A Galeria Leme tem o prazer de apresentar Viúvas, órfãos e peregrinos, exposição individual do artista britânico Henry Krokatsis, em cartaz de 17 de maio a 14 de junho de 2025.
Reunindo 11 obras do artista, a mostra marca seu retorno ao Brasil após doze anos.
Em Viúvas, Órfãos e Peregrinos, Krokatsis desloca o foco para as margens. O título da exposição alude àqueles frequentemente relegados à periferia da sociedade, ao mesmo tempo em que carrega um sentido lateral: no contexto da diagramação, chamam-se “viúvas” e “órfãos” as linhas ou palavras que se separam do corpo principal do texto.
A obra de Krokatsis propõe uma reavaliação de materiais que, por si só, são descartes. Trabalhando principalmente com espelhos reaproveitados—geralmente adquiridos em feiras e lojas de segunda mão—o artista busca reinterpretar, reposicionar e revalorizar objetos que, metaforicamente, “perderam o brilho”.
Krokatsis se interessa pelas conexões entre a história do mundo moderno e a do espelho, especialmente nos ciclos de obsolescência e desvalorização material. A fabricação de espelhos, outrora um ofício místico ligado à ciência, à astronomia e ao esotérico, foi substituída no século XX por métodos baratos e produzidos em massa. A popularização dos espelhos nos lares britânicos, na segunda metade do século passado, banalizou o que antes era um símbolo de status e luxo, convertendo-o em uma superfície comum—facilmente manchada, muitas vezes descartada. Ao incorporar esses objetos em suas obras, o artista prolonga seu ciclo de vida e lhes confere um novo valor. Frequentemente imperfeitos, esses espelhos são tratados como elementos pictóricos, recortados e moldados pelo artista em composições visuais renovadas.
Nas obras apresentadas, o verso do espelho é revelado e integrado como elemento compositivo central. A produção de espelhos envolve o depósito de uma camada de prata sobre o vidro, que é então vedada com diversos materiais para protegê-la da corrosão. O verso desses objetos revela uma paleta inesperada de cores—do laranja cádmio aos marrons e vermelhos acobreados, passando por tons azulados de alumínio.
Ao ativar esse lado “inútil” do objeto descartado, Krokatsis resgata uma narrativa adicional, vinculada a tradições culturais e religiosas em que se cobre ou se vira o espelho durante o luto como sinal de contemplação espiritual.
Em última instância, Henry Krokatsis convida o espectador a olhar novamente, a reconsiderar o valor daquilo que tomamos como garantido ou que deixamos de lado. Ao utilizar o espelho como instrumento de reflexão, direciona o olhar para as nuances e os sentidos presentes naquilo que, frequentemente, habita as margens da vida cotidiana.










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