Na minha graduação de Letras, por ser uma Licenciatura, eu tive contato com muito conteúdo de Pedagogia. Mesmo não trabalhando atualmente na área, achei enriquecedor poder entender o desenvolvimento do ser humano e as formas de ensino. Um pensador que me marcou profundamente foi o Piaget.

Jean William Fritz Piaget nasceu na Suíça em 9 de agosto de 1896. Inicialmente, formou-se em Biologia, o que mais tarde influenciaria sua visão do desenvolvimento humano como um processo de adaptação e evolução contínua. Posteriormente, resolveu dedicar-se à área de Psicologia, Epistemologia e Educação. Chegou a atuar como professor de Psicologia na Universidade de Genebra, no período de 1929 a 1954, além de escrever mais de cinquenta livros, e tornou-se mundialmente conhecido pela sua teoria epistemológica.

A título de conhecimento, é importante destacarmos que epistemologia é o ramo da ciência da filosofia que estuda a origem, os limites e a natureza do conhecimento humano. Ela dedica-se a responder perguntas como:

  • O que é o conhecimento?

  • Como adquirimos esse conhecimento?

  • Quais são os limites do que podemos saber?

  • O que diferencia a ciência de uma pseudociência ou do senso comum?

No ano de 1921, Jean Piaget foi convidado para trabalhar no Instituto Jean-Jacques Rousseau, em Genebra. E, entre os anos de 1925 e 1931, nasceram os seus três filhos: Jacqueline, Lucienne e Laurent. Essa linha do tempo demarcada é importante para apresentar que foi nesse convívio diário e repleto de rotina familiar que Piaget começou a observar o comportamento da “criança pequena” e fazer registros com algumas hipóteses sobre as origens da aprendizagem humana.

Quando Piaget começou a se dedicar e a analisar o comportamento e o desenvolvimento, ele concluiu que o progresso se dava por meio de um esquema em que há um ambiente e, ao acontecer o aprendizado, desperta um desequilíbrio. Para que haja uma adaptação, ocorrem assimilação e acomodação e, então, inicia-se o equilíbrio. A partir disso, pode-se concluir que o aprendizado é contínuo e sempre se parte de um equilíbrio menor para chegar a um equilíbrio maior.

Piaget dividiu o desenvolvimento em estágios, pois, para ele, o desenvolvimento cognitivo é uma ordem de fases que têm como características a formação de conceitos de novas estruturas de pensamento. São os estágios:

  • 1) Período da inteligência sensório-motora (até os 2 anos) e anterior ao desenvolvimento da linguagem e do pensamento.

    Abrange a fase do reflexo, das organizações/percepções/hábitos e da inteligência sensório-motora propriamente dita. A criança está aprendendo a adquirir coordenação motora e conhecendo os objetos que a rodeiam, capta o mundo pelas sensações, e a criança considera a si mesma e o mundo como se fossem uma coisa só. Para os aspectos do cotidiano escolar, é importante que o professor respeite o tempo de desenvolvimento do bebê, com foco no seu desenvolvimento pessoal, levando em consideração as experiências sensório-motoras, oferecendo, assim, muitos estímulos (seja em sons, olfato, tato).

  • 2) Período do pensamento pré-operatório (2 a 7 anos, ou segunda parte da primeira infância).

    Abrange o estágio que revela a inteligência intuitiva, sentimentos interindividuais espontâneos e relações submissas aos seus responsáveis. A criança é capaz de se comunicar, nomeia objetos, raciocina apesar de não conseguir fazer operações lógicas, realiza representações mentais de objetos, é egocêntrica, tem como característica a fase dos “porquês”, age por simulação, possui percepção global e deixa-se levar pela aparência. Neste estágio, o professor precisa atuar construindo o plano concreto da existência, evoluindo com o pensamento apresentando estratégias de aprendizagem, observando atentamente os detalhes dos estímulos. É preciso investir em muitas brincadeiras como formas de aprendizagem, tornando o processo mais dinâmico.

  • 3) Período operatório concreto (7 a 11-12 anos).

    É o estágio que envolve as operações intelectuais concretas e sentimentos morais e sociais no que tange à cooperação. A criança já consegue formar conceitos com números e classes, possui lógica consistente e habilidades para solucionar problemas reais, desenvolve noção tanto de tempo quanto de velocidade, espaço, ordem, entre outros. Consegue imaginar dados fora de sua realidade. O professor envolve os alunos, explora suas ideias e propõe mais trabalhos em grupos.

  • 4) Período operatório formal (11 a 15 anos ou mais – adolescência).

    Chegamos ao último estágio. A criança já é capaz de efetuar operações intelectuais abstratas, possui uma formação da personalidade e da sua inserção afetiva e intelectual na sociedade adulta. Nesse estágio, a aprendizagem é construída internamente e depende do nível de desenvolvimento do aluno, sendo também um processo de reorganização cognitiva. A interação social é parte importante e favorece o aprendizado.

Diante de todos os estágios, percebemos que a figura do professor é de troca com o aprendiz. O professor não é mais aquele que ocupa o lugar de quem só ensina, mas orienta, pois suas estratégias estão centradas na criança e nas iniciativas dela. Dessa forma, a teoria de Piaget continua sendo uma importante referência para educadores e responsáveis, pois auxilia na compreensão das características de cada fase do desenvolvimento infantil e na elaboração de práticas pedagógicas mais adequadas.