O MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand apresenta, a partir de 15 de maio, a mostra Acervo em transformação: doações recentes. Integrada ao ciclo das Histórias latino-americanas no MASP, a exposição reúne dois conjuntos de serigrafias recém-incorporadas à coleção do museu: do artista Abraham Cruzvillegas (Cidade do México, 1968) e do coletivo Taller Popular de Serigrafía (Buenos Aires, atuante entre 2001 e 2007). “A gráfica política latino-americana é uma das mais ricas tradições das artes visuais na região, articulando demandas e contestações de diversas naturezas”, afirma Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP.
Formado no contexto da crise econômica e social na Argentina, em 2001, o Taller Popular de Serigrafía articulou arte e militância ao atuar diretamente em manifestações populares. Nesse processo, a serigrafia foi mobilizada como ferramenta política imediata, já que o coletivo realizava oficinas móveis em protestos nas ruas e em fábricas ocupadas, imprimindo mensagens em cartazes, tecidos e nas próprias roupas dos manifestantes. Somos nosotros (2002) foi uma das obras espalhadas por diversos bairros de Buenos Aires para mobilizar novas manifestações no primeiro aniversário dos protestos de dezembro de 2001, que culminaram na deposição do presidente Fernando de La Rúa após intensa mobilização popular. O conjunto inclui 51 serigrafias produzidas entre 2002 e 2007.
Já a série Ink and blood: 1968-2009 [Tinta e sangue: 1968-2009], de Abraham Cruzvillegas, é composta por 41 fac-símiles de cartazes, panfletos e adesivos de diferentes movimentos sociais e manifestações políticas na América Latina, produzidos entre 1968 e 2009. O recorte se inicia em 1968, ano de nascimento do artista e marco da violência estatal no México com o massacre de Tlatelolco, em que manifestantes foram reprimidos e assassinados durante protestos contra a realização dos Jogos Olímpicos na Cidade do México. Cruzvillegas resgatou esse arquivo iconográfico a partir de fontes diversas, incluindo o acervo do cronista visual Arnulfo Aquino, de maneira não seletiva. O título da série sintetiza o trabalho: a tinta como difusão de ideias e o sangue como símbolo da repressão e da vitalidade popular.
Com curadoria de Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP, Regina Teixeira de Barros, curadora de acervo, MASP, e Matheus de Andrade, assistente curatorial, MASP, a mostra reúne obras incorporadas ao acervo por meio de doações de artistas e pessoas físicas. Essas novas aquisições ampliam a presença da serigrafia política na coleção do MASP, que já reúne conjuntos de coletivos como os estadunidenses Gran Fury e Guerrilla Girls, e o argentino Serigrafistas Cuir — que inclui ex-integrantes do Taller Popular de Serigrafía. “Pela facilidade de reprodução e circulação, a serigrafia consolidou-se historicamente como uma ferramenta política fundamental nas ruas. No ano das Histórias latino-americanas no MASP, os trabalhos refletem a ampla mobilização social no continente, de lutas por liberdades civis e igualdade social” comenta Matheus de Andrade.
Acervo em transformação: doações recentes integra a programação anual do MASP dedicada às Histórias latino-americanas. A agenda do ano também inclui mostras de Santiago Yahuarcani, Claudia Alarcón & Silät, Damián Ortega, La Chola Poblete, Sandra Gamarra Heshiki, Colectivo Acciones de Arte, Sol Calero, Carolina Caycedo, Pablo Delano, Rosa Elena Curruchich, Manuel Herreros e Mateo Manaure, Jesús Soto e uma exposição coletiva internacional.






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