O quéchua é uma língua muito doce. Talvez eu sinta isso porque é minha língua materna ancestral em risco de extinção, e porque sinto nostalgia de fazer parte de uma cultura de língua milenar, silenciada, esquecida, invisibilizada, e porque sinto ao mesmo tempo que estamos todos deixando para trás, e com todos quero dizer a humanidade, mais uma língua que se perderia. Sua sonoridade abre um portal de memórias muito imersas na natureza que me viu crescer e que eu via enquanto crescia.
O título desta exposição de pinturas, Ambi Yaku, surgiu de repente, no meio de uma sessão enquanto eu pintava, da mesma forma que nasce a água, da mesma forma que a tinta fluía nas telas, saiu do silêncio das sessões da oficina de pintura como cor, ou como uma revelação ou uma sincronia em um diálogo com o passado que mantenho com essa língua milenar, que me lembra, por exemplo, como os Ingas curam os corpos banhando-se com folhas da árvore do arco-íris que cresce à beira do rio, ou combatem o medo dos bebês dando-lhes para beber a espuma da água das cachoeiras.
(Texto de Carlos Jacanamijoy)












![Carolina Caycedo, Territory [Território] (detalhe), 2013. Cortesia da MASP](/attachments/3c51749ceba28e56fe1947686e29871f5dd10b6c/store/fill/330/330/4ee02f0a668f6028ea07d5f8247f011141f42a9c6b726473a22c3b1d5731/Carolina-Caycedo-Territory-Territorio-detalhe-2013-Cortesia-da-MASP.jpg)



