O MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand apresenta, a partir de 2 de abril, três vídeos produzidos pelo artista Oscar Muñoz (Popayán, Colômbia, 1951) na exposição Sala de vídeo: Oscar Muñoz. A mostra evidencia a pesquisa de Muñoz sobre a impermanência da imagem e da memória, utilizando processos visuais efêmeros para refletir tanto o contexto histórico colombiano de violência, desaparecimentos e conflitos políticos quanto a fragilidade das imagens.
Oscar Muñoz teve sua trajetória marcada pelo desaparecimento de pessoas, uma prática recorrente em conflitos civis, nesse caso associada à atuação do narcotráfico na Colômbia. Esse cenário de violência e apagamento atravessa sua produção artística. Em sua obra, ele se manifesta no desfazimento das imagens, ecoando o apagamento real de pessoas, e na capacidade que as imagens têm de reter a memória.
Com curadoria de Matheus de Andrade, assistente curatorial, MASP, a sala de vídeo apresenta três trabalhos exibidos simultaneamente e de forma contínua. Por meio do uso de materiais como água, pó de carvão e o corpo, as obras questionam a ideia de permanência das imagens e dos registros, evidenciando a fragilidade da memória e da representação.
Ao longo do seu processo, Muñoz utilizou diferentes suportes para desenvolver experimentações em torno de temas como imagem, identidade e processos de lembrança, que mesclam técnicas de fotografia, desenho, gravura e pintura. No início do século 21, passou a empregar o vídeo como principal meio de registro, no qual encontrou uma forma de evidenciar o processo de formação das imagens. O vídeo surge como suporte para captar a instabilidade dos materiais escolhidos, que tendem a não resistir ao tempo, mesclando referências da fotografia e de outras artes visuais.
Em Narciso (2001), a obra apresenta a imagem de um rosto feito com pó de carvão flutuando na superfície da água de uma pia. Quando o ralo é aberto, a água escoa e a imagem se dissolve. A obra dialoga com o mito de Narciso, herói da mitologia grega que se apaixona pelo próprio reflexo e acaba por se afogar ao tentar capturar a sua imagem. O vídeo aponta a impossibilidade de se fixar a identidade no tempo. “Seu trabalho nos convoca a refletir sobre como encaramos o visível: o que escolhemos preservar e o que permitimos que se perca. Sua obra relembra que a imagem é sempre uma construção frágil e em disputa diante daquilo que se preserva e o que escorre pelo ralo da história”, comenta Matheus de Andrade.
Línea del destino [Linha do destino] (2006) registra o reflexo do rosto do artista em um punhado de água acumulada na palma da mão. O movimento da mão e o escoamento da água distorcem e fazem desaparecer a imagem, revelando um retrato fluido e destinado ao desaparecimento. Já em Re/trato (2004), o artista pinta rostos com água sobre concreto quente; antes de concluir o desenho, a água evapora as pinceladas, fazendo com que a imagem desapareça antes de ser finalizada e que o processo reinicie continuamente. Esse trabalho se desdobrou em uma importante instalação na Bienal de Veneza de 2005, intitulada Proyecto para un memorial [Projeto para um memorial].
Sala de vídeo: Oscar Muñoz integra a programação anual do MASP dedicada às Histórias latino-americanas. A programação do ano também inclui mostras de Carolina Caycedo, Colectivo Acciones de Arte, Claudia Alarcón e Silät, Damián Ortega, Jesús Soto, La Chola Poblete, Manuel Herreros e Mateo Manaure, Pablo Delano, Rosa Elena Curruchich, Sandra Gamarra Heshiki, Santiago Yahuarcani e Sol Calero. E mostras audiovisuais de Clara Ianni, Regina José Galindo, Claudia Martínez Garay e Edgar Calel.







![Colectivo Acciones de Arte, No+ [Não mais] (detalhe), 1983. Cortesia da MASP](/attachments/dc40768cdeeb3efde6f401458c89b480eccc9b3b/store/fill/330/330/78e1c0c0e74593dec16749d28f958badc81211c6cbebdeb8b40e4dd2be4a/Colectivo-Acciones-de-Arte-No-plus-Nao-mais-detalhe-1983-Cortesia-da-MASP.jpg)








