Sempre digo que aprender um novo idioma é literalmente conhecer um novo mundo, é expandir o olhar e passar a enxergar coisas que antes não víamos, o mundo ganha novas cores e, também, novas possibilidades. Assim como uma criança que começa aprender a ler... Seus olhinhos brilham ao desvendar o que antes estava ali, bem diante de seus olhos, mas que ela não era ainda capaz de entender. Ao aprender um novo idioma passamos por um processo muito semelhante, que é extremamente positivo.

E o aprendizado não se limita ao fator idade, ele o ultrapassa, e apesar de muitas vezes ser desafiante é este desafio que traz os maiores benefícios. Ao estudar um novo idioma passamos a estimular áreas do cérebro que desenvolvem novas conexões neurais, mantendo-o, por assim dizer, rejuvenescido. A Universidade de Cambridge aponta que além deste rejuvenescimento, o aprendizado tem um impacto muito positivo na memória, além de melhorar a autoconfiança e auto estima e também na capacidade do ser humano em sentir-se alegre e positivo.

Outros estudos indicam que aprender um novo idioma também pode retardar o declínio cognitivo relacionado a idade, ressaltando a importância de que mesmo pessoas mais velhas podem e devem se aventurar nesta jornada. Afinal, exercitar os músculos do nosso cérebro é tão importante quanto exercitar os músculos do nosso corpo. Vários estudos sobre demência e mal de Alzheimer indicam que os sintomas relacionados a estas doenças se manifestam mais tarde em pessoas bilíngues e poliglotas, em relação aos que falam apenas seu idioma materno.

Não vou nem me aprofundar aqui nas vantagens que se estendem também para a vida profissional, que são inúmeras e já são extremamente divulgadas e relembradas a todo momento. Porque além do quesito profissional, entendo que o impacto social e pessoal é ainda mais importante, é o que de fato gera valor na nossa vida.

Ao aprender um novo idioma, seja ele qual for, começamos a entender novas culturas e novas perspectivas e assim compreender melhor novos pontos de vista e formas de pensamento. Somos de certa forma chacoalhados do nosso mundo e passamos a perceber a diversidade cultural existente. É um exercício riquíssimo e natural do processo de aprendizagem. Que promove a empatia cultural e transforma a maneira como encaramos o mundo.

Socialmente também passamos a expandir nosso círculo de amizades e conexões e, desta forma, adentramos um pouco no mundo de cada um destes novos contatos. Seja explorando suas visões de mundo ou até mesmo criando amizades para a vida. Interagimos mais durante viagens, enriquecendo sobremaneira cada experiência, e nos tornamos capazes de absorver novos conteúdos e nos posicionarmos sobre eles.

E a vantagem de vivenciar isto em pleno século XXI é a facilidade de acesso à informação. Hoje temos muito mais possibilidade de acessar conteúdos distintos de toda parte do mundo, ter aulas com professores nativos no conforto da nossa casa, ter acesso a informações e notícias internacionais em apenas um click. Podemos nos conectar com clubes de leitura, formar grupos de conversação, buscar artigos e livros em seu idioma original, informar-nos através de jornais locais de qualquer parte do planeta. Algo que faz com que a informação sofra muito menos ruído e que tenhamos um acesso muito mais neutro ao que acontece no mundo.

Meu primeiro contato com um segundo idioma, assim como a maioria das pessoas nascidas na década de 1980 no Brasil, foi com o “inglês”. Primeiramente com o fraco estudo oferecido nas escolas na época, em especial as públicas. E mais, tarde, já na adolescência através dos famosos “cursinhos de inglês”. Algo quase obrigatório para os que sonhavam com um futuro mais promissor. Acontece que a maioria destes cursinhos eram formulados para te manter o maior tempo possível estudando e eram pouco voltados para a prática. O que tornou uma experiência que poderia ter sido muito positiva e prazerosa em um verdadeiro martírio. E que além de tudo, foi muito pouco efetiva. Inúmeras são as pessoas que passaram por este mesmo processo e sofrem até hoje para se comunicar em inglês. Muitas vezes sentindo-se incapazes de realmente aprenderem um novo idioma.

Os mais sortudos, também chamados de mais abastados, tiveram oportunidade de fazer intercâmbios culturais. Ou seja, em algum momento durante o período escolar, passaram um ano letivo fora do país estudando e morando com uma família estrangeira. E estes, hoje, são os que têm um nível de proficiência tido como invejável.

Muitos anos depois, para vencer este desafio que o inglês se tornou, decidi por um tempo deixá-lo de lado e me aventurar, já adulta, a descobrir um novo idioma do absoluto zero. E para esta missão escolhi um idioma que me desse prazer, que simplesmente me encantava e me fazia querer descobri-lo. Não por obrigação ou por sua utilidade para minha vida profissional, mas simplesmente por contentamento. Escolhi o francês.

Num processo que foi muito mais curto e também muito mais prazeroso, o francês ganhou uma importância na minha vida ainda maior do que o inglês, com o qual nunca me senti totalmente confortável, mas que me possibilitou sim ter acesso a muitas oportunidades e conhecimento. Hoje, além da minha língua materna, o português e do conhecimento que adquiri e continuo adquirindo num processo de contínuo aprendizado com o inglês e o francês, estudo outros idiomas, simplesmente por um desejo pessoal meu. E entendo o quanto cada novo desfio no mundo das línguas me torna mais contente e capaz. Escolher um novo idioma é dar-se a oportunidade de experenciar um novo mundo.

E você? Qual mundo gostaria de explorar?