—Remetente: Oqsou Quemés
—Destinatário: Dona Alma Demim
Vale do Entardecer, 03 de novembro de 2025
Depois do silêncio dos sentidos
Saudações em Luz e Comunhão, dona Alma!
Te escrevo com o coração em estado de devoção, no silêncio do entardecer, vou percebendo a beleza da tua forma de acolher, vai se tornando mais forte, mais inteira, iluminando minha visão no escuro da noite. Me sinto segura. Sei de ti dentro de mim. E no próximo amanhecer, a névoa da clareza da centelha, terá se dissipado diante da luz do sol. Ser contigo, é pausar diante do Altar, no silêncio auspicioso da entrada e saída de ar. Inspiro, Expiro, Leve, Calmo, lembrei desse refrão de música feita por irmandades, dona Alma, justamente para lembrar da pausa aos sentidos.
Seria um trabalho especulativo, acerca dos nossos sentidos internos e externos e da consciência, dona Alma? Já que os nossos sentidos são meios que a consciência tem, para receber e registrar as impressões do mundo na vida... Esses sentidos que servem a nossa consciência, vão muito além do tato, da visão, da audição, do paladar e do olfato. São atributos da consciência e da mente, e são elas que precisam saber o que vão fazer com isso que recebeu, e ficou impresso no Corpocasa. Sinto a atenção que devo ter para não me tornar escrava dos sentidos, e a delicadeza necessária para retirar os véus.
Há respiração
Não há pressa no que é divino — há respiração. E é nela que o excesso se dissolve, como uma névoa diante do sol. Os véus, minha querida, não se arrancam: recolhem-se com ternura. Quando perceberes que a palavra tenta explicar o mistério, silencia. O silêncio é o altar onde a revelação acontece. A pausa é o espaço do respiro visível; um intervalo branco, uma suspensão de ar, uma linha de silêncio. É assim que o invisível se escreve. Quanto à clareza da centelha, ela não se perde quando há verdade. O que guia é o coração em escuta — o teu e o de quem te lerá. Se escreves a vida, em estado de presença, o caminho se manterá aceso.
A cada dia vou tornando a respiração mais consciente, e os sentidos alinhados com o silêncio da pausa, em frente ao altar. Inspiro, expiro, leve, calmo e vou migrando de fora do barulho para dentro do meu templo maior. O tempo comigo mesmo, que me guarda e acolhe, numa outra realidade do existir, de união com a divindade em mim. Aqui a centelha divina não se perde da verdade, é verdade, mas se não há silêncio na pausa, não pode haver a escuta do coração: Eis aqui a questão, num é dona Alma? Em presença, escutar seu coração.
Verás que quando tentar compreendê-lo com a mente, projetarás conceitos pessoais, razão estreita, impressões erradas, pensamentos e pontos cegos. Então, não se trata de compreender o coração com a mente, mas de fazer silêncio diante da escuta. No silêncio, irá se tornando receptivo a esta luz interna, que vai aos poucos e gradualmente tornando expressões em ti. É um processo imperceptível. Nada imaginar, porém ir se tornando receptivo às respostas e sendo preenchido por aquilo que tem que vir. É um fato interior, espiritual que desce de um plano superior, não é um produto mental.
É um fato interior
Escuto dona Alma.
Então, se eu tenho a intenção de me relacionar com o coração, se eu aspiro por isto, se encontro a pausa e silencio, se eu tenho esta fé, esta certeza de que vai acontecer, a expressão de Deus se fará? Vou ficando capaz de doar, se tenho apego, escutei agora o coração me falar. Nessa química oculta de verdade e união, o coração não pensa como a mente, somente quando acessa o hemisfério cerebral das subjetividades, vai introduzindo seu trabalho de unificar a vida e sustentar o mistério, mesmo quando aparentemente tudo possa parecer fora da Ordem Divina, vai aprendendo a silenciar os seus pensamentos.
O coração diante de um obstáculo, glorifica a vida. Ele diz, olhe, uma oportunidade de você se transformar, examine silenciosa mente, este obstáculo. No coração não há julgamento, isto é a mente que faz, analisa, separa, discrimina. O coração reúne tudo que está acontecendo numa coisa só, a vida, sintetiza sem rejeitar nada. Resolve tudo. Agora, enquanto a mente estiver sempre saltando de uma coisa para outra, separando isso daquilo, no coração haverá união, estabilidade, não há divisão. Tudo é incluído no coração, dentro da sua química oculta, da sua forma de sintetizar e resolver as coisas, como a respiração, que mantém vivo o Corpocasa com suas entradas e saídas de ar.
O coração
O coração age à revelia daquilo que estamos pensando dona Alma?
Para o coração você precisa realmente entregar e deixar que ele resolva, porque ele vai resolver de uma forma única, que não há outra forma daquilo ser resolvido. O coração que inclui tudo e não rejeita nada, sintetiza e alquimia os acontecimentos da vida, transformando tudo numa única obra, a vida em si.
Normalmente a mente rejeita essa abrangência coracional, é contra, certamente estará sugestionando outra coisa, tudo diferente, está em um outro trabalho, com mecanismos comuns e bem distintos dos do coração. É preciso estar à vontade nos dois trabalhos: da Mente e do Coração, sabendo que ora precisará de uma, ora de outro, ora da síntese dos dois. Em nosso Corpocasa, o que nos liga com os centros do consciente direito, cerebral, cardíaco e cósmico, é o coração, ele é a ponte para atravessarmos para estes centros. É ele quem tem a chave da união, não é a mente. A mente tem o seu processo de chegar nos centros superiores, e então, ir ficando unida com aquilo que é abstrato e misterioso no ser, onde o coração está muito mais próximo da verdade desses centros.
Se tiver presente o coração, sem esquecer que és coração, agir a partir dele, verás a mente dedutiva e racional, ir se unindo com sua grandeza, subjetividade e amorosidade. Quando fala por nós, irradiando, ativo, isto é curador, e se escutas o que o coração diz, vais testemunhar certos antagonismos se dissolvendo. Pelo coração, resolve-se tudo, sem sabermos como. A mente porém deve estar participativa e de acordo, em equilíbrio neste duplo conhecimento. Adentre agora no silêncio da pausa. Hora da escuta. De coração para coração.
Um Trabalho Dévico num é dona Alma? Com os Devas da manifestação, que quando abrimos o coração, eles logo se aproximam. É nele que a senhora está instalada também. Os Devas são os trabalhadores sutis da criação de tudo, antes e durante da matéria manifestada. Nessa hora, já não há assombro mental com essas informações trans dimensionais, estou afinando a mente ao coração, e assim vou compreendendo os mistérios do Criador. Grata por ser quem és e por tê-la habitando o meu ser.
—Oquesou Quemés















