O Museu Nacional de Belas-Artes abrirá ao público na terça-feira, 22 de setembro, a exposição Goya em Buenos Aires. Tapeçarias das coleções reais da Espanha, que apresenta duas peças de grande formato projetadas pelo célebre pintor aragonês e tecidas na Real Fábrica de Tapeçarias no final do século XVIII.
As obras que Francisco de Goya y Lucientes (Fuendetodos, Espanha, 1746–Bordeaux, França, 1828) projetou entre 1776 e 1788 vêm diretamente da Galeria das Coleções Reais da Espanha e permanecerão expostas no Bellas Artes até 17 de janeiro de 2027, graças a um acordo entre as duas instituições, com o apoio da Fundação Callia, do Conselho Internacional de Mecenas das Coleções Reais e da Embaixada da Espanha na Argentina.
“A apresentação das tapeçarias de Goya é fruto do intercâmbio entre o Museu Nacional de Belas-Artes e a Galeria das Coleções Reais da Espanha”, explica o diretor do Bellas Artes, Andrés Duprat. “A exposição dessas obras amplia o repertório do mestre espanhol e dialoga com as peças que integram a coleção patrimonial, que começou a se formar em 1906, quando Eduardo Schiaffino adquiriu na Europa um conjunto inicial de quatro gravuras. Com o tempo, esse núcleo foi ampliado com outras pinturas e séries completas de águas-fortes”, acrescenta.
“Por esse motivo, decidimos colocar as tapeçarias em uma sala contígua àquela que reúne as obras de Goya que integram o roteiro permanente. Dessa forma, o visitante pode percorrer, em continuidade, diferentes facetas da produção do artista espanhol”, conclui o diretor.
As obras emprestadas fazem parte de sete séries de cartões para tapeçarias decorativas, destinadas aos palácios de El Pardo e El Escorial, que Goya projetou entre 1775 e 1792 como parte de uma encomenda oficial. Essa colaboração marcou o início de um estreito vínculo entre o artista e a corte, que se aprofundou em 1786, quando foi nomeado pintor do rei Carlos III.
A primeira tapeçaria em exposição intitula-se A pipa e foi realizada por Goya entre 1776 e 1778 para decorar a sala de jantar dos príncipes das Astúrias em El Pardo. A segunda peça, A galinha-cega, é um projeto de 1788 destinado ao quarto das infantas no mesmo palácio real. Ambas as obras ilustram cenas inspiradas na vida cotidiana, nos jogos populares, nos passeios e nas diversões típicas do campo e dos arredores de Madri. No plano formal, esses cartões unem de maneira original características do estilo rococó, visíveis no tratamento das texturas das vestimentas, da folhagem e dos céus, a estruturas compositivas que caracterizariam a obra posterior do pintor e gravurista aragonês.
“Este empréstimo constitui um marco para o nosso jovem museu, inaugurado em 2023 junto ao Palácio Real de Madri, por ser a primeira vez que uma obra da Galeria é apresentada na América”, considera Víctor Cageao, diretor da Galeria das Coleções Reais. “Para nós, é especialmente significativo que sejam essas tapeçarias a inaugurar sua presença no continente, pois refletem uma etapa essencial da trajetória de Goya e sua estreita relação com a Casa Real, e porque fazem parte de um dos conjuntos de maior relevância histórica e artística das Coleções Reais.”
Por sua vez, Carmen Reviriego, presidente do Conselho Internacional de Mecenas das Coleções Reais e da Fundação Callia, afirma: “É um privilégio que nossa primeira iniciativa na América Latina aconteça na Argentina e junto ao Museu Nacional de Belas-Artes. E é também uma demonstração de até onde pode chegar a colaboração público-privada quando instituições e sociedade civil compartilham um mesmo compromisso: preservar nosso patrimônio, aproximá-lo de novos públicos e fortalecer, por meio da cultura, os vínculos entre a Espanha e a América Latina.”













