Se você pudesse me descrever o significado da palavra “realidade”, como faria? Muitos falariam que a realidade é aquilo que de fato enxergamos. Outros diriam que ela é o que interage conosco. O dicionário, por sua vez, traz o significado de “qualidade ou característica do que é real” (seja lá o que isso significa). Alguns poderiam citar a teoria da Matrix, enquanto outros diriam que a realidade é apenas o conjunto do que existe.
De uma forma ou de outra, quando essa pergunta entra na roda, nosso primeiro impulso é pensar racionalmente e tentar dar um significado a ela. Porém, se notarmos com mais atenção, entenderemos que, para uma realidade existir, é preciso que exista uma consciência, algo que a perceba.
Da perspectiva filosófica, grandes nomes como Platão, Kant, Sêneca, Nietzsche, Sartre marcaram a história com suas próprias análises, buscando entender se a realidade é apenas o que é palpável ou é uma estrutura mais profunda que a razão ainda precisa desvendar. Essa exploração da vida e psique humana entra em debates interessantes sobre a construção da mente.
Platão defendia a ideia de que aquilo que percebemos pelos sentidos não passa de uma cópia imperfeita da verdadeira realidade, identificando as coisas reais como abstratas e imutáveis, como a justiça ou os números. Immanuel Kant dizia que nós não percebemos a realidade em si, mas apenas como ela nos parece, deixando claro que, portanto, ela é mediada por nossas faculdades mentais de espaço e tempo.
Sêneca, filósofo e dramaturgo por quem, particularmente, tenho um grande apreço, identificava a realidade não como o conjunto de fatos físicos que nos rodeiam, mas como nossa mente interpreta e reage a esses fatos, destacando que a percepção da realidade é, normalmente, mais dolorosa do que a própria realidade. Seguindo uma linha semelhante, Friedrich Nietzsche defende a ideia de que a realidade é moldada pelas perspectivas individuais e avaliações de valor, sugerindo que ela é dada pela interpretação, baseada na nossa “vontade de potência”, o que seria identificado pela força ou pelo poder.
Ainda possuímos o existencialista Sartre que defendia a ideia de que a “existência precede a essência”, mostrando que o ser humano primeiro existe e, a partir de suas ações e liberdade, cria a sua própria realidade e dá sentido para as coisas.
Poderia citar, entre tantos pensamentos filosóficos, inúmeros pensadores e pensadoras que refletem sobre “o que é a realidade”, desde que o mundo existe. Mas o foco deste artigo está em instigar um novo entendimento, percebendo a consciência do ser humano como a verdadeira criadora daquilo que recebemos externamente.
Você não acredita no que vê. Você vê aquilo que acredita. Esse aforismo inverte a lógica comum do “ver para crer” e remonta um princípio básico: sua realidade é construída pela sua mente, portanto, quando você acredita em algo, age de acordo com essa crença e, então, essa ação faz com que alguma realidade se molde a partir dela.
Para ficar ainda mais claro: você não vê o mundo exatamente como ele é, você vê o mundo através das suas lentes, das suas crenças, dos seus traumas, das suas experiências, dos seus desejos e medos. No fim, o mundo só existe, porque VOCÊ existe. No que tange ao modelo racional, seu cérebro acumula milhares de percepções durante a vida, criando infinitas camadas internas para sobreviver emocionalmente. Isso significa que a sua realidade se constrói a partir do que você sente e acredita.
O cérebro humano retém informações que confirmam o que já acreditamos, enquanto ignora ou distorce tudo aquilo que não está de acordo com a nossa crença. É por isso que, muitas vezes, quando alguém não concorda com outras ideias, nos frustramos em discussões: porque o próprio cérebro processa isso como um “erro”, gerando um desconforto cognitivo intenso.
É interessante pensar sobre a realidade e compreender as possibilidades disponíveis para uma boa reflexão, mas é preciso fazer isso exercitando a imparcialidade e neutralidade para se firmar uma definição. Nunca haverá verdade absoluta enquanto houver percepção individual. É fato que a dualidade existe neste caminho: a moral, a ética, o que é considerado “bom” e “mal”, “certo” e “errado”. Entretanto, há uma premissa imutável: a realidade se cria em sua mente.
Neste ponto, é preciso pontuar que questões políticas e sociais que fundamentam a desigualdade, a pobreza e o preconceito interferem diretamente na percepção das pessoas sobre sua própria realidade e esse ciclo vicioso de exclusão social não pode ser deixado de lado ou despercebido, muito pelo contrário: é preciso aceitar que fatos externos influenciam nossa percepção sobre o mundo. Não há demagogia nesta reflexão. O que abordo aqui é uma visão individual de como seu cérebro se comporta e interage com o externo. Isso esclarecido, entramos em um novo debate sobre a realidade.
Por uma perspectiva pragmática, para fundamentar a seguinte reflexão, utilizo os estudos de Joe Dispenza, bioquímico, pesquisador e neurocientista, que utilizou pesquisas em física quântica e neurociência para explicar como a mente pode influenciar o corpo ou a realidade.
Somos naturalmente capazes de mudar nossas crenças e percepções, pois é a partir da neuroplasticidade do cérebro que criamos novas conexões e reorganizamos, fortalecemos ou enfraquecemos estruturas consolidadas. Ao mesmo tempo, acessando um estado coerente entre coração e cérebro, a partir da meditação, por exemplo, temos a oportunidade de acessar um campo quântico que dispõe de infinitas possibilidades da vida que desejamos.
Isso só é possível se alterarmos nossa frequência emocional, transmutando sentimentos de sobrevivência ou hipervigilância para estados elevados de gratidão. A ideia aqui é que as pessoas não são vítimas do seu ambiente, mas sim criadoras e por isso, devem buscar a mudança interna para conseguirem se sentir verdadeiramente bem no mundo.
Por um ponto de vista hermético e esotérico, Neville Goddard, influente autor, conferencista e místico do movimento Novo Pensamento, defende a ideia de que a consciência é a única realidade. Isso mostra, portanto, que o sentimento que corresponde a ela é o que se concretiza na matéria. Para manifestar alguma coisa e mudar a sua realidade, é preciso cultivar o sentimento que a corresponde, é preciso sentir uma emoção genuína de que aquilo já está concretizado. A sua realidade se molda a partir de como você se sente e interage com o mundo.
A triste notícia é que, quando você toma essa consciência, já não deixa mais espaço para culpar outra pessoa pela sua infelicidade. Tudo aquilo que existe em sua vida é um resultado do que você permitiu. E isso não deve ser motivo para carregar mais culpa e paralisar seu movimento, mas a motivação ideal para buscar o autoconhecimento, se libertar de crenças desgastadas, dos sentimentos que te mantêm num limbo existencial e te prendem em uma realidade não mais desejada.















