Situado no norte do continente africano, o Marrocos é bem mais do que os olhos distraídos podem ver. Dono de uma cultura ímpar, o país, acariciado pelos mares Atlântico e Mediterrâneo, é fruto das mais diversas influências. Falar deste lugar do nosso maravilhoso planeta é como fazer uma viagem no tempo, desde os tempos mais remotos até os dias atuais, e por que não dizer para o futuro e além; habitada desde os tempos mais distantes, esta região sempre teve vocação para a grandeza. Por lá existiram grandes civilizações, como a cartaginesa, por exemplo, dentre outras.
O Marrocos tem uma aura mística que perdura até hoje e que me impactou desde o primeiro instante. Eu cheguei de barco, no porto de Safi, distante de Marraquexe cerca de 210 km, e já no porto percebi que algo de muito esplendoroso estava por vir. Os súditos do rei Baga são extremamente acolhedores, simpáticos e donos de um sorriso cativante. Sendo assim, o passeio começou ainda pelos arredores do referido porto, para depois desbravar os outros encantos do país.
Safi é um lugar belíssimo e com ótima estrutura turística, e eu tenho certeza, meu caro viajante, que é impossível não se admirar com o bairro dos Oleiros, a Kechla e a atmosfera dos becos e vielas. Você vai amar. Depois de visitar a vibrante região central, resolvi sentar num café de frente para o mar e tomar um saboroso chá de menta servido da forma mais malabarística do mundo. Isso mesmo: os funcionários são cheios de trejeitos para te cativar até mesmo com um “simples” chá, enquanto eu esperava com muita expectativa o meu cordeiro com ameixas, admirando o lamber das ondas na costa marroquina.
Terminado o almoço, era hora de pegar a estrada e seguir rumo a Marrakech. Aquela que já foi a capital do reino é até hoje um lugar magnífico, com seus mercados, medinas e gente, muita gente que vai salpicando com ainda mais beleza o lugar. Marrakech é tão antiga quanto o próprio Marrocos, pois lá existem vestígios de atividade humana que datam do neolítico. Mas a cidade só foi de fato fundada por volta de 1062 por Abu Omar. O que ele queria com a fundação da cidade? Fazer uma ode à vida. Sim, este lugar é uma ode viva à vida. Basta olhar à sua volta e você verá que a cidade vermelha é sim um lugar de puro esplendor. Eu preferi começar pelo colorido mercado na praça Jamaa el Fna, que se estende por uma infinidade de labirintos, pois, como eu já disse em outros artigos, os mercados são os termômetros de uma cidade: é lá que a vida pulsa.
Com tanta luz, tanta cor e tantos sabores, é bem provável que você queira levar tudo, desde as suculentas tâmaras aos mais vibrantes temperos. As opções são tão fartas que vão te fazer se sentir em um conto árabe. Por falar em opções, eu escolhi o Riad El Youssoufi para descansar (confesso que escolhi o local por causa do nome; ele me fez lembrar do cantor Yusuf Islam). O local é sensacional e tem um custo-benefício excelente. Vale a pena reservar com antecedência, pois na alta estação ele está sempre cheio. A noite de Marrakech também é um capítulo à parte: o céu é tão enigmático que eu posso jurar ter visto um tapete voando com uma lâmpada mágica.
Depois de uma noite bem dormida, segui até Fez, Rabat e Casablanca, exatamente nesta sequência. Mas não sem antes dar uma esticada até o deserto marroquino, um lugar que só pela viagem já vale o ingresso. Estar naquele território é estar em estado de puro pertencimento. Apesar da escassez de quase tudo, o deserto é sim um lugar riquíssimo, de tudo e de todos.
Chegando em Fez, eu me rendi completamente às suas cores, arcos e azulejos. Sim, os belíssimos azulejos que saíram da África para embelezar o mundo. Ou você achava que o azulejo era uma criação portuguesa? Ledo engano. Esta nação contribuiu com muito mais coisas maravilhosas para o mundo, coisas que você nem imagina. Até aquela famosa erva cultuada pelos amantes do reggae: a que é produzida aqui no Marrocos é a melhor do mundo. Mas o melhor de tudo nesta cidade foi me perder dentro da medina, ou melhor dizendo, foi onde eu me achei.
Rabat e Casablanca são, na minha opinião, as mais cosmopolitas. Ambas já foram cenários de filmes e encantam o mundo há muito tempo. Rabat é a menina do oceano e do rio Bu Regregue. Uma vez lá, não deixe de visitar a torre Hassan, construída no século XII. Ela exibe a sua imponência até hoje, firme e forte como o povo marroquino. Também vale a pena visitar o mausoléu de Mohammed V, onde estão depositados os restos mortais de seus dois filhos.
O que dizer de Casablanca? Eu posso dizer que eu não quis partir. Aquele lugar simplesmente me acorrentou, e foi exatamente no Parc de la Ligue Arabe, simples e magnífico ao mesmo tempo, que eu descansei os meus pés depois de visitar a mesquita Hassan II e o Quartier Habous. Mas, pensando bem, vou parar por aqui. O Marrocos é o tipo de lugar que tem de se ver para crer. Por mais que eu tente, escreva e me esforce, certamente não vou conseguir colocar aqui o que é esta obra-prima da raça humana. Portanto, meu caro leitor… que tal fazer as malas? Só mais uma dica: escolha o outono ou a primavera. Assim, as suas mil e uma noites serão muito mais agradáveis. Eu te garanto.















