A família sempre foi e sempre será o instituto de nascimento e de resolução dos conflitos que dela emergem. Desde os primórdios do surgimento da família, sempre foi a base de desenvolvimento dos seus integrantes, desde a tenra idade até à fase adulta.
Nos finais dos anos 90 e princípios da era 2000, a família começou a declinar do seu papel de conselheira dos nubentes para que tenham sucesso no lar, o que equivale a afirmar que houve um descentramento do papel da família no que se refere à sua principal função junto dos seus integrantes. Parece que, à medida que as pessoas foram crescendo, adoptaram uma vida mais individualista e o conceito de partilha de problemas ficou ultrapassado, passando a reinar a anarquia e um jogo de interesses.
Os conflitos e problemas de família passaram a ser discutidos fora do instituto família, entre amigos e vizinhos. Como consequência disso, os casamentos actuais já não duram muito tempo. Facto curioso são os casamentos tão rápidos que duram quase nada.
A família foi afastada, ou afastou-se do seu papel de conselheira e conciliadora dos seus membros. A família vive momentos conturbados no que se refere ao seu papel de zeladora pela saúde social dos seus integrantes. Ou, ainda, os membros da família perderam crédito na sua base, mas a verdade é que a família não está exercendo o seu papel devidamente, ou está sendo desvalorizada pelos seus membros.
Hoje temos o legado inquestionável e inegável dos casamentos que duram há mais de 50 anos, isso porque o instituto família fez bem o seu trabalho e os seus integrantes ouviram e acataram os ensinamentos transmitidos durante várias gerações. A geração actual desprezou ou descontinuou o legado deixado desde os primórdios do processo de socialização dos seus antepassados.
Actualmente, fazem-se casamentos tão onerosos, cheios de pompa e circunstância, mas o ingrediente mais importante, saber ouvir, ainda falta nesta geração para que tenha casamentos duradouros e felizes, como no passado e no presente da geração antecessora.
Os tempos mudaram e consigo levaram o que havia restado de ético nas pessoas. Os mais velhos são destratados e renegados para o último plano. Os seus conselhos e ensinamentos tornaram-se um incómodo e ruído para esta geração dos que mais falam e menos ouvem.
O comportamento desta geração minou qualquer hipótese de continuidade daqueles ensinamentos que ergueram os pilares dos casamentos seculares que, mesmo com tanto vento, nunca abanavam nem caíam. Os segredos do casal eram soprados no silêncio da noite e soterrados no amanhecer.
As famílias precisam urgentemente reunir-se e recuperar o seu papel de conselheiras e suporte dos seus membros. Está-se criando uma sociedade suportada por uma geração de gente vazia espiritualmente e desprovida de ética.
Os casamentos actuais estão em constante perigo de dissolução, pois a confiança tornou-se um fantasma do momento. As redes sociais são os tribunais desta geração. A família foi descentrada do seu papel de garante social e moral para as futuras gerações. O respeito sumiu na calada das baladas nocturnas. A inverdade tornou-se o alimento do dia a dia desta geração.
As famílias são usadas como o último recurso na aflição e o seu papel fica cada vez mais comprometido, pois, no lugar da preservação da família, a geração actual prefere o distanciamento familiar e a mesma só funciona por conveniência dos problemas do momento.
Passamos a ter famílias de cariz funcionalista mediante os problemas apresentados, e não cultivamos o espírito de partilha e comunicação dos problemas que nela emergem.
A geração actual que ainda acredita nos ensinamentos do passado, e que queira ter casamentos duradouros, precisa com urgência beber da fonte, ouvir os conselhos dos mais velhos e criar um filtro de realidade, para poder colher o que for importante para o seu momento.
Por isso, a nova geração deve sempre seguir os conselhos dos mais velhos para que tenha lares de sucesso. Saber ouvir deve ser a base de todo enredo familiar. Pois, um lar só busca suporte no diálogo e no saber ouvir os bons e maus conselhos e, com isso, tirar proveito do que é importante para construir um lar sólido e com princípios de vida, para salvaguardar o futuro dos filhos que virão dessa relação de casamento.
Um lar só será lar se tiver conhecimentos sólidos do porquê de se constituir essa família, de onde viemos e para onde vamos. Só assim será possível ver o êxito do passado dos casamentos que duram 60 e 70 anos, com simples respeito e consideração para uma paz e harmonia familiar. Este legado deve continuar infinitamente, mas desde que a nova geração esteja disposta a ouvir e seguir os ensinamentos dos mais experientes e mais velhos, que sempre têm um testemunho a dar.
Ouvir, respeitar e tirar as suas conclusões sobre o que é bom para si.















