 3D. Ainda que a ideia fosse extremamente inovadora, havia uma enorme quantidade de dificuldades que impossibilitaram o sucesso. Primeiro era o próprio formato do aparelho: um visor grande apoiado num tripé com um controle de mão.

Muito grande para ser realmente portátil, sendo necessário uma mochila para carregá-lo. Segundo problema era o incômodo gerado pelo visor que esgotava o jogador e causava dor de cabeça depois de meia hora de jogo. Por fim eram os gráficos do console que só permitia uma cor, a vermelha assim gerava imagens feias e desinteressantes. Sem surpresa o Virtual Boy foi o maior fracasso da história da Nintendo. Apesar disso, ele não afetou a imagem da empresa nem o sucesso do Game Boy que continuou dominando o mercado de portáteis.

À medida que o tempo passava e a tecnologia avançava a Nintendo criou versões melhores do seu produto, vieram as versões Game Boy Pocket (de tamanho reduzido) e Game Boy Light (com tela luminosa) para torná-lo mais atraente para o público. Mas o tempo também trouxe novos rivais para o mercado de games. O primeiro destes novos competidores foi o novo aparelho da Sega, o “Nomad”. Basicamente apenas uma versão reduzida e com tela do Mega Drive, não tinha jogos próprios mas aceitava os cartuchos do Mega Drive ao invés disso. Outro rival apareceu quando a SNK famosa produtora de fliperamas decidiu apostar no mercado de games de bolso com seu “Neo Geo Pocket”, o último rival veio com a Bandai que lançou o “WonderSwan” aparelho bem interessante que podia ser usado em duas posições diferentes consumia muita poucas pilhas para uso.

A Nintendo não ficou parada e resolveu atualizar seu aparelho, assim veio o Game Boy Color que pela primeira vez podia criar gráficos a cores ainda que de forma sutil. O WonderSwan e o Neo Geo Pocket tendo gráficos em preto e branco não eram rivais para as telas coloridas do novo aparelho da Nintendo e logo foram postos para escanteio. No total, o Neo Geo Pocket acabou tendo apenas 9 jogos lançados para ele, visto seu pouco apelo junto ao público. Eventualmente correndo atrás do prejuízo, ambos os aparelhos da concorrencia receberam novas versões atualizadas, o WonderSwan Color e o Neo Geo Pocket Color, mas o mercado já estava completamente tomado pelo Game Boy Color, facilitado pelo auge da febre em pokémon, com todas as crianças querendo conhecer os jogos da franquia.

Todos os concorrentes fracassaram, o Nomad vendeu míseros 1 milhão de cópias, o Neo Geo Pocket 2 milhões, os dois WonderSwan chegaram a apenas 3,5 milhões. O Game Boy Color vendeu 54 milhões de cópias. Ao todo, os dois Game Boy (original e color) conseguiram 118 milhões de cópias vendidas, uma das maiores cifras do mundo dos games, confirmando a hegemonia da Nintendo no mercado de bolso durante toda a década de 1990.

Durante o começo dos anos 2001, a Nintendo continuou sua linha, mas talvez acreditando que o modelo original estivesse desgastado, criou um novo aparelho, o Game Boy Advance. Este sim trazia várias alterações em relação aos modelos antigos, a começar pelo formato que lembrava um controle de videogame de mesa, o que tornava mais fácil manuseá-lo. Também era bem mais potente, finalmente trazendo gráficos melhores para os consoles pocket da nintendo, seu poder de processamento era no mesmo nível do clássico Super NES, um dos videogames mais populares da empresa, sem surpresa muitos dos games para o advance eram remakes de jogos clássicos do Super NES. A popularidade do Advance era tamanha que foi um estouro de vendas, sendo o console mais vendido da época. O que não é surpreendente visto que não havia rivais para a Nintendo neste momento no mercado.

Um ano depois da chegada do Game Boy Advance, uma nova empresa quis adentrar o mercado de portáteis, era a Nokia e seu aparelho ficaria conhecido como N-Gage. A ideia do console era muito inteligente e prática, uma máquina que pudesse ser usada como videogame portátil e celular ao mesmo tempo. O N-Gage tinha o formato similar ao do Advance mas tinha todos os botões presentes em um celular da época. Ainda trazia ideias inovadoras da época, como permitir que jogadores pudessem jogar juntos sem cabos ( que eram necessários no game boy) usando tecnologia bluetooth ou mesmo a internet, o que ficou conhecido como N-Gage Arena.

Apesar de suas inúmeras qualidades, o N-Gage sofria de muitas limitações no design. Um dos problemas era que devido a sua grande quantidade de botões, era comum se confundir e apertar o botão errado quando jogava. O aparelho tinha todos os botões para digitar de um celular, mas só dois eram usados nos games, como os botões estavam todos próximos uns dos outros os jogadores muitas vezes se distraiam, assim não era um bom aparelho para jogar. Pior ainda, o N-Gage não tinha uma entrada para inserir os cartuchos dos jogos o que significa que era necessário abrir o aparelho para anexar o cartucho ao sistema. Muito imprático, o problema final era que o console precisava ser segurado de uma forma não muito prática para falar ao telefone (pela lateral mais fina). Assim mesmo sendo duas funcionalidades em uma, era ineficiente em ambas, portanto não muito útil.

O ano de 2004 trouxe a chegada da nova geração, mas também de mudanças no mercado. Não só as convenções dos modelos tradicionais estavam sendo substituídas como pela primeira vez a Nintendo teve uma concorrência séria pela frente. A Sony decidiu ingressar no mercado de portáteis com seu Playstation Portable (PSP), um videogame poderoso, com uma tecnologia que rivalizava com os consoles de mesa da época, e ainda trazia outras funcionalidades como a opção de assistir filmes no aparelho ou escutar música, uma verdadeira central multiuso de entretenimento de bolso. A Nintendo decidiu aposentar sua velha linha de consoles Game Boy, trazendo um console inovador e revolucionário para o público. A solução foi criar um aparelho que tinha duas telas diferentes e do qual uma delas era sensível ao toque e possuía até mesmo um microfone. Esse seria o Nintendo DS, outros dos grandes sucessos da empresa.

O PSP fez bons números, sendo o primeiro portátil que não era da Nintendo a realmente ganhar espaço no mercado, vendendo 82 milhões de unidades. Ainda assim enfrentou certas dificuldades, como pequenas falhas no design, a ideia de usar o consoles como uma forma de central de diversão de bolso também não funcionou com ele sendo quase exclusivamente usado para jogos. Mesmo com os bons números, o PSP ficou bem atrás dos DS que fez impressionantes 154 milhões de exemplares vendidos. Números surpreendentes, fazendo dele o segundo console mais vendido do mundo atrás apenas do PlayStation 2.

Os videogames continuaram progredindo e hoje tanto Nintendo quanto Sony permanecem no mercado de portáteis lançando novos consoles e diversos jogos, além claro de vender milhões de cópias. Ainda que a Nintendo tenha sido a espinha dorsal do mercado de portáteis, outras empresas tiveram sua relevância para os fãs e a Sony tem deixado uma marca dentro da indústria. Novos aparelhos continuaram sendo inventados nos próximos anos e com isso os games poderão seguir evoluindo em seu papel de divertir os jovens.