O MASP — Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand apresenta, de 15 de maio a 13 de setembro, Damián Ortega: matéria e energia, primeira exposição panorâmica do artista na América do Sul. Com 35 obras, a mostra leva o visitante para um universo onde a gravidade parece suspensa e objetos são desmontados e ressignificados. Um dos nomes centrais da arte contemporânea de sua geração, Damián Ortega (Cidade do México, México, 1967) propõe ao público reexaminar nosso cotidiano e os objetos que nos cercam para refletir sobre questões diversas, como trabalho, consumo, tempo e linguagem.
Com curadoria de Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP; Rodrigo Moura, curador independente; e Yudi Rafael, curador assistente, MASP, a exposição reúne mais de três décadas de produção do artista, articulando fotografia, vídeo, escultura e instalação. A mostra também será apresentada no Centro Cultural La Moneda, em Santiago, Chile, de 12 de novembro de 2026 a 28 de março de 2027.
O artista conta que concebe a escultura como uma relação entre força, resistência, equilíbrio e gravidade, aproximando-se da engenharia de modo lúdico. “Ortega desenvolve uma linguagem escultórica irreverente a partir de objetos cotidianos. Em sua obra, a ideia de energia é ampla, referindo-se tanto a noções de trabalho quanto a processos físicos de transformação da matéria. Ele equaciona abordagens da sociedade e investigações sobre tempo e espaço, movendo-se entre escalas micro e macro, entre o átomo e o cosmos”, afirma Yudi Rafael.
Inédita no Brasil, a obra Cosmic thing [Coisa cósmica], 2002, consiste em um fusca completamente desmontado, suspenso como um diagrama espacial em que todas as peças parecem flutuar. Mais do que revelar o interior do veículo, Ortega evidencia um objeto industrial que já foi o automóvel mais popular no Brasil e no México, assim como um símbolo da industrialização na América Latina. Essa nova apresentação convida o público a refletir sobre diferentes camadas de sentido — afetivas, históricas e econômicas— que o automóvel carrega: promessas de modernização, expectativas de ascensão social, mas também obsolescência e questões latentes nas grandes metrópoles da região.
Já em Controller of the universe [Controlador do universo], 2007, serrotes, pás, marretas e machados tornam-se elementos de uma explosão que parece ter sido congelada no tempo. A instalação feita de ferramentas é uma releitura do mural El hombre controlador del universo [O homem controlador do universo], 1934, de Diego Rivera (Guanajuato, México, 1886—1957 Cidade do México, México). Com um trabalhador no centro operando uma máquina, a obra de Rivera celebra o desenvolvimento tecnológico e a indústria. Ao utilizar ferramentas desgastadas que se projetam para o espaço, Ortega retoma esse imaginário questionando o tom heroico e épico da obra de Rivera.
Ortega também aproxima a arte da arquitetura moderna e vernacular. Observa pilhas de tijolos acumuladas em frente às casas, à espera de futuras ampliações, e as transforma em esculturas que revelam uma energia em estado de latência: um projeto que ainda não se realizou, mas que existe como potencial. A escultura Monster [Monstro], 2019, é uma das figuras formadas por restos de materiais de construção, como estrutura metálica, pedaços de azulejos, tijolos de barro e peças de concreto. Ao lidar com esses materiais, tão presentes em cidades latino-americanas, o artista chama atenção para modos de construir que emergem de forma espontânea nas grandes cidades.
Expoente da cena artística mexicana da década de 1990, Ortega faz parte de uma geração que procurou renovar a linguagem da arte por meio de iniciativas coletivas que contribuíram para a transformação de seu meio artístico local. A partir de diálogos com a história da arte e com a experiência social latino-americana, o artista desenvolve uma linguagem escultórica e conceitual capaz de reposicionar histórias regionais em uma narrativa internacional, identificando-se com temas como globalização e circulação de mercadorias.





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