Tramas é a segunda exposição individual de Jessica Mein na Galeria Leme. A artista apresenta obras de parede assim como estruturas espaciais. Com este novo corpo de trabalho, Mein aprofunda sua pesquisa sobre a fisicalidade e espacialidade de imagens e subverte ainda mais as fronteiras e hierarquias entre imagem e o suporte que a sustenta, superfície e estrutura.
A obra de Mein incide sobre os materiais visuais cada vez mais obsoletos de São Paulo e Dubai, que estão sendo substituídos por alternativas de alta tecnologia. Seu fascínio por elementos quase extintos, tais como as estruturas e papéis de outdoors de São Paulo e os sacos de cânhamo impressos manualmente, dos mercados nos arredores de Dubai, está enraizado numa investigação sobre os sistemas de produção e difusão de imagens em todo o espaço urbano, e nossa consequente relação física e mental com esses processos e produtos.
Em contraste à facilidade e rapidez avassaladoras como as imagens são produzidas e difundidas hoje em dia, as intervenções físicas de Mein são altamente trabalhosas, lentas e complexas.
Mein combina fragmentos de outdoors, originalmente descartados devido a erros de fabricação, com as impressões manuais dos sacos de cânhamo, que são geralmente usados para transportar arroz. A artista usa o cânhamo como uma fonte de imagens, superfície e suporte para suas obras. Em seguida, uma nova imagem é sobreposta à que existia anteriormente no saco de cânhamo. A artista também digitaliza, com um scanner, partes destes sacos e transfere estas novas imagens para o cânhamo em branco. Depois ela desfia, rasga e corta o material, num processo manual que está inevitavelmente condenado a erros e imperfeições. Ao fazer isso, revela simultaneamente a constituição do tecido, decompondo-o aos seus fios e fibras, e também expõe a estrutura de sustentação do próprio trabalho, mostrando os chassis de madeira por trás do cânhamo.
Essa inversão entre o bastidor estrutural e a imagem é levada mais longe com um grupo de instalações de madeira que estão espalhados ao redor do espaço expositivo, confrontando fisicamente o espectador com seu tamanho e escala. As qualidades formais dessas construções quase-arquitetônicas ecoam tanto as obras nas paredes, tal como as precárias estruturas urbanas que sustentam imagens de grande porte. Aqui, os elementos de apoio tornam-se tão importante quanto as imagens desconstruídas.
Numa oscilação constante entre construção e a posterior sabotagem de suas próprias obras, a exploração de Jessica Mein se estende desde a micro escala das fibras do cânhamo até à macro escala das estruturas espaciais que nos lembram os outdoors. Ao alterar e experimentar os seus trabalhos até às suas arquiteturas mais básicas, a artista questiona a autoridade da imagem como a mais abrangente comodificação contemporânea.
Jessica Mein
Nascida em São Paulo, Brasil, 1975. Vive e trabalha em Dubai, onde é atualmente um artista residente no programa A.i.R. executado pelo Art Dubai, Delfina Foundation, Dubai Culture and Arts Authority e Tashkeel.
Entre as suas exposições individuais estão : Obras, Simon Preston, New York; Downtown Pavilion, Dubai. Assim como as exposições coletivas: The Street Files Biennial, Museo del Barrio, Nova Iorque; Fundação Julia Stoschek, Dusseldorf; Museu Wellin, Hamilton College, Nova Iorque; Museo Tamayo de Arte Contemporáneo, México; Galeria Isabelle van den Eynde, Dubai; Drawing Center, Nova Iorque; Universidade de Nova Iorque, Abu Dhabi; Universidade de Harvard, Cambridge, EUA.
Seu trabalho está incluído nas coleções do Museu de Arte Moderna de Nova Iorque; Julia Stoschek Foundation, Dusseldorf; e Museu de Arte Contemporânea, São Paulo.










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